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Um amigo questionou-me sobre as malfeitorias
que o Novo Acordo terá feito à palavra de hoje. Segundo ele, que é totalmente
contra o NAO, este seria mais um hífen atirado para a poeira do esquecimento,
desfigurando a palavra para sempre…
Não tem razão o meu amigo, pois a palavra não
tinha hífen. Atente-se neste extrato de uma resposta dada no Ciberdúvidas em 2004: “Normalmente o termo sócio
aparece fundido com o segundo elemento, formando, portanto, uma palavra com um
único acento tó[ô]nico (palavras formadas por aglutinação, na gramática
tradicional), como, por exemplo, socioeconómico, sociolingu[ü]ística;”
Importante:
Embora
segundo as novas regras, a grafia correta fosse sempre socioeconómico, já era essa a
grafia em vigor segundo o Acordo de 1945.
CONCLUSÕES:
Portugal (norma
luso-afro-asiática)
socioeconómico
Brasil (norma
brasileira)
socioeconômico e socioeconómico (dupla grafia)
Notas:
1. Segundo o Acordo de 1945, socio- era um dos casos em que havia sempre aglutinação, com uma
fusão sistemática entre o primeiro e o segundo elementos, daí podendo resultar
grafias como socioistórico ou socioumanitário. Com o Novo Acordo, como antes de
h há sempre hífen, devemos escrever sócio-histórico e sócio-humanitário.
2. Os dicionários registam sócio-gerente, mas esse é um caso diferente, pois aí sócio é um elemento autónomo (um nome)
integrado num composto (como médico-cirurgião ou tio-avô), regido pela Base XV
do Novo Acordo; em socioeconómico
temos o elemento de formação de palavras socio-,
que exprime a noção de sociedade, fenómeno social, no âmbito da Base XVI.
Abraço!
AP