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domingo, 6 de julho de 2014

1 000 000 de visitas no blogue!


Obrigado a todos os internautas que contribuíram para que este blogue atingisse hoje um milhão de entradas, vindas de 162 países!
Top 10:
1º Brasil
2º Portugal
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4º Angola
5º Reino Unido
6º França
7º Espanha
8º Alemanha
9º Bélgica
10º Moçambique

Abraço recheado de tortas de Azeitão bem regadas com vinho moscatel, que também é de Azeitão e não de Setúbal como costuma dizer-se!
AP
Imagem encontrada AQUI.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

De volta ao equador - 1


Depois da experiência de voluntariado entre março e abril no sul de S. Tomé e Príncipe, (re)parto amanhã com a minha mais-que-tudo para uma semana de lazer e aprofundamento de conhecimentos sobre este pequeno país. Um dos dias será reservado para voltar a Porto Alegre e Malanza e rever professores, formandos e os meus amigos Leigos para o Desenvolvimento.
Depois de ter adquirido um dicionário com o montante obtido na venda de doces e legumes bio cá da horta, contactei o Departamento Internacional da Porto Editora, solicitando ajuda para ajudar o Centro de Recursos Educativos da escola de Porto Alegre. Recebi uma resposta simpática de adesão ao projeto e, 48 horas mais tarde, tinha em casa dicionários de português, francês e de verbos. Aqui fica o meu agradecimento público pelo gesto solidário da PE!
Como já tinha obtido uma autorização especial da Air S. Tomé para alargar o limite de peso da bagagem, está tudo a postos para a partida amanhã de madrugada. E ainda me sobrou algum peso para levar aos amigos Leigos uns miminhos para amenizar a dureza das condições em que trabalham: vinho tinto aqui da região, azeite, queijo, presunto, cerejas, feijão-verde e tomates cá da horta e mais alguma coisa que me ocorra e não necessite de refrigeração, pois não têm energia elétrica nem frigorífico.
Dentro da medida do possível, irei dando notícias das belezas naturais e das gentes das terras do equador!
Abraço.
António

domingo, 1 de junho de 2014

Voluntário em S. Tomé 13: Leigos para o Desenvolvimento - APRESENTAÇÃO

Tive a honra de tirar a foto oficial de 2013-14 dos Leigos em S. Tomé! 
Da esquerda: Francisco, Patrícia, Natacha, Nuno, Andreia e Catarina.

Concluída a formação na Fundação Calouste Gulbenkian, no âmbito do recém-criado “Mais Valia”, e tendo  entrado na bolsa de voluntários do projeto, parti para S. Tomé e Príncipe, onde fui integrado numa missão dos Leigos para o Desenvolvimento, organização que conhecia muito superficialmente. Com as informações que recolhi no terreno, escrevi o artigo que agora partilho.

A. Leigos para o Desenvolvimento – radiografia de uma ONGD portuguesa
Envolvimento, Desenvolvimento Responsável, Cooperação, Sustentabilidade
Os Leigos para o Desenvolvimento são uma associação sem fins lucrativos, reconhecida oficialmente como uma Organização Não Governamental de Cooperação para o Desenvolvimento (ONGD), criada a 11 de abril de 1986.
É uma associação católica e uma obra de inspiração Inaciana, fundada por um grupo de jovens leigos e pelo padre António Vaz Pinto.
Atualmente com projetos em Angola, Moçambique, Portugal e S. Tomé e Príncipe, os Leigos para o Desenvolvimento atuam nas áreas da Educação e Formação (formal, não formal e informal) e na Dinamização e Organização Comunitária, Empreendedorismo e Empregabilidade, Capacitação de Agentes Locais, Promoção do Voluntariado e Pastoral.
Baseada em princípios metodológicos de investigação-ação, associados ao desenvolvimento local e participativo, a atuação dos Leigos para o Desenvolvimento concretiza-se através de jovens voluntários que permanecem no terreno pelo período mínimo de um ano, privilegiando a relação, o conhecimento local e a simplicidade de meios, sendo assim criada a possibilidade do desenvolvimento integral e integrado de pessoas e comunidades.
Para além do tempo de missão, dos projetos e serviços desenvolvidos a associação é para os seus voluntários, uma “escola” de vivência intercultural, de respeito e valorização das diferentes culturas e de participação cívica.
Fonte privilegiada: www.leigos.org

B. Leigos para o Desenvolvimento no terreno – S. Tomé e Príncipe
1. Missão de Porto Alegre (onde estive a trabalhar)
Identificação
Formação
O que está a fazer
Andreia
26 anos
É de Oeiras
É o 2º ano que está em missão, depois de um 1º ano em Benguela
. Licenciatura em Estudos Africanos
.Mestrado em
Desenvolvimento e
Cooperação Internacional
.Acompanha dois grupos de mulheres (um trabalha na produção farinha de mandioca; o outro, na secagem de banana), visando a sua autonomia e autossustentabilidade.
.Está na formação profissional.
.Dá catequese com uma catequista local.
Pode ler o testemunho da Andreia AQUI.
Nuno
31 anos
É do Porto
Licenciatura em Engenharia do Ambiente
.Pós-graduação em Gestão Ambiental e Ordenamento do Território
.Acompanha a formação de professores em contexto (ao longo do ano letivo) e trabalha com o diretor da Escola de Porto Alegre.
.Orienta formação: de monitores de atividades de ocupação de tempos livres; em informática.
.Faz o acompanhamento da equipa do centro de recursos educativos (CRE).
.Dá catequese
Pode ler o testemunho do Nuno AQUI.
Francisco
37 anos
É do Porto
.Licenciatura em História, sendo oficial de justiça
Nota: Sendo o menos jovem dos LD em missão em S. Tomé, o Francisco tem a alcunha de “o avô”. Quando cheguei à missão, passei a ser o “bisa” (de bisavô)…
.É moderador do Grupo Comunitário que reúne várias entidades e grupos da comunidade (tarefa ciclópica!).
. Preside à “celebração da palavra”. Um ato em tudo idêntico à missa, mas onde não há oração eucarística (não há consagração eucarística presidida pelo sacerdote). Este ato é o recurso celebrativo na ausência de padre e é muito importante para a celebração comunitária da fé.
Patrícia
31 anos
Ílhavo (Aveiro)
Está pelo 2º ano na missão de Porto Alegre
.Licenciatura em Biologia
.Mestrado em Ecologia, Biodiversidade e Gestão de Ecossistemas
.Trabalha na área da biologia e investigação
.Acompanha a gestão da creche e intervém na área da pedagogia dos funcionários e educadoras de Porto Alegre e Vila Malanza, sendo responsável pela coordenação da construção e abertura da nova creche de Vila Malanza.
.Faz a gestão financeira dos Leigos para o Desenvolvimento em S. Tomé e Príncipe.
.Coordena o trabalho do coro da igreja das comunidades católicas.
Pode ler o testemunho da Patrícia AQUI.

Missão de S. Tomé (capital)
Identificação
Formação
O que está a fazer
Catarina
25 anos
É de Rabo de Peixe (S. Miguel, Açores)
É o 2º ano que está em missão, depois de um 1º ano em Porto Alegre
.Licenciatura em Psicologia
.Mestrado em Educação
.Está no lançamento da coesão social (no bairro da Boa Morte).
.Trabalha no empreendedorismo: levantamento de hipóteses no terreno de acompanhamento de negócios já estabelecidos.
. É a Representante dos Leigos para o Desenvolvimento em S. Tomé e Príncipe.
. Acompanha um grupo de catequese no Bairro da Boa Morte
Pode ler o testemunho da Catarina AQUI.
Natacha
30 anos
É do Porto
.Licenciatura em Farmácia
.Trabalha numa farmácia
.Trabalha com a escola do bairro da Boa Morte e com a respetiva diretora.
.Intervém na formação de jovens e no apoio e na ocupação de tempos livres de crianças.
. Acompanha um grupo de pastoral juvenil no Bairro da Boa Morte
Pode ler o testemunho da Natacha AQUI.

C. Conclusão:
Com um clima que não mata mas mói, à luz da vela e sem frigorífico, com escassez de recursos (a água para beber é fervida todos os dias num panelão…), não é fácil a vida dos membros da missão de Porto Alegre. No entanto, o que mais impressiona é a forma generosa e pedagógica como cada um destes jovens se entrega às suas tarefas e a visível alegria que daí resulta. O que é importante ali não são as ambições ou os projetos individuais. O que conta mesmo é estar disponível para trabalhar para e com o próximo.
Conhecer este grupo de pessoas e estar a viver com elas durante um mês foi um privilégio, uma lição! Comparado com o que recebi, o que dei no meu trabalho de voluntário foi muito pouco. Resta-me a esperança de ter sido uma gota no oceano, pois, nas palavras da Madre Teresa de Calcutá, “Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota.
Ajudar os Leigos para o Desenvolvimento é ajudar a ajudar. Saiba o que pode fazer em http://leigos.org.

Abraço a todos, mas com especial carinho para os meus amigos Leigos!
António

segunda-feira, 5 de maio de 2014

SUPER-MÃE ou SUPERMÃE?


Hoje, nas notícias das 13h, na TVI (canal da televisão portuguesa), foi passada uma interessante reportagem intitulada “SUPER-MÃE”. Estava lançado mais um desafio para esta verdadeira maldição da língua portuguesa: a hifenação!
Afinal, como devemos escrever: super-mãe ou supermãe?
Uma viagem ao interior do Formulário de 1943 (Brasil) e do Acordo de 1945 (Portugal) dá-nos informações específicas sobre este prefixo. Lá está, preto no branco, que nos compostos formados com os prefixos hiper, inter e super, só há hífen quando o segundo elemento começa por h ou r.
Assim, fica claro que só há uma grafia correta: supermãe.
Como no AO90 a regra geral de hifenização determina que apenas há hífen quando o segundo começa por h ou letra igual àquela com que termina o prefixo, as supermães de há 70 anos continuam a ser… supermães!

CONCLUSÃO:
1943 (Brasil) e 1945 (Portugal)
AO 90 (Portugal e Brasil)
SUPERMÃE
SUPERMÃE

Abraço para todos, sobretudo para as mães e supermães!
AP

domingo, 4 de maio de 2014

Voluntário em S. Tomé 12: dar ou não dar doces às crianças...

Ponta Baleia, junto ao porto de embarque para o Ilhéu das Rolas, onde poderá ter crianças à espera...

Ao chegar a S. Tomé, invariavelmente, o turista é cercado por “bandos” de crianças com o discurso na ponta da língua: “Doce, doce, doce!” Não obtendo o doce pretendido, pedem lápis, borrachas ou cadernos…
Encontrei em fóruns sobre viagens o conselho de levar, na bagagem para S. Tomé, rebuçados, lápis, canetas, cadernos, t-shirts, etc., porque "os meninos são muito necessitados" e vão dar em troca sorrisos de derreter o coração. Há agências de viagens que dão o mesmo conselho…
Esta semana, a revista Visão traz um belíssimo artigo sobre a ilha do Príncipe. Transcrevo alguns extratos sobre esta prática de dar coisas às crianças.

TURISMO RESPONSÁVEL
Não se compram sorrisos com doces
O Príncipe pode ser ainda um pedaço intocado de paraíso, mas só assim poderá permanecer se os turistas que o visitarem tiverem uma atitude responsável perante a natureza e as suas gentes. Até porque, muitas vezes, na ânsia de quererem o bem, os visitantes acabam por trazer e fazer o mal.
É o que sucede quando as pessoas oferecem doces às crianças, só na ânsia de as verem sorrir, e pensando que lhes estão a proporcionar momentos de felicidade”, diz Diana Relego, 31 anos, coordenadora de marketing da HBD. “A verdade é que, com esse comportamento, apenas estão a habituá-las a mendigar, como se isso fosse a resolução dos seus problemas. Ainda por cima, com a agravante, no caso dos doces, de o fazerem num país sem oferta de saúde dentária.” (…)
É normal que as pessoas tenham o impulso de ajudar. Mas se tiverem algo para dar, é melhor que o entreguem às instituições que trabalham no território.” (…)
As crianças sorriem por simpatia natural, não à espera de recompensa. É bom que assim permaneçam.

A posição dos Leigos para o Desenvolvimento (com quem estive alojado e a trabalhar na minha missão de voluntariado) é coincidente com que acabo de transcrever: NÃO AO ESTÍMULO DA MÃO ESTENDIDA!
Quando cheguei, no primeiro dia em Malanza e Porto Alegre, as crianças chamavam-me branco e pediam-me doces. Respondia-lhes que o meu nome era António, era o professor de Francês e que não tinha nem comia doces, por fazerem mal aos dentes. Nos restantes dias da missão, todos me chamavam António (alguns diziam-me "bonjour"!), vinham dar-me a mão e acompanhavam-me em parte do caminho. Quanto aos sorrisos, dei e recebi muitos todos os dias… isentos de açúcar!
Pode dar-se material escolar, mas acabará por estragar-se rapidamente sem cumprir a sua missão de apoio à aprendizagem. Como é sugerido no artigo da Visão, quem tiver coisas para dar deve contactar uma das instituições instaladas em S. Tomé. São cerca de 200 ONG ao dispor. 
Os Leigos para o Desenvolvimento têm duas equipas (uma na capital e a outra no Sul) e trabalham diretamente com as escolas. Se quer ajudar as crianças de S. Tomé, eles saberão aconselhá-lo. Pode escrever à Rita Marques: ldritamarques@gmail.com. Conheço-a e sei que não deixará de lhe responder.

Abraço.
AP
P.s.: Quem vai entregar a sua declaração de IRS este mês também pode ajudar os Leigos a ajudar. Como?
Preencheendo o Campo 901 do quadro 9 do anexo H com o número fiscal dos Leigos para o Desenvolvimento: CONTRIBUINTE NÚMERO – 501 917 705, apoiará os Leigos com 0,5% do seu imposto.
Destinando 0,5% do seu IRS para os Leigos para o Desenvolvimento não tem qualquer perda de benefícios (não paga mais, não recebe menos).

domingo, 27 de abril de 2014

CO-EXISTIR ou COEXISTIR?


Esta foi a dúvida que me apresentou, há alguns dias, uma colega professora.
Enquanto o Formulário Ortográfico de 1943 (Brasil) não faz qualquer referência ao prefixo co-,  a Base XXIX (artigo 9º) do AO45 (Portugal) determina que há hífen em “compostos formados com o prefixo co, quando este tem o sentido de «a par» e o segundo elemento tem vida autónoma: co-autor, co-dialecto, co-herdeiro, co-proprietário;
Como o verbo significa “existir juntamente” (ou seja, a par de) e há vida própria no segundo elemento (existir), esperar-se-ia uma grafia hifenizada: CO-EXISTIR. Mas não era isso que acontecia: escrevíamos COEXISTIR (do latim coexistĕre).
Com o AO90, introduzem-se alterações significativas na hifenização deste prefixo, mas a escrita desta palavra mantém-se: COEXISTIR.
A Base XVI do Novo Acordo Ortográfico estabelece que nas ”formações com o prefixo co-, este aglutina-se em geral com o segundo elemento mesmo quando iniciado por o: coobrigação, coocupante, coordenar, cooperação, cooperar, etc.”, havendo lugar a hífen apenas antes de h (co-herdeiro).

CONCLUSÃO:
PORTUGAL e BRASIL
ANTES
AGORA
coexistir
coexistir
Nota: Querendo aprofundar a simplificação, a Academia Brasileira de Letras decidiu que nunca deverá ser colocado hífen com o prefixo co-, mesmo antes de h. Se tivermos em conta que escrevíamos coabitação antes da aplicação do AO90, tem lógica o procedimento. No entanto, ao fazer tábua rasa do que está claramente determinado no texto do AO, a ABL deu um tiro significativo no objetivo de reduzir diferenças entre as normas brasileira e luso-afro-asiática. Foi uma espécie de “fogo amigo”...

Abraço.
AP
Imagem encontrada AQUI.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Voluntário em S. Tomé 11: aldeia de Malanza (geral)

A zona em que desenvolvi a minha missão abrange três comunidades de ação dos Leigos para o Desenvolvimento: Porto Alegre (mesmo ao fundo da ilha), Ponta Baleia (onde está o cais de embarque para o Ilhéu das Rolas) e Malanza (onde fiquei instalado com os Leigos). Fiz em Malanza o vídeo e imagens a seguir apresentados.

Debaixo da ponte, o rio, usado e partilhado com os animais. Em cima, a estrada nacional nº 2 (há duas em S. Tomé), verdadeiro passeio público da aldeia...

Casa dos Leigos (vista do mar), única construção de alvenaria da aldeia.

Casa de Trajano (o enfermeiro do pequeno posto médico), a mais espaçosa e moderna (excluindo a dos Leigos)

Casa em construção: palafita montada sobre pilares de cimento (também podem ser de madeira). Bem mais espaçosa do que a generalidade das habitações.

Abraço.
AP
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