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terça-feira, 22 de abril de 2014

Voluntário em S. Tomé: mais notícias a partir de amanhã...

A roça de Porto Alegre vista da janela da cozinha da casa dos Leigos em Malanza: uma das minhas paisagens preferidas…

Alguns amigos enviaram-me mensagens para o email, querendo saber se estava tudo bem comigo, uma vez que não voltei a publicar mensagens aqui desde o meu regresso no passado dia 11/4.
Estou bem, felizmente. Cheguei cansado e um pouco desidratado. Tive de pôr o sono em dia, regular o sistema gastrointestinal e (re)habituar-me ao clima europeu, tendo sentido imenso frio nos primeiros dias. Mais importante do que essas miudezas de cidadão voluntário para o mundo (lusófono) é o facto de a missão no terreno ter corrido bem. Dei tudo o que tinha e isso foi reconhecido com muito carinho.
A partir de amanhã, recomeçarei a publicar as informações que recolhi sobre S. Tomé com mais fotos.
Abraço a todos!
António Pereira
P.s. A minha mulher está a pressionar-me para irmos passar uma semana… a S. Tomé! Diz-me ela que assim posso levar mais alguns dicionários para a escola de Porto Alegre…

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Voluntário em S. Tomé: chuva na despedida...

 Com os alunos "profes" logo após a entrega dos diplomas...

 O mercado velho debaixo de chuva.

O gelado final na Gelidoxi...

Ontem, com um aperto no coração, disse adeus a Porto Alegre e a todos que tive oportunidade de conhecer durante a missão.
Hoje, literalmente, um dilúvio abateu-se sobre a cidade de S. Tomé. As torneiras do céu abriram-se no máximo ainda não eram 9h30 e assim permaneceram até às 16h00. Das partes altas da cidade desceram ribeiros em direção ao mar, deixando o trânsito (habitualmente caótico) infernal. Depois de um salta aqui, pula prà ali, para chegar ao mercado velho, fiquei ensopado (a chuva morna não deixa de me surpreender…) e nem sombra do sape-sape que queria levar para Lisboa. Ainda assim,  encontrei belas bananas-maçãs e caja-manga.
Antes de regressar à residência dos Leigos, ainda houve tempo para uma despedida dos gelados são-tomenses, na Gelidoxi, com dois novos sabores: caja-manga e um divinal tamarindo.
Amanhã de madrugada, Lisboa é o destino…
Abraço.

AP 

terça-feira, 8 de abril de 2014

Voluntário em S. Tomé: Quase cumprida a missão...

Foz do rio Malanza, quando o dia se atira abruptamente para os braços da noite...

Prato típico de S. Tomé: peixe-barriga-fumado (é mesmo esse o nome do peixe!) salgado com molho de legumes e a acompanhar fruta-pão assada na brasa...

Quase, quase... no fim da missão!
Feliz pelo feed-back recebido dos "alunos" e dos meus amigos Leigos e com o coração apertado pelas despedidas já feitas e as que se aproximam, parto amanhã para a capital e sexta de madrugada voo para Lisboa, onde devo chegar ao início da tarde. 
O momento de dizer adeus ao Sul terá lugar hoje à noite, após a soirée de petiscos são-tomenses que os profes da escola de Porto Alegre fizeram questão de preparar. 
Concluí há pouco, num intervalo, a leitura ávida de "Equador", de MST. Tanto o desfecho como o facto de ter chegado ao fim do livro deixaram-me alguma tristeza na alma. Não pude deixar de me identificar com a personagem central nesta passagem: "ele amava aquela ilha, o verde da mata, o azul do mar e o cinzento translúcido do nevoeiro que o envolviam, como se o protegessem nos seus braços de seiva, de sal, de névoa."
Abraço equatorial para todos!
António

P.s. Organizei com sucesso uma "dégustation" da minha nova compota em homenagem a S. Tomé: mamão com canela e chalela (designação dada aqui ao chá-príncipe).

sábado, 5 de abril de 2014

Voluntário em S.Tomé: o clima...

Num momento de pausa entre duas lições de francês, recebi a companhia de dois suínos que não resistiram ao verde da erva tenra do pátio da escola!
Parte dos meus alunos "profes", apanhados em momento de intensa concentração, que o professor-formador não é para brincadeiras!

É verdade que continuava a sofrer terrivelmente com o clima, mas aos poucos ia-se habituando e já só ensopava duas camisas por dia. O pior eram as noites onde, debaixo do obrigatório mosquiteiro, o calor se tornava ainda mais intenso e quieto.In Equador, pg. 164, de Miguel Sousa Tavares.
Com base no que foi a minha experiência da primeira semana, como outras passagens da obra (cuja empolgante leitura estou quase a concluir), esta pareceu-me exagerada…
As últimas noites mostaram-me que estava enganado. Se a temperatura não é excessiva, não sendo comum ultrapassar os 32 graus, a humidade abafada e estagnada é mesmo difícil de suportar. Numa noite, acordo às 4-5 horas da manhã e já não prego olho; na noite seguinte, o cansaço faz maravilhas e consigo dormir cerca de 7 horas. E o ciclo vai-se repetindo como as sezões…
No entanto, não me queixo. A experiência é novidade e vou guardá-la na memória e na pele. Quanto à roupa, tenho de lavar t-shirts e pijamas todos os dias. Estou especialista no uso do detergentes, sabão azul e branco e lixívia…
Abraço bem “tropicaliente”!

P.s. Iniciada em março, a estação das chuvas (mais quente), prolonga-se até meados de maio, seguindo-se a "gravana" (até setembro), a estação seca. Choverá muito menos, haverá menos sol e a temperatura baixará. Em contrapartida, muito do manto verde que cobre agora o solo vulcânico perder-se-á…
Nova estação de chuvas terá início em setembro até meados de dezembro, começando aí um período com menos chuva (a "gravanita", que vai até fevereiro).

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Voluntário em S. Tomé: pequenas coisas...


Perto do final da sessão de formação de professores, ontem, já noite dentro, entrou-me na sala esta beldade são-tomense. Ocupando quase metade da minha mão, a matulona aterrou mesmo à minha frente. Como ando sempre com máquina, clic… e aqui vos deixo a imagem!
Abraço!
António

P.s. Depois da prisão de ventre (que nunca tive antes), veio uma valente caganeira. Foi seguramente de uns caranguejos (e que saborosos estavam!) que comi a nadar em picante. Que era muito bom, que é o que um homem precisa para ter força (sobretudo “naquele sítio”). Pois, pois...

segunda-feira, 31 de março de 2014

Voluntário em S. Tomé: conhecer um pouco do Norte!

Os Leigos (uma ONG católica) reservam um dia por semana para descanso. O objetivo é recarregar baterias para uma nova semana de trabalho (intenso e desgastante) e reforçar o espírito de grupo. O dia habitual de descanso dos Leigos de S. Tomé - uma equipa na capital, outra no isolado Sul (onde estou) é a sexta-feira. Como trabalho entre 2ª e sábado, durante a minha presença, o dia de descanso passou a ser o domingo. 
Assim, hoje, foi dia de descontração. Partimos a meio da manhã com sandes, frutas exóticas e água na bagagem. No percurso, visita da roça Agostinho Neto, observação da FAUNA (os tecelões e uma ave que só tinha visto no National Geographic: a viúva, com uma longuíssima cauda negra que, como o cuco, coloca os seus ovos nos ninhos de outras espécies, sobretudo os bicos-de-lacre) e da FLORA (com destaque para os imponentes embondeiros) e paragem em três praias. No regresso à capital, ainda houve tempo para uma pausa refrescante na “Geli doxi”, onde tive oportunidade de experimentar um excelente gelado de sape-sape. Dia pleno de coisas novas e muita alegria com os meus amigos Leigos: o Nuno e o Francisco; a Andreia, a Patrícia, a Catarina e a Natacha. Amanhã, logo pela manhã, volto para o Sul para mais uma semana de formações e aulas de francês.
Quando voltar a ter acesso à net, darei mais notícias.
Um abraço caloroso como as águas deste mar imenso que me separa do pátrio retângulo à beira-mar plantado.
AP
P.s. Cozinhei o jantar para todos: arroz de repolho avinagrado (com uma espécie de tubérculo alaranjado designado aqui como açafrão. Consegui apurar que é o açafrão-da-terra, uma espécie de curcuma) com salsichas estufadas em azeite, cebola picada e mostarda. O repasto foi apreciado!

 O Ilhéu das Cabras (visto da praia de Micoló)

A magnífica praia “lagoa azul”. À esquerda, a molhar os pés na água morna, um embondeiro.

A múcua (fruto do embondeiro), com que se faz uma nutritiva bebida.

terça-feira, 25 de março de 2014

Voluntário em S. Tomé: tudo sobre rodas!

 O Nei (um novo amigo de origem cabo-verdiana) a sair do mar depois de uma pesca de mergulho. Peixes quase todos desconhecidos para mim…

Para tornar a vida dos meus amigos Leigos um pouco menos dura, fui para a cozinha e criei uma compota de mamão com sumo de limão e canela. Não é para me gabar, mas ficou mesmo no ponto ;)

O acesso à internet não é fácil, pelo que as notícias têm de ser espaçadas.
Apesar da ausência de dias frescos (temperatura à volta dos 30 graus, mas um tempo sempre abafado e húmido), a adaptação fez-se sem grande incómodo.
A formação segue a bom ritmo, abrangendo cerca de 50 pessoas (distribuídas por duas turmas de francês e uma de professores de vários níveis de ensino). As carências de materiais de apoio para as aulas são notórias: nem um gravador áudio. Dois ou três dicionários para toda a escola, caderno, manuais (em muito mau estado), quadro e giz.
No entanto, a vontade de tirar partido da formação é evidente e os professores (bastante jovens e com qualificações que, na maior parte dos casos, não ultrapassam o 11º ano) têm vontade de adquirir novas competências e introduzir inovações no processo de ensino-aprendizagem.
Abraço grande!
António ;)

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