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quarta-feira, 4 de maio de 2016

Há marcha-atrás no Acordo Ortográfico?


NOTA PRÉVIA:
Como diz o povo, “o que nasce torto tarde ou nunca se endireita”. O AO90 nasceu torto, cresceu torto e tarda em se endireitar! Quanto a Marcelo Rebelo de Sousa, o que disse foi que “se Moçambique e Angola decidirem não ratificar o Acordo Ortográfico, isso será uma oportunidade para repensar a matéria”. O que é repensar a matéria? Aguardemos, sobretudo porque o atual presidente não tem sido consistente nas opiniões que manifestado sobre o assunto. Veja, no texto abaixo transcrito, o extrato destacado a negrito e fluorescente.

Data da notícia: 3/5/2016
Fonte: Revista Visão online.

Há marcha-atrás no Acordo Ortográfico?

Moçambique é um dos países que ainda não ratificou o Acordo Ortográfico. De visita àquele país africano, Marcelo Rebelo de Sousa reacendeu o debate sobre o tema. Mas voltar atrás é mais complicado do que parece

Alguns defendem apenas alterações ao Acordo Ortográfico assinado em 1990, mas mudar as regras de escrita da língua Portuguesa poderá implicar um novo tratado. Pelo menos, assim o entende um dos críticos que mais tem trabalhado nas questões jurídicas associadas ao documento, Ivo Barroso: “Alterar o acordo é muito difícil. Para isso teria de haver um protocolo modificado. Na prática, uma alteração é um novo acordo, que obrigaria a iniciativa do Governo, discussão na Assembleia da República e ratificação pelo Presidente da República”.

terça-feira, 19 de abril de 2016

Malaca Casteleiro rejeita "fracasso" no Acordo Ortográfico!

"Neste momento, não se deve mexer no que está feito", defende o linguista

NOTAS PRÉVIAS:
1. Não se deve mexer no que está feito? O que está mal feito deve ser sempre rapidamente corrigido, sobretudo tendo em conta que o texto do AO90 parece ter sido escrito em cima do joelho e de forma pouco rigorosa.
2. Em relação à ratificação, falta Angola e Guiné-Bissau? Malaca Casteleiro tem de rever as suas notas, pois está equivocado. “Com exceção de Angola e de Moçambique, todos os restantes países da CPLP já ratificaram todos os documentos conducentes à aplicação desta reforma.” (Portal da Língua Portuguesa).
3. MC mostra-se confiante em que Macau virá a adotar o Acordo Ortográfico. Grande façanha num espaço em que o uso português quase limita a vestígios escritos (em placas ou prédios) que ninguém entende. Quando, ainda antes da transferência da administração para a China, lá estive, não me cruzei com ninguém que falasse a nossa língua.


O linguista Malaca Casteleiro rejeitou hoje qualquer "fracasso" relativamente ao Acordo Ortográfico, de que foi um dos principais impulsionadores, desvalorizou a demora na aplicação e defendeu que "não se deve mexer no que está feito".
"Não há aqui nenhum fracasso. Há naturalmente um tempo de implementação do acordo que exige, digamos, percursos diferentes para os diferentes países", afirmou, em declarações aos jornalistas, à margem da Conferência Internacional sobre Ensino e Aprendizagem de Português como Língua Estrangeira, que decorre na Universidade de Macau entre hoje e sábado.
"Neste momento, não se deve mexer no que está feito", sustentou.

O facto de o Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, ter escrito um artigo de opinião no jornal Expresso utilizando a antiga grafia foi interpretado, particularmente, pela corrente que contesta a reforma linguística, como um sinal de esperança relativamente a uma eventual reabertura do debate em torno de uma matéria que continua sem ser consensual.
"Se está em vias de aplicação em todos os países por que é que agora vamos rever, criar mais um empecilho para se conseguir a unificação ortográfica? É contraproducente. Do ponto de vista da política da língua não é conveniente", observou Malaca Casteleiro.
"O Presidente da República tem todo o direito de escrever como ele quiser como cidadão. Quando é Presidente da República tem de cumprir a lei. E, neste momento, o Acordo Ortográfico constitui lei em Portugal e, portanto, tem de ser aplicada -- só isso", afirmou.
Questionado sobre se voltaria atrás em algum aspeto do Acordo Ortográfico, Malaca Casteleiro respondeu que "pode haver algum aperfeiçoamento", contudo, "reservaria esse aperfeiçoamento para depois da sua implantação em todos os países de língua portuguesa".
Mas nem todos os membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) ratificaram o Acordo Ortográfico, subscrito nos anos 1990.
"Esse trabalho está a ser feito", vincou o especialista, recordando que "já só falta praticamente" Angola e Guiné-Bissau.
Malaca Casteleiro manifestou-se ainda confiante relativamente a uma eventual adoção do Acordo Ortográfico por parte de Macau, uma Região Administrativa Especial da China onde o português constitui uma das duas línguas oficiais pelo menos até 2049.
"Já temos discutido por várias vezes essa questão. Há de lá ir, a questão vai devagar. (...) O acordo vai chegar lá", observou Malaca Casteleiro, que colabora na elaboração de manuais de ensino do Português como língua estrangeira para aprendentes chineses com uma instituição de ensino superior de Macau que -- como enfatizou -- "estão conforme o Acordo Ortográfico".

sábado, 2 de abril de 2016

auto-estrada ou autoestrada?

Mais trabalhos de casa para os jornalistas de TVI, já!

Há pouco, no “Jornal da 8” da TVI, abri a boca de espanto pelas imagens do colapso do piso da A14 e logo a seguir por mais uma gafe na aplicação do Novo Acordo Ortográfico, sobretudo por se tratar de uma regra geral de hifenização que nada tem de complicado…
Auto-estrada” seria a grafia certa no jornal “Público” ou no canal de televisão do “Diário Económico”, uma vez que estes órgãos de comunicação continuam a seguir as regras de 1945, não aplicando o AO90. Tendo a TVI adotado as novas regras, aquele hífen é um intruso…

AO45 – BASE XXIX
AO90 – BASE XVI
Havia hífen com os elementos de origem grega auto, neo, proto e pseudo quando o 2.º elemento tinha vida à parte e começava por vogal, h, r ou s.
Logo, auto-estrada.
O falso prefixo auto está abrangido pela regra que determina que só há hífen quando o 2.º elemento começa por h (auto-hipnose, auto-hemoterapia) ou se a letra final do 1.º elemento for igual à inicial do 2.º elemento (auto-observação, auto-organização).
Logo, autoestrada.

Abraço.

ProfAP

quarta-feira, 30 de março de 2016

Mais uma vez, um “CONTATO”… mas SEM TATO!

Vi em Setúbal este cartaz... Além do vestuário, é urgente doar um "C" à Cáritas!

A forma como a BASE IV do AO90 está redigida contribui para aplicações disparatadas das regras com a eliminação a eito do da letra C: dição, fato, pato (!)…
Entrando nos sites das empresas portuguesas, tropeçamos com alguma frequência nos “CONTATOS”, grafia válida apenas para o Brasil.
Em caso de dúvida, o melhor mesmo é uma ida ao dicionário. É rápido, eficaz. Aconselho duas fontes online totalmente fiáveis: www.infopedia.pt (PORTUGAL) e http://www.academia.org.br/nossa-lingua/busca-no-vocabulario (BRASIL).

Abraço e manter-nos-emos em CONTACTO!
ProfAP

quinta-feira, 24 de março de 2016

MINI-SAIA, MINISSAIA ou... MINISAIA?

Hoje, na TVI, no programa da manhã, asneira da grossa!

Antes da aplicação do AO90, um dos prefixos (neste caso, falso prefixo) que mais dúvidas levantava era MINI. Não estando contemplado no AO45, havia quem entendesse que não deveria ser seguido de hífen.
Consultando dicionários da era AO45, encontramos predominantemente a grafia “mini-saia”. No entanto, o Grande Dicionário da Porto Editora já apresentava a forma “minissaia”.
Segundo o Novo Acordo Ortográfico, quando os prefixos (ou falsos prefixos) terminados em vogal forem seguidos de palavra iniciada por “r” ou “s”, duplicam-se essas letras. Logo, minissaia!
Quanto a “minisaia”, sempre foi e continua a ser um erro crasso…

CONCLUSÃO:
A grafia certa é MINISSAIA!

Sem hífenes, deixo um abraço apertado!

ProfAP

segunda-feira, 21 de março de 2016

AO90 em ANGOLA: talvez sim, assim-assim, logo se vê…

Rosa Cruz e Silva, ministra da Cultura de Angola, afirma que o país tem todo o interesse em ratificar o acordo ortográfico

Angola não autorizou Acordo Ortográfico “a nenhum nível governamental”

O Acordo Ortográfico não foi “autorizado a nenhum nível governamental” em Angola, mas Marisa Guião de Mendonça, diretora-executiva do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), assinala que o país ”está muito cooperante na criação do Vocabulário Ortográfico Comum”.
Em entrevista à agência Lusa, Marisa Mendonça afirmou que “o Acordo não foi ainda autorizado a nenhum nível governamental pelo Estado angolano”, o que se deverá ao facto de “Angola estar a pedir uma retificação do Acordo”, ou seja, a inclusão de alterações.
Para Angola, “o Acordo tem lacunas e é necessário retificá-las antes da implementação”, sendo que as mesmas estão relacionadas com a incorporação, no vocabulário, “daquilo que são empréstimos das línguas nacionais”, isto é, termos que fazem parte de outras línguas faladas no território.
Segundo a responsável do IILP, “as autoridades angolanas e a própria Comissão Nacional de Angola no IILP” – que tem representações nacionais de todos os estados-membros da CPLP – estão “a fazer o trabalho a nível nacional, no seu próprio contexto, para ver como poderão orientar da melhor forma o processo e chegar a um bom porto”.
Independentemente da não aprovação do Acordo pelo governo, Marisa Mendonça sublinhou que “Angola está muito cooperante na criação do Vocabulário Ortográfico Comum”, uma agregação de todos os vocabulários nacionais dos países aderentes ao Acordo.
“Angola foi, aliás, o país que mais apoiou financeiramente a criação da plataforma digital do Vocabulário, pelo que o país não está distanciado do Acordo Ortográfico, está apenas num estágio diferente”, afiançou a diretora-executiva do IILP.
A 7 de setembro de 2015, a ministra angolana da Cultura, Rosa Cruz e Silva, disse que Angola tinha todo o interesse em ratificar o acordo, mas não prescindia de uma abertura para as especificidades que caracterizam o português falado naquele país africano.

Num congresso sobre a língua portuguesa, realizado em Luanda na primavera passada, a ministra disse querer ver colocadas “ao mesmo nível” as línguas nacionais e a língua oficial, tendo em conta que a “diversidade linguística do país constitui a sua grande riqueza”.
O Português é a língua oficial em Angola, mas o país conta com seis línguas africanas reconhecidas como nacionais, algumas das quais acabaram por incorporar palavras e conceitos portugueses, como consequência da longa presença colonial lusa no território.
Data: 1/1/2016
Fonte: http://observador.pt

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

panafricano OU pan-africano?

Será o futuro mesmo "panafricano"?


Logo à saída do aeroporto de S. Tomé e Príncipe, entra-nos pelos olhos dentro este enorme cartaz. O país ratificou o AO90, mas não o aplica (nem em fase de transição está), parece que por falta de verbas. No entanto, como vamos ver, a grafia “panafricano” está errada e desrespeita tanto as regras do AO45 como as do AO90.
1. Segundo as regras de 1945, havia hífen com PAN quando o segundo elemento começava por vogal ou h. Logo, pan-africano.
2. Com o AO90, a regra alterou-se, havendo o uso de hífen antes de vogal, m, n ou h. Por exemplo, escrevia-se panmixia (estado de uma população em que os cruzamentos se fazem sem seleção), tendo passado a escrever-se pan-mixia, mas continuamos a escrever pan-africano.

CONCLUSÃO:
A grafia era e continua a ser PAN-AFRICANO!


Abraço.

ProfAP