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sábado, 22 de setembro de 2012

Em bom português: desinquieto… ou inquieto?

Desfeito é o contrário de feito, desmontado é o antónimo de montado e desencravado opõe-se a encravado. Então, desinquieto é o contrário de inquieto, ou seja, é equivalente a quieto… Certo?
Errado! Aqui, “a lógica é uma batata”! Há uma redundância em desinquieto. O prefixo  des- é neutro, perdendo o seu sentido habitual de negação.
Transcrevo, com a devida vénia, um excelente “post” do blogue http://linguamodadoisec.blogspot.pt, publicado em abril de 2011:
Afinal, o que é ser "desinquieto"?
Curioso, como escolhemos suprimir uns prefixos - como em (com)portar-se - e acrescentar outros a certas palavras que deles não precisam.
É com relativa frequência que ouvimos alguém dizer que determinada criança é "desinquieta", quando, na realidade, inquieta seria o termo adequado. Para quê o des-?
Para dar mais ênfase à ideia de que se trata do oposto de quieto? Talvez. Mas acontece que o segundo prefixo, logicamente, anula o significado do primeiro (in-), que já exprimia a ideia de contrariedade. Então as pessoas que escolhem a versão aparentemente "reforçada" do adjectivo, "desinquieto", estão afinal a dizer o contrário daquilo que pretendem, pois desinquieto seria, no fim de contas, o mesmo que quieto!
Todavia, resta dizer que esta aparente redundância, que afinal é um contra-senso, tem sido tão usada (pelo menos num registo de língua familiar/popular), que a palavra "desinquieto" até já foi consagrada pelos dicionaristas, que descrevem o seu significado como "o mesmo que inquieto".
Não é que o povo é mesmo quem mais ordena?!”

CONCLUSÃO:
Tanto em Portugal como no Brasil, inquieto e desinquieto são termos sinónimos!

Sem inquietudes, despeço-me com votos de bom fim de semana!
AP

 

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