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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

super Lua, super-lua ou superlua?

Em Azeitão, a Lua assumiu a forma de queijo... amanteigado!

Nos últimos dias, houve grafias para todos os gostos:
1.
As imagens da Super Lua pelo mundo
 
Revista VISÃO
2.
Veja agora a 'Super-Lua' em 30 segundos
Jornal CORREIO DA MANHÃ
3.
Dicas para fotografar a superlua de domingo
Sítio da RÁDIO RENASCENÇA

Quem tem razão?
Consultemos a Infopédia:
a) Na única entrada com super-, diz-se que é um elemento de formação de palavras, ou seja, não é uma palavra com vida autónoma;
b) Na entrada súper, há três sentidos:
-como advérbio, na linguagem coloquial, a significar “muito, bastante”;
-como adjetivo, designando a gasolina súper (redução de supercarburante);
-como nome, na forma reduzida de supermercado.

Conclui-se que em “Super Lua”, temos um prefixo e não uma palavra com vida própria. Assim sendo, teremos de aplicar as regras de hifenização.
O Formulário de 1943 (Brasil) e o Acordo de 1945 (Portugal) determinam que nos compostos formados com os prefixos hiper, inter e super, só há hífen quando o segundo elemento começa por h ou r.

Estaria legitimada a grafia “superlua”, não fosse um pormenor que faz toda a diferença…
Consagrando o que já era prática corrente, o AO90 diz-nos que o hífen é usado após prefixos e radicais de composição quando a palavra a que se juntam é um estrangeirismo, um nome próprio ou uma sigla: anti-apartheid, anti-Europa, mini-GPS.
O Correio da Manhã acertou quando escreveu super-Lua, pois, neste contexto, Lua é um nome próprio!

CONCLUSÃO:
1943 (Brasil) e 1945 (Portugal)
AO 90 (Portugal e Brasil)
SUPER-LUA
SUPER-LUA

Abraço para todos.
AP
P.s.: Há mais uma super-Lua no próximo dia 9 de setembro.

Vocabulário Ortográfico Comum aprovado na Cimeira de Díli!



Comentário: Enfim, mais vale tarde que nunca. Não há qualquer referência ao VON (Vocabulário Ortográfico Nacional) de Angola. Estarão os angolanos a pôr-se definitivamente fora de jogo? O que nasce torto...

"Terminou neste dia, em Díli, a X Conferência dos Chefes de Estado e de Governo (CCEG) da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), cuja declaração final, no seu ponto 11, relativo à ação cultural, promoção e difusão da língua portuguesa, refere as seguintes ações:
– a adoção do Plano de Ação de Lisboa, «com enfoque no português como língua de inovação e de conhecimento científico e na importância da Língua Portuguesa nas economias criativas, que define, juntamente com o Plano de Ação de Brasília, as estratégias globais para a promoção e difusão da língua portuguesa» (alínea vii);
– o reconhecimento e a recomendação oficiais do Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa (VOC) e dos Vocabulários Ortográficos Nacionais (VON) que o integram, bem como ainda do Portal do Professor de Português Língua Estrangeira/Língua Não Materna (PPPLE), que constituem recursos representativos de cinco Estados-membros e que ficam disponíveis no sítio do IILP [Instituto Internacional da Língua Portuguesa] na internet (alínea viii);
– a eleição da nova directora executiva do IILP, Marisa Guião de Mendonça, proposta pela República de Moçambique, para o biénio de 2014-2016 (alínea xi).
Observe-se que que, na referida conferência, a República de Cabo Verde formalizou a entrega do seu próprio VON (com cerca de 35 000 entradas), que assim se soma aos VON já disponíveis, a saber, os do Brasil, Moçambique, Portugal e Timor-Leste. Aguarda-se também o VON de São Tomé e Príncipe, o qual não foi possível ultimar a tempo desta conferência. É de notar que estão agora criadas as condições para a apresentação até final de 2014 da primeira versão oficial do VOC, que, além do léxico comum, vai ainda incorporar um módulo com toda a toponímia relevante na maioria dos países da CPLP e o mais vasto conjunto de formas não adaptadas (estrangeirismos e palavras das línguas maternas locais).
Assinale-se a declaração de apreço dirigida a Gilvan Müller de Oliveira, diretor executivo do IILP de 2010 a 2014, cuja ação foi determinante para o arranque e desenvolvimento de todos os projetos em referência. Para compreender o que tem sido a atuação do IILP nos últimos anos, leia-se na rubrica O Nosso Idioma um artigo que o linguista brasileiro Carlos Faraco publicou na Folha de S. Paulo, em 14/07/2014.
Ainda no âmbito do ponto 11 (alínea ix) da declaração final dos chefes de Estado e de Governo da CPLP reunidos em Díli, foi assinalada a importância do projeto de promoção e difusão da língua portuguesa no espaço da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (mais conhecida pela sua denominação em inglês, Southern Africa Development Community, ou abreviadamente SADC), de iniciativa angolana – «o que levará à [sua] execução  em Gaborone, na sede do Secretariado Executivo desta organização regional, em Pretória, na África do Sul, e em Windhoek, na Namíbia.»
Por último, registe-se que esta cimeira ficou marcada, no plano político, pela aprovação (polémica) da adesão da Guiné Equatorial como Estado-membro da CPLP."
In Ciberdúvidas (23.07.2014)

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Seção?! A VISÃO mete os pés pelas mãos...

 
Desta vez, a título mais informal, o site de notícias Huffington Post, na sua versão norte-americana, sugere aos leitores, na seção de viagens, uma caminhada até à Lagoa do Fogo, na ilha de São Miguel.

A par de fato (em vez de facto), o uso de seção (por secção) é uma das aplicações mais "criativas" do Novo Acordo Ortográfico que vamos encontrando. No caso de hoje, o espécime foi recolhido na Visão online de ontem.
Trata-se de uma aplicação incorreta do ponto 1. c) da Base IV do NAO: “Conservam-se ou eliminam-se facultativamente, quando se proferem numa pronúncia culta, quer geral, quer restritamente, ou então quando oscilam entre a prolação e o emudecimento”. Em secção, o c é inequivocamente pronunciado. Consultando os dicionários portugueses e o Vocabulário do Portal da Língua Portuguesa, lá está, preto no branco: secçãoàPortugal e seçãoàBrasil. Na grafia desta palavra não houve nenhuma alteração, mantendo-se o que estava em vigor desde 1943 (Brasil) e 1945 (Portugal).
A mesma situação se passa, por exemplo, com as palavras aspeto e aspecto; dicção e dição; corrupto e corruto, em que há dupla grafia para o Brasil, mas apenas uma para Portugal (assinalada a azul).

CONCLUSÕES:
PORTUGAL
secção
BRASIL 
seção e secção
Nota: Embora seção pareça ser mais comum, segundo os dicionários e o Vocabulário da Academia Brasileira de Letras, é igualmente correta a escolha de secção.

Abraço.
AP
P.s.: Mais importante do que o "c" a mais ou a menos é (re)visitar a Lagoa de Fogo e aquecer a alma...

domingo, 3 de agosto de 2014

auto sugestão, auto-sugestão ou autossugestão?


1. “Auto sugestão
Grafia errada, pois, neste caso, “auto” não tem vida própria.
 
NÃO
2. “Auto-sugestão
Tanto o FO43 como o AO45 estabeleciam que se usava hífen quando a seguir a “auto” vinha uma palavra começado por vogal, h, r ou s.
SIM, enquanto se mantiver o período de transição para o Novo Acordo Ortográfico.
3. “Autossugestão
Determina o AO90 a supressão do hífen quando “o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por r ou s, devendo estas consoantes duplicar-se, prática aliás já generalizada em palavras deste tipo pertencentes aos domínios científico e técnico.
SIM
Nota: Segundo o A90, só há hífen com AUTO quando o segundo começa por h ou letra igual àquela com que termina o prefixo. Exemplos: auto-hipnose, auto-observação. Mas: autoestima, autoavaliação.
CONCLUSÃO
PORTUGAL e BRASIL
autossugestão

Abraço.
AP
Imagem encontrada AQUI.

domingo, 6 de julho de 2014

1 000 000 de visitas no blogue!


Obrigado a todos os internautas que contribuíram para que este blogue atingisse hoje um milhão de entradas, vindas de 162 países!
Top 10:
1º Brasil
2º Portugal
3º Estados Unidos
4º Angola
5º Reino Unido
6º França
7º Espanha
8º Alemanha
9º Bélgica
10º Moçambique

Abraço recheado de tortas de Azeitão bem regadas com vinho moscatel, que também é de Azeitão e não de Setúbal como costuma dizer-se!
AP
Imagem encontrada AQUI.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

De volta ao equador - 1


Depois da experiência de voluntariado entre março e abril no sul de S. Tomé e Príncipe, (re)parto amanhã com a minha mais-que-tudo para uma semana de lazer e aprofundamento de conhecimentos sobre este pequeno país. Um dos dias será reservado para voltar a Porto Alegre e Malanza e rever professores, formandos e os meus amigos Leigos para o Desenvolvimento.
Depois de ter adquirido um dicionário com o montante obtido na venda de doces e legumes bio cá da horta, contactei o Departamento Internacional da Porto Editora, solicitando ajuda para ajudar o Centro de Recursos Educativos da escola de Porto Alegre. Recebi uma resposta simpática de adesão ao projeto e, 48 horas mais tarde, tinha em casa dicionários de português, francês e de verbos. Aqui fica o meu agradecimento público pelo gesto solidário da PE!
Como já tinha obtido uma autorização especial da Air S. Tomé para alargar o limite de peso da bagagem, está tudo a postos para a partida amanhã de madrugada. E ainda me sobrou algum peso para levar aos amigos Leigos uns miminhos para amenizar a dureza das condições em que trabalham: vinho tinto aqui da região, azeite, queijo, presunto, cerejas, feijão-verde e tomates cá da horta e mais alguma coisa que me ocorra e não necessite de refrigeração, pois não têm energia elétrica nem frigorífico.
Dentro da medida do possível, irei dando notícias das belezas naturais e das gentes das terras do equador!
Abraço.
António

domingo, 1 de junho de 2014

Voluntário em S. Tomé 13: Leigos para o Desenvolvimento - APRESENTAÇÃO

Tive a honra de tirar a foto oficial de 2013-14 dos Leigos em S. Tomé! 
Da esquerda: Francisco, Patrícia, Natacha, Nuno, Andreia e Catarina.

Concluída a formação na Fundação Calouste Gulbenkian, no âmbito do recém-criado “Mais Valia”, e tendo  entrado na bolsa de voluntários do projeto, parti para S. Tomé e Príncipe, onde fui integrado numa missão dos Leigos para o Desenvolvimento, organização que conhecia muito superficialmente. Com as informações que recolhi no terreno, escrevi o artigo que agora partilho.

A. Leigos para o Desenvolvimento – radiografia de uma ONGD portuguesa
Envolvimento, Desenvolvimento Responsável, Cooperação, Sustentabilidade
Os Leigos para o Desenvolvimento são uma associação sem fins lucrativos, reconhecida oficialmente como uma Organização Não Governamental de Cooperação para o Desenvolvimento (ONGD), criada a 11 de abril de 1986.
É uma associação católica e uma obra de inspiração Inaciana, fundada por um grupo de jovens leigos e pelo padre António Vaz Pinto.
Atualmente com projetos em Angola, Moçambique, Portugal e S. Tomé e Príncipe, os Leigos para o Desenvolvimento atuam nas áreas da Educação e Formação (formal, não formal e informal) e na Dinamização e Organização Comunitária, Empreendedorismo e Empregabilidade, Capacitação de Agentes Locais, Promoção do Voluntariado e Pastoral.
Baseada em princípios metodológicos de investigação-ação, associados ao desenvolvimento local e participativo, a atuação dos Leigos para o Desenvolvimento concretiza-se através de jovens voluntários que permanecem no terreno pelo período mínimo de um ano, privilegiando a relação, o conhecimento local e a simplicidade de meios, sendo assim criada a possibilidade do desenvolvimento integral e integrado de pessoas e comunidades.
Para além do tempo de missão, dos projetos e serviços desenvolvidos a associação é para os seus voluntários, uma “escola” de vivência intercultural, de respeito e valorização das diferentes culturas e de participação cívica.
Fonte privilegiada: www.leigos.org

B. Leigos para o Desenvolvimento no terreno – S. Tomé e Príncipe
1. Missão de Porto Alegre (onde estive a trabalhar)
Identificação
Formação
O que está a fazer
Andreia
26 anos
É de Oeiras
É o 2º ano que está em missão, depois de um 1º ano em Benguela
. Licenciatura em Estudos Africanos
.Mestrado em
Desenvolvimento e
Cooperação Internacional
.Acompanha dois grupos de mulheres (um trabalha na produção farinha de mandioca; o outro, na secagem de banana), visando a sua autonomia e autossustentabilidade.
.Está na formação profissional.
.Dá catequese com uma catequista local.
Pode ler o testemunho da Andreia AQUI.
Nuno
31 anos
É do Porto
Licenciatura em Engenharia do Ambiente
.Pós-graduação em Gestão Ambiental e Ordenamento do Território
.Acompanha a formação de professores em contexto (ao longo do ano letivo) e trabalha com o diretor da Escola de Porto Alegre.
.Orienta formação: de monitores de atividades de ocupação de tempos livres; em informática.
.Faz o acompanhamento da equipa do centro de recursos educativos (CRE).
.Dá catequese
Pode ler o testemunho do Nuno AQUI.
Francisco
37 anos
É do Porto
.Licenciatura em História, sendo oficial de justiça
Nota: Sendo o menos jovem dos LD em missão em S. Tomé, o Francisco tem a alcunha de “o avô”. Quando cheguei à missão, passei a ser o “bisa” (de bisavô)…
.É moderador do Grupo Comunitário que reúne várias entidades e grupos da comunidade (tarefa ciclópica!).
. Preside à “celebração da palavra”. Um ato em tudo idêntico à missa, mas onde não há oração eucarística (não há consagração eucarística presidida pelo sacerdote). Este ato é o recurso celebrativo na ausência de padre e é muito importante para a celebração comunitária da fé.
Patrícia
31 anos
Ílhavo (Aveiro)
Está pelo 2º ano na missão de Porto Alegre
.Licenciatura em Biologia
.Mestrado em Ecologia, Biodiversidade e Gestão de Ecossistemas
.Trabalha na área da biologia e investigação
.Acompanha a gestão da creche e intervém na área da pedagogia dos funcionários e educadoras de Porto Alegre e Vila Malanza, sendo responsável pela coordenação da construção e abertura da nova creche de Vila Malanza.
.Faz a gestão financeira dos Leigos para o Desenvolvimento em S. Tomé e Príncipe.
.Coordena o trabalho do coro da igreja das comunidades católicas.
Pode ler o testemunho da Patrícia AQUI.

Missão de S. Tomé (capital)
Identificação
Formação
O que está a fazer
Catarina
25 anos
É de Rabo de Peixe (S. Miguel, Açores)
É o 2º ano que está em missão, depois de um 1º ano em Porto Alegre
.Licenciatura em Psicologia
.Mestrado em Educação
.Está no lançamento da coesão social (no bairro da Boa Morte).
.Trabalha no empreendedorismo: levantamento de hipóteses no terreno de acompanhamento de negócios já estabelecidos.
. É a Representante dos Leigos para o Desenvolvimento em S. Tomé e Príncipe.
. Acompanha um grupo de catequese no Bairro da Boa Morte
Pode ler o testemunho da Catarina AQUI.
Natacha
30 anos
É do Porto
.Licenciatura em Farmácia
.Trabalha numa farmácia
.Trabalha com a escola do bairro da Boa Morte e com a respetiva diretora.
.Intervém na formação de jovens e no apoio e na ocupação de tempos livres de crianças.
. Acompanha um grupo de pastoral juvenil no Bairro da Boa Morte
Pode ler o testemunho da Natacha AQUI.

C. Conclusão:
Com um clima que não mata mas mói, à luz da vela e sem frigorífico, com escassez de recursos (a água para beber é fervida todos os dias num panelão…), não é fácil a vida dos membros da missão de Porto Alegre. No entanto, o que mais impressiona é a forma generosa e pedagógica como cada um destes jovens se entrega às suas tarefas e a visível alegria que daí resulta. O que é importante ali não são as ambições ou os projetos individuais. O que conta mesmo é estar disponível para trabalhar para e com o próximo.
Conhecer este grupo de pessoas e estar a viver com elas durante um mês foi um privilégio, uma lição! Comparado com o que recebi, o que dei no meu trabalho de voluntário foi muito pouco. Resta-me a esperança de ter sido uma gota no oceano, pois, nas palavras da Madre Teresa de Calcutá, “Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota.
Ajudar os Leigos para o Desenvolvimento é ajudar a ajudar. Saiba o que pode fazer em http://leigos.org.

Abraço a todos, mas com especial carinho para os meus amigos Leigos!
António
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