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quarta-feira, 1 de julho de 2015

Os sub-21 portugueses foram ontem vice-campeões ou vicecampeões?

Tivesse a seleção portuguesa ganho ontem à Suécia e não se punha a questão do hífen…

Numa aplicação criativa das regras do hífen, ouvi há dias uma conversa em que alguém dizia que agora, com o Novo Acordo Ortográfico, já não havia hífenes…
Uma viagem pelos textos escritos em português na internet (empresas e particulares) deixa-nos de boca aberta, tal é a confusão que reina na hifenização. Por um lado, retiram-se a eito os hífenes; por outro, aglutina-se tudo.
Exemplos:
1. guarda chuva (AQUI); 2. guardachuva (AQUI); 3. guardassol (AQUI); 4. decreto lei (AQUI);  5. segundafeira (AQUI); 6. couveflor (AQUI); 7. bem vindo (AQUI); 8. bemvindo (AQUI); 9. benvindo (AQUI); 10. guardarroupa (AQUI); 11. vicecampeão (AQUI); 12. vice campeão (AQUI).

RESPOSTA:
Como em todos os exemplos apresentados,
devemos usar hífen em vice-campeões.
Notas:
1. O AO90 não altera a regra que determina que há sempre hífen a seguir a vice-. O mesmo se aplica aos prefixos ex- (com o sentido de cessamento), sota-, soto-, vizo- e quando o primeiro elemento é acentuado (pré-pago, pró-vida, pós-guerra, além-mar, aquém-fronteiras, recém-casado).
2. Veemente censura ao destacado jornal desportivo português Record que nos dá esta pérola: “Portugal vicecampeão europeu de juniores”.

Abraço.
ProfAP

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Como estamos de AO90 e de Vocabulário Ortográfico Comum?




Entrevista dada por Marisa Guião de Mendonça, diretora-executiva do Instituo Internacional da Língua Portuguesa, ao programa Fórum África (10/06/2015), da RTP África, a respeito do Vocabulário Ortográfico Comum, dos trabalhos com os vocabulários nacionais e da aplicação do Acordo Ortográfico.


NOTA: Quando o Vocabulário Ortográfico Comum foi disponibilizada online, entrei na plataforma e não fiquei particularmente agradado. Poucas indicações para poder pesquisar de forma rápida e eficaz, um conjunto de bandeiras dos países lusófonos com links, mas inconsequente, resultados da pesquisa não associados aos espaços geográficos em que são usados... Uma deceção, sobretudo se compararmos o VOC com o VOP do Portal da Língua Portuguesa. No entanto, como estavam previstos ajustamentos na plataforma até ao final de maio de 2015, um dias destes dias farei uma nova e muito minuciosa visita e partilharei aqui o resultado da avaliação.
Abraço.
ProfAP

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Alunos podem perder 5 valores nos exames por causa do AO90?


Embora seja a minha área de formação, estou afastado há algum tempo do mundo dos exames de Português. Sempre me pareceu especulativa a informação veiculada nos meios de comunicação de que a não aplicação das regras do A90 poderia custar aos alunos a perda de 5 valores. No entanto, não tendo dados objetivos, não comentei o assunto. Quando ontem consultava o Ciberdúvidas (AQUI), encontrei um artigo que contesta o que foi divulgado.

Erros ortográficos devido ao uso da antiga grafia
chegarão no máximo a 0,5 por cento na avaliação do 12.º ano
(…) nos critérios específicos de avaliação da prova de exame em apreço estão previstos descontos por aplicação de fatores de desvalorização no domínio da correção linguística até um máximo de 40 pontos. Dependendo da natureza de cada erro (ortografia, sintaxe, morfologia, impropriedade lexical), os descontos a aplicar podem corresponder a uma desvalorização de 1 ou de 2 pontos por erro (em 200 pontos).
Por um lado, é de salientar que o erro de ortografia diz respeito a apenas um dos diversos fatores de desvalorização previstos, dando origem ao desconto de 1 ponto. Por outro lado, tomando como valor de referência 200 mil entradas do Vocabulário Ortográfico do Português (VOP), a percentagem de palavras alteradas pelo AO em Portugal é de 1,56%. Importa referir que, se entre essas palavras existem algumas com elevado índice de frequência de uso (e.g. "ato", "atual", "direto", "exato", "objeto"), a maioria são palavras de uso restrito a registos especializados (técnicos e científicos), de baixo índice de frequência.
Considerando os dados apresentados, ainda que os alunos optem por não respeitar o AO, situação para cujas consequências estão devidamente alertados, em termos médios, a probabilidade de desvalorização por erros ortográficos devido ao uso da antiga grafia é de 0,6 pontos, ou seja, 1 ponto em 200, ou seja, ainda, 0,5% da cotação total da prova (o que contrasta de forma gritante com os 25% referidos na notícia publicada pelo Diário de Notícias). (…)
O Conselho Diretivo do IAVE, I.P.,
Lisboa, 12 de março de 2015

Fica partilhado o esclarecimento. Mas aquelas contas ali mesmo no final estão um pouco atabalhoadas… E devo dizer que se as notícias divulgadas me deixaram muitas dúvidas com o cenário de descontos até 5 valores (50 pontos), as contas do IAVE que concluem que a probabilidade de descontos não vai além de 1 ponto também me parecem uma versão light. Mas é apenas uma impressão. Onde está a verdade? Aí, não tenho dúvidas: no vinho!

Abraço.
ProfAP

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Sampaio da Nóvoa quer reavaliar Acordo Ortográfico…


COMENTÁRIO: Independentemente da consistência dos argumentos apresentados, as pessoas (mais ou menos mediáticas) e as instituições que são e sempre foram contra o AO têm do seu lado a coerência.
Quanto a Sampaio da Nóvoa, considerando que, enquanto reitor da Universidade de Lisboa, ninguém o ouviu manifestar publicamente o seu desacordo, fazê-lo agora na condição de candidato a um cargo público parece uma atitude oportunista. Pode até não ser, mas lá que parece, parece…

JORNAL DE NOTÍCIAS:

Sampaio da Nóvoa, que ao final da tarde desta segunda-feira, no Teatro Rivoli, no Porto, apresenta a carta de princípios da sua candidatura à Presidência da República, considerou na última noite, em Amarante, num debate sobre Educação, que o Acordo Ortográfico "deve ser reavaliado com muita determinação".

Admitindo que se trata de "um problema complicado", por causa dos acordos internacionais, mas defende que o AO deve ser reavaliado com muita determinação. "Na qualidade de candidato presidencial digo que esta questão tem de ser recolocada em cima da mesa dos debates com enorme cuidado, esperando que se consiga fazer uma avaliação do que aconteceu até agora e consigamos repor em novos moldes algumas orientações sobre esta matéria. É um problema que, na minha condição de Presidente da República, espero ajudar a resolver. O que está a acontecer não é bom para nada, inclusive para o fortalecimento dos laços entre os povos", justificou, Nóvoa, já depois de lembrar que na qualidade de reitor e de professor é contra o AO.
Convidado pela concelhia do PS para falar sobre "Uma Educação para o desenvolvimento", a conversa, por vontade da plateia, estava sempre a resvalar para as presidenciais. Um dos presentes quis saber, por exemplo, o que é que o candidato pensa sobre as questões fraturantes, ao que o candidato atirou de pronto com aquilo que disse ser a sua "matriz: liberdade", com o Estado a garantir a salvaguarda dos "direitos e garantias". O candidato também afirmou que quer para Portugal "um presidente ativo na cena internacional". "A última vez em tal aconteceu foi com Timor, e por obrigação". Sobre o assunto em debate, a Educação, Nóvoa lembrou que "num certo sentido" com o que temos: a escola (edifício) do século XIX e professores do século XX, não conseguimos ensinar alunos do século XXI.


Abraço.
ProfAP

sábado, 16 de maio de 2015

O Novo Acordo Ortográfico mexe com a sua horta ou jardim?

A espécie mais hifenizada cá da horta: o espinafre-da-Nova-Zelândia!

Começando por responder à pergunta, podemos dizer que sim, mas pouco…
Os vocábulos compostos que designam espécies não são referidos nem no Formulário de 1943 (Brasil) nem no Acordo de 1945 (Portugal). No entanto, a prática seguida era hifenizar a maior parte destas palavras, aplicando uma regra geral (Base 28 do AO45) de redação bem complicada:
Emprega-se o hífen nos compostos em que entram, foneticamente distintos (…), dois ou mais substantivos, ligados ou não por preposição ou outro elemento, um substantivo e um adjectivo, um adjectivo e um substantivo, dois adjectivos ou um adjectivo e um substantivo com valor adjectivo, uma forma verbal e um substantivo, duas formas verbais, ou ainda outras combinações de palavras, e em que o conjunto dos elementos, mantida a noção da composição, forma um sentido único ou uma aderência de sentidos.
A Base 46, 1º, do FO43, bem mais simples, ia no mesmo sentido: “Nas palavras compostas em que os elementos, com a sua acentuação própria, não conservam, considerados isoladamente, a sua significação, mas o conjunto constitui uma unidade semântica”.

Quanto ao Novo Acordo Ortográfico, introduz, na Base XV, nº 3, uma regra nova sem qualquer exceção: “Emprega-se o hífen nas palavras compostas que designam espécies botânicas e zoológicas, estejam ou não ligadas por preposição ou qualquer outro elemento”. Considerando os exemplos apresentados no texto, parece que todos os compostos nas áreas da botânica e da zoologia, designem ou não verdadeiras espécies e subespécies, são hifenizadas. Só assim se compreende a grafia feijão-verde (antes feijão verde).

CONCLUSÃO:
Usa-se sempre hífen em todas as palavras compostas que identificam plantas (ou animais).

Mas, embora a regra seja clara, os dicionários e o vocabulário do Portal da Língua Portuguesa continuam a não a aplicar de forma plena, ignorando espécies que fazem parte do nosso dia a dia ou apresentando-as de forma enviesada…
DESIGNAÇÕES
VOCABULÁRIO PORTAL DA LÍNGUA PORTUGUESA
DICIONÁRIO PRIBERAM
DICIONÁRIO
INFOPÉDIA
maçã-reineta
Está na entrada “reineta”…
Está na entrada “reineta”…
Está na entrada “reineta”…
pera-rocha
NÃO TEM
A entrada “rocha” não remete para a conhecida espécie…
NÃO TEM
A entrada “rocha” não remete para a conhecida espécie…
NÃO TEM
A entrada “rocha” não remete para a conhecida espécie…
pêssego-careca
NÃO TEM
Só regista pêssego…
SIM
Estranhamente também regista “pêssego careca” (sem hífen…)
SIM
 
pimenta-branca
NÃO TEM
Mas regista pimenta-preta
 
NÃO TEM
Regista apenas pimenta d’água, que não é uma espécie de pimenta…
NÃO TEM
Mas regista pimenta-preta
Nota: Faz tanto sentido, apresentar maçã-reineta na entrada “reineta”, como faria colocar peixe-espada na entrada “espada”…
O mesmo procedimento é seguido com a espécie pera-lambe-lhe-os-dedos (que já foi abundante na zona de Sintra e do Oeste e hoje está quase extinta), que é apresentada na entrada lambe-lhe-os-dedos nas fontes de consulta portuguesas. Consultando o Vocabulário da Academia Brasileira de Letras (que também regista pimenta-branca e maçã-reineta), lá está o verbete como deve ser: pera-lambe-lhe-os-dedos. Encontrei a mesma grafia no Dicionário de Língua Portuguesa, de Cândido de Figueiredo, de…1913!

Conselho final: para pesquisar designações de espécies botânicas (e zoológicas), não perca tempo e vá diretamente ao instrumento de consulta mais completo e fiável e entre no Vocabulário da Academia Brasileira de Letras (em http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=23).

Abraço!
ProfAP

Novo Acordo Ortográfico altera mais o português do Brasil?

Fonte: http://www.revistaport.com
“O português de Portugal vai deixar de usar o que chamamos de consoantes mudas. Porém, acho que as duas mudanças mais significativas para o português brasileiro representam perda maior, porque são ligadas à maneira com que os brasileiros pronunciam as palavras. É diferente do caso das consoantes mudas que não são pronunciadas”, afirmou Fiorin à Lusa.
O doutor em linguística referiu-se ao fim do uso do trema, que indicava quando a letra u deveria ser pronunciada após as letras q e g, e a queda do acento da base aberta dos ditongos ei e oi em palavras paroxítonas, como em ideia (que, sem o novo acordo, no Brasil seria grafada como idéia).
Fiorin realçou, no entanto, que as análises sobre o acordo não devem ser centradas em quem ganha mais ou quem perde mais, mas sim nos benefícios da unificação.
“Unificar a ortografia significa mostrar a radical vontade de exibir para o mundo a unidade que deve existir entre os países lusófonos. Qualquer consideração entre quem ganha e quem perde está fora de contexto”, disse.
Segundo o professor, o acordo já “está completamente implantado no Brasil” porque os jornais, revistas e livros já utilizam a nova ortografia e “não havia nenhuma necessidade” de se prorrogar o início da obrigatoriedade de 2013, como antes era previsto, para 2016, quando irá começar oficialmente.
As principais diferenças da antiga ortografia para a do novo acordo destacadas por brasileiros ouvidos pela Lusa são a mudança no uso do hífen e nas acentuações dos ditongos.
O Acordo Ortográfico foi ratificado pela maioria dos países lusófonos, à exceção de Angola e Moçambique. Em Angola ainda nem foi aprovado pelo Governo e em Moçambique aguarda a ratificação pelo parlamento.
Portugal e Brasil estabeleceram moratórias para a aplicação do acordo, estando prevista a entrada em vigor efetiva a 13 de maio e a 1 de janeiro próximos, respetivamente.
 
Angola ainda não deu “sim”
Em setembro passado, questionado pela Lusa, o ministro da Educação angolano, Pinda Simão, garantia que o país “está a trabalhar” sobre o novo acordo ortográfico da língua portuguesa e que no “devido momento” será tomada uma decisão, desconhecendo-se qualquer desenvolvimento neste processo desde então.
O português é a língua oficial em Angola, mas o país conta com seis principais línguas nacionais, muitas das quais acabaram por incorporar alguns conceitos e palavras, face à longa presença colonial portuguesa.
Num recente congresso sobre a língua portuguesa, realizado em Luanda, a ministra da Cultura de Angola, Rosa Cruz e Silva, afirmou que as línguas nacionais angolanas “com que convive” há quinhentos anos deram ao português a “pujança atual”.
“A língua portuguesa em Angola fez uma trajetória de afirmação do património partilhado, na medida em que desde esses primórdios até ao período mais crítico da sua história os angolanos transformaram-na na principal arma da sua luta contra o sistema opressor. E, por essa via, tornaram-na mais adequada aos contextos culturais do país. Se quisermos, tornaram-na [a língua portuguesa] mais bela”, reconheceu a ministra.
Apesar disso, Rosa Cruz e Silva afirma que devem ser colocadas “ao mesmo nível” as línguas nacionais e a língua oficial, tendo em conta que a “diversidade linguista do país constitui a sua grande riqueza”.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Novo Acordo Ortográfico obrigatório em Portugal a partir de hoje!


"O Novo Acordo Ortográfico passa a ter aplicação obrigatória em Portugal, com o termo, neste dia, do período de transição de seis anos, durante o qual a nova ortografia coexistiu com a anterior norma (a da Convenção Ortográfica Luso-Brasileira, de 1945), conforme determinava a proposta de resolução apresentada pelo Governo de Portugal em 2008. Esta proposta de resolução foi votada favoravelmente na Assembleia da República (Resolução 35/2008) e ratificada pelo Presidente da República ainda no mesmo ano (Decreto 52/2008). Mais tarde, o Aviso n.º 255/2010 do Ministério dos Negócios Estrangeiros português, identificaria a data de 13 de maio de 2009 como a da entrada em vigor da nova ortografia em Portugal e do começo do período de transição de seis anos que agora finda." In Ciberdúvidas.
 
SITUAÇÃO ATUAL:
PORTUGAL
Está em vigor o AO90.
BRASIL
Estão em vigor o FO43 e AO90. O período de transição terminará em 31/12/2015.
ANGOLA
Está em vigor o AO45.
O AO90 ainda nem foi aprovado pelo governo.
MOÇAMBIQUE
Está em vigor o AO45.
O AO90 aguarda ratificação pelo parlamento.
GUINÉ-BISSAU
S. TOMÉ E PRÍNCIPE
CABO VERDE
TIMOR-LESTE
Está em vigor o AO45.
O AO90 foi ratificado, mas a sua aplicação ainda aconteceu e as populações, incluindo os professores, desconhecem as novas regras.
O AO90 levará tempo a ser aplicado em todo o mundo lusófono. Provavelmente, muito mais do que se pensava, considerando a posição de Angola, que exige alterações no documento para o vir a aprovar.
O Novo Acordo Ortográfico é um bom documento para a língua portuguesa? As opiniões extremaram-se:
a)    Para uns, consegue-se uma efetiva simplificação das regras e uma única norma para a língua portuguesa;
b)    Para outros, é uma inqualificável ofensa à coesão da língua e à sua etimologia.
Na minha opinião, documento não é tão bom como apregoam os seus defensores nem tão mau como o pintam os seus oponentes.
PONTOS POSITIVOS:
.Pôs a língua portuguesa na ordem do dia. Nunca se falou tanto de regras, acentos, hífenes e de maiúsculas e minúsculas.
.Conseguiu-se uma simplificação e sistematização do uso do hífen, apesar de terem sido mantidas exceções que deveriam ter sido eliminadas.
.Disponibilizaram-se excelentes fontes de consulta online: em Portugal, o Portal da Língua Portuguesa com o Vocabulário Ortográfico do Português ; no Brasil, a Academia Brasileira de Letras com o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa.
 
PONTOS NEGATIVOS:
.O objetivo de conseguir uma única norma para regulamentar a língua portuguesa parece utópico, dadas as enormes diferenças que continuam a existir entre Portugal e Brasil. Nem as duplas grafias resolvem o problema (cerca de 200 em Portugal e o triplo no Brasil).
.Pequenos desencontros entre Portugal e Brasil na aplicação das novas regras, com leituras abusivas dos dois lados. O prefixo “co” e a hifenização das locuções são exemplos disso:
- No Brasil, passou a escrever-se COERDEIRO (algo que o AO90 não permite), enquanto em Portugal se escreve CO-HERDEIRO. Antes, havia uma única grafia para os dois países: CO-HERDEIRO.
- Portugal criou duplas grafias à revelia do que determina AO90. Assim, temos em Portugal COR-DE-ROSA/COR DE ROSA, ARCO-DA-VELHA/ARCO DA VELHA, ÁGUA-DE-COLÓNIA/ÁGUA DE COLÓNIA e PÉ-DE-MEIA/PÉ DE MEIA, enquanto no Brasil há uma única grafia para cada uma destas palavras: COR-DE-ROSA, ARCO-DA-VELHA, ÁGUA-DE-COLÓNIA e PÉ-DE-MEIA.
.A forma pouco clara e por vezes descuidada como o documento foi redigido. Um exemplo gritante foi o erro cometido no tratamento do prefixo “sub”.
NOTAS FINAIS:
1. A “traição” à etimologia com a supressão das consoantes não pronunciadas “c” e “p”, sendo verdadeira, vem na linha do que já tinha sido feito no Formulário Ortográfico de 1911 e que o Brasil aprofundou em 1943. Dizem alguns que o desaparecimento do “c” poderá levar ao fechamento da pronúncia de algumas vogais. Só o futuro o dirá...
2. A eliminação dos acentos desambiguadores também se limita a aprofundar a lista de "defuntos" do  AO45: côr/cor, êste/este, colhêr/colher, êle/ele, bôla/bola, etc. Se alguma crítica se pode fazer a esta regra, é terem sido mantidas algumas as exceções. Depois de ter sido eliminado a acento na forma verbal para, porquê mantê-lo em pôr e pôde (pretérito perfeito)?
3. O uso de minúscula nos meses e nas estações do ano (como já acontecia com os dias da semana) já era prática na generalidade das línguas latinas.
Abraço e boa escrita com o FO43, AO45 ou o AO90!
ProfAP