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sábado, 5 de janeiro de 2019

Publicações da Cofina aderem ao novo Acordo Ortográfico!


Publicações da Cofina aderem ao novo Acordo Ortográfico
'Jornal de Negócios', 'Sábado', 'TV Guia' e 'Máxima' vão adotar ortografia acordada em 1990.

Por Ana Maria Ribeiro - Correio da Manhã

As publicações do grupo Cofina que ainda não adotaram o novo Acordo Ortográfico – ‘Jornal de Negócios’, ‘Sábado’, ‘TV Guia’ e ‘Máxima’ – vão fazê-lo a partir do início de 2019, harmonizando assim a grafia usada em todos os meios do grupo, seja nas edições impressas, seja online.

Segundo André Veríssimo, diretor do ‘Jornal de Negócios’, no próximo ano assinalam-se "os dez anos desde a entrada em vigor do Acordo Ortográfico de 1990, e embora as alterações que introduz sejam ainda hoje motivo de controvérsia, é inegável que a sua aceitação está estabilizada e é irreversível".

André Veríssimo recorda que "as novas regras de ortografia foram introduzidas nas escolas no ano letivo 2011/2012, mantendo-se desde então", o que ajudou a sedimentá-las no uso corrente da língua portuguesa.

Em Portugal, o segundo protocolo do Acordo Ortográfico, cuja ratificação era essencial para a sua entrada em vigor, foi aprovado no Parlamento em maio e promulgado pelo então Presidente da República Aníbal Cavaco Silva em julho de 2008.

No dia 19 de março do ano seguinte, data em que o Correio da Manhã assinalava o seu 30º aniversário, o diretor da publicação, Octávio Ribeiro, anunciou no editorial que "nos próximos dias, alguns dos espaços de crónica do nosso jornal e das revistas do CM passam a ser escritos de acordo com as novas regras ortográficas". Uma prática que se estendeu ao restante conteúdo do jornal, assim que os leitores se habituaram à grafia.

In https://www.sabado.pt/ultima-hora/detalhe/publicacoes-da-cofina-aderem-ao-novo-acordo-ortografico

terça-feira, 29 de maio de 2018

2 500 000!


Com mais de 500 artigos publicados, o blogue atingiu hoje um número de visitantes que me enche de vontade de continuar a partilhar o trabalho e reflexões centrados no Novo Acordo Ortográfico: 2 500 000!

Vindos de 184 países, destacam-se os internautas deste top 15:
1.       Brasil
2.       Portugal
3.       Estados Unidos
4.       Angola
5.       Reino Unido
6.       Espanha
7.       França
8.       Moçambique
9.       Alemanha
10.   Japão
11.   Cabo Verde
12.   Bélgica
13.   Suíça
14.   Canadá
15.   Itália

A todos, o meu obrigado e voltem sempre!
ProfAP

domingo, 4 de março de 2018

No Algarve houve mesmo um MINI-TORNADO?



Uma língua que tem o hífen no ADN garante-nos emoções fortes! Os prefixos (no caso de hoje, falso prefixo) são a casca de banana à espera de um pezinho a ser posto em falso… Foi o aconteceu há pouco com a TVI numa reportagem sobre a tempestade que se abateu sobre o Algarve.
Neste caso, não podemos culpar o AO90, pois a regra data de… 1945!
O que se deu no Algarve: um "mini-tornado" ou um "minitornado"?
Sistematizemos:
AO90
MINITORNADO


Aplica-se a regra geral que determina que nas formações por prefixação, há hífen:
a) Se a letra final do prefixo (ou falso prefixo) for igual à que inicia o segundo elemento;
b) Antes de h.
AO45
MINITORNADO


A par de outros, o elemento MINI não consta do texto do AO45, o que deu origem a interpretações díspares:
a) Para uns, havia hífen de vogal ou h;
b) Outros entendiam que só se colocava hífen antes de h;
c) Segundo o nosso grande Rebelo Gonçalves (filólogo e lexicógrafo), qualquer prefixo (ou falso prefixo) não mencionado no texto do AO45 não podia, em nenhuma circunstância, ser seguido de hífen. Era a razão por que se escrevia, por exemplo, “micro-ondas”, “metaistória” e “megaassembleia”. Ver Tratado de Ortografia da Língua Portuguesa (1947).

Abraço e boa semana para todos!
ProfAP

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Norte de Portugal OU norte de Portugal?

Destak (19.02.2018)

Segundo o AO90, a regra geral, como já acontecia, é escrever os pontos cardeais e colaterais com minúscula. No entanto, deve ser usada maiúscula quando forem empregados “absolutamente”, ou seja, sem complemento. Assim, no artigo do Destak (que adotou o AO90), “Turismo do Norte” está certo, mas deveria estar escrito, logo a seguir, “norte de Portugal”, pois a designação do ponto cardeal é seguida de complemento.
Complicado? Sem dúvida! 
Não encontro qualquer vantagem na alteração introduzida. Antes, a maiúscula era usada para designar regiões (por contraponto com direções), o que, não sendo simples, era mais claro.

Comparemos:
AO90
Base XIX

A letra maiúscula inicial é usada (…) Nos pontos cardeais ou equivalentes, quando empregados absolutamente: Nordeste, por nordeste do Brasil, Norte, por norte de Portugal, Meio-Dia, pelo sul da França ou de outros países, Ocidente, por ocidente europeu, Oriente, por oriente asiático.
AO45
Base 41


Os nomes dos pontos cardeais e dos pontos colaterais, que geralmente se escrevem com minúscula inicial, recebem, por excepção, a maiúscula, quando designam regiões: o Norte do Brasil; os mares do Sul; os povos do Oriente; as terras do Levante; o Ocidente europeu; o Noroeste africano; a linguagem do Nordeste.
Nota: Como já acontecia, as abreviaturas dos pontos cardeais/colaterais escrevem-se com maiúscula: N, S, NE, etc.

Abraço e não percam o norte! (com minúscula...)
ProfAP

domingo, 7 de maio de 2017

A MÃE é sempre a mesma!

Origem da palavra mãe
“de matrem, caso acusativo do latim mater, pronunciado madre no português dos primeiros séculos, de onde veio comadre, pela formação cum matre, com a mãe; depois commatre, segunda mãe, madrinha, diminutivo de madre, em relação aos afilhados, isto é, aqueles que são tratados como filhos verdadeiros por quem cumpre a função da maternidade, como fazem a madrinha e a mãe adotiva, na falta da mãe biológica. Os étimos mata, em sânscrito; máter, em grego dórico; méter, no grego jônico e no ático; e as formas latinas mamma, seio, e mammare, mamar, revelam possível influência na sílaba inicial das palavras que designam a mãe em vários idiomas.”

A propósito da palavra mãe, há uns anos, dizia José Saramago acerca das reformas ortográficas:
«Aprendi a escrever mãe com "e", depois veio uma reforma e tive de aprender a escrever com "i" no final, veio mais outra reforma e voltou a ser com "e" no final. E com essas mudanças, a mãe, posso garantir-vos, era sempre a mesma. E agora, se mudarem de novo, ela só não é mais a mesma porque já morreu.»

Um abraço caloroso para todas as mães

ProfAP

sábado, 22 de abril de 2017

Na esteira de um parecer sobre o Acordo Ortográfico



Um artigo interessante que permite compreender melhor a posição de Angola em relação ao Novo Acordo Ortográfico.


Na esteira de um parecer sobre o Acordo Ortográfico

Filipe Zau |*  15 de Abril, 2017 (Jornal de Angola)

O acordo ortográfico é uma convenção pela qual se devem reger os utilizadores de uma língua, seguindo, em cada país, a lei oficial estabelecida para a escrita desse mesmo idioma que, como todos os outros, não tem proprietário. O dono de qualquer língua é apenas o usuário da mesma.

Uma auscultação interna levada a cabo, em 2008, por uma Oficina de Trabalho realizada em Luanda, chegou à conclusão de que o Acordo Ortográfico de 1990 (AO90) apresenta aspectos positivos (simplificações e correcções em relação ao Acordo Ortográfico de 1945), mas também constrangimentos e situações aporéticas.
Dentre os constrangimentos destacam-se: a perspectiva utópica para a existência de uma única grafia para a Língua Portuguesa; o elevado número de excepções à regra; a falta de consenso para a elaboração de um Vocabulário Ortográfico Comum (VOC) e o elevado número de palavras com dupla grafia.
As aporias são aspectos que, cientificamente, não são explicados ou não são verificáveis. Após terem já sido apresentadas as primeiras quatro Bases do AO90, iremos comentar a próxima Base, de acordo com o Parecer Oficial de Angola sobre este mesmo assunto.
A Base V ao integrar referências à etimologia acaba por reconhecer a sua importância no plano ortográfico, o que não deixa de ser um aspecto positivo, mas torna-se incoerente relativamente à Base IV. A reorganização em dois grandes segmentos (emprego e contextos de uso) é outro dos aspectos positivos, já que no Acordo de 1945 aparecia disperso por vários grupos.
Torna-se, no entanto, necessário ponderar o facto de a Base V se referir à origem latina das palavras, mas ser omissa em relação às palavras de origens bantu e malaio-polinésias em uso na Língua Portuguesa, já que a língua é de todos. Para não ser exaustivo, de uma longa lista, passo a referir-me apenas a alguns vocábulos de origem no kimbundu. Mas há também apropriações de outras línguas africanas:
- “Andas” de “uanda”, que é uma tipoia presa a duas varas longas, e que se conduz apoiada aos ombros no transporte de pessoas ou cargas pesadas;
- “Banjo”: de “mbanza” (assim registado em 1894 pelo folclorista e filólogo americano Heli Chatelain em Folk-Tales of Angola), instrumento musical, desde pelo menos meados do século XVI, conhecido em Portugal pelo nome de banza e que aparece na xilogravura que ilustra a capa do folheto do “Auto da Natural Invenção” de Ribeiro do Chiado, anterior a 1549;
- “Bunda”: nádegas, de “mbunda”;
- “Cabaço”: no sentido popular de virgindade, hímen, de “kabasu”;
- “Cachimbo”: de “kixima”, escavação aberta numa superfície formando um oco ou buraco e que deu origem ao verbo cachimbar.
- “Cambada”: de dikamba, amigo, parceiro, camarada;
- “Careca”: de “makorica”, calvície;
- “Carimbar”, “carimbo”: palavras classificadas, em 1873, pelo bispo D. Francisco de São Luís, no seu glossário, citado como “vocábulos muito modernamente introduzidos na nossa língua em papéis do governo, para significar a marca pública que se punha ou se põe na moeda papel, ou na metálica, de “kirimbu”, marca, donde formão os povos [os povos de Angola] as vozes verbais “kuta-kirimbu” e “kubaka-kirimbu”, marcar;
- “Cochilar”: de “kochila”, dormitar, o que originou também “cochilo”, modorra, da forma “acucochila”;
- “Dengue”: de “ndengue”, o mais novo, criança, o que motivou o emprego do mesmo nome, por extensão, em Portugal, aos grados e carinhos com que as escravas procuravam acalmar as crianças choronas;
- “Encafuado”: metido em lugar ermo e escuro, de “ka-nfundu”, moradia em lugar distante e ermo;
- “Minhoca”: de “nhoca”, cobra, tendo aglutinado o prefixo locativo um, em dentro de, o que configura a ideia de anelídeo encontrado no interior da terra…
Segundo o investigador brasileiro Luís Ramos Tinhorão, na sua obra “Os Negros em Portugal; uma presença silenciosa”, terá sido o bispo do Reservatório de Coimbra e conde de Arganil, D. Francisco de São Luiz, posteriormente, Cardeal Saraiva que, em 1837, editou pela Tipografia da Academia Real das Ciências de Lisboa o “Glossário de Vocábulos Portugueses Derivados das Língua Orientais e Africanas, excepto Árabe”. Este levantamento inicial de D. Francisco de São Luiz revelava a existência de um total de vinte e sete vocábulos de origem africana de uso corrente em Portugal. No entanto, palavras como, por exemplo, “azagaia”, embora de origem africana (neste caso berbere), não constam deste glossário.
A continuação das pesquisas, principalmente no Brasil, descortinou a existência de mais de trezentas e cinquenta palavras de origem africana, sendo algumas delas também usadas em Portugal. Após o levantamento de D. Francisco de São Luiz, ocorreram outros estudos que permitiram triplicar a primeira lista dos vocábulos portugueses de origem africana, dada a contribuição de investigadores e africanistas como:
- A. J. de Macedo Soares, em 1880, “Sobre as Palavras Africanas Introduzidas no Português do Brasil”;
- Nelson de Senna, em 1921, “Africanismos no Brasil e Africanos no Brasil”, em 1938, do mesmo autor;
- Jacques Raimundo, em 1933, “O Elemento Afro-Negro no Português do Brasil”; Sousa Carneiro, em 1937, “Mitos Africanos no Brasil (glossário)”;
- Dante de Laytano, em 1936, “Os Africanismos do Dialecto Gaúcho (glossário)”;
- Aires da Mata Machado Filho, de 1944, “O Negro e o garimpo em Minas Gerais (glossário)”.
Na realidade, os vocábulos portugueses originários de termos africanos foram ignorados pelo AO90. Por estes e demais aspectos ainda a considerar, há preocupações que impedem o Estado angolano de ratificar o AO90 sem que se operem as rectificações que se fazem necessárias.
Do ponto de vista educativo, há a dificuldade de se proceder à capacitação de professores e estudantes para aspectos do AO90 que, cientificamente, não são suficientemente consistentes. Do ponto de vista económico mudar, após a reforma educativa, manuais escolares com pouco tempo de duração implicaria num esforço financeiro acrescido com sérios prejuizos para outras necessidades, bem mais urgentes, do sistema educativo.


* Ph. D em Ciências da Educação e Mestre em Relações Interculturais

domingo, 16 de abril de 2017

Como escrever: "páscoa" ou "Páscoa"?


Dizia-me há dias um amigo que, com “estas coisas” do Acordo Ortográfico, já não sabia quando usar as maiúsculas. E dava como exemplo a palavra PÁSCOA.
Como o AO90 não alterou a regra que determina que os nomes que designam festas ou festividades são escritos com inicial maiúscula, não há qualquer dúvida.

RESPOSTA:
Como acontece com Carnaval ou Natal, devemos escrever Páscoa!
Obs.: Embora haja oscilação (até no Ciberdúvidas) entre “domingo de Páscoa” e “Domingo de Páscoa”, considerando que, no seu conjunto, a expressão designa uma celebração festiva, parece-me ajustado escrever Domingo de Páscoa. Claro que, no uso comum, a palavra domingo deve ser grafada com minúscula, regra que vem do AO45.

Abraço e bom final de Domingo de Páscoa!

ProfAP