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Chegou-me ao email o documento sobre a Avaliação de Professores “Questões e
Respostas” do DGAE (departamento do Ministério da Educação de Portugal). O objetivo dos seus
autores seria escrever o documento segundo as regras do Novo Acordo
Ortográfico.
Para além do “arcaísmo”
auto-avaliação, que perdeu o hífen, destaco o uso repetido de seção/seções
(nas perguntas 19, 22 e 25). Falha surpreendente e quase imperdoável,
considerando que é cometida por quem deveria ser um modelo na aplicação de
regras…
Trata-se de uma aplicação incorreta do
ponto 1. c) da Base IV do NAO: “Conservam-se ou
eliminam-se facultativamente, quando se proferem numa pronúncia culta, quer
geral, quer restritamente, ou então quando oscilam entre a prolação e o
emudecimento”. Em secção, o c
é inequivocamente pronunciado. Consultando os dicionários portugueses e o Vocabulário do Portal da Língua Portuguesa, lá está, preto no branco: secçãoàPortugal e seçãoàBrasil. Na grafia desta palavra não houve nenhuma alteração, mantendo-se o que estava em vigor desde 1943 (Brasil) e 1945 (Portugal).
A mesma situação se passa, por exemplo, com as palavras aspeto
e aspecto; dicção e dição; facto e fato;
corrupto
e corruto, em que há dupla grafia
para o Brasil, mas apenas uma para Portugal (assinalada a azul).
CONCLUSÕES:
Portugal
(norma luso-afro-asiática)
secção
Brasil (norma brasileira)
seção e secção
Nota: Embora
seção pareça ser mais comum, segundo
os dicionários e o Vocabulário da Academia Brasileira de Letras, é
igualmente correta a escolha de secção.
Abraço.
AP