Antes da entrada em vigor do Novo Acordo, a hifenização não seguia
as mesmas regras no português europeu e no português do Brasil.
Com o prefixo anti-,
enquanto o Formulário Ortográfico de 1943 (para o Brasil) determinava que havia
hífen quando a seguir viesse uma palavra começada por h, r ou s, na Norma de 1945 (Portugal), com
este mesmo prefixo, o hífen era colocado antes de h, i, r ou s.
Se nalgumas áreas o AO passou ao lado das desejadas simplificação e unificação
de normas dos dois lados do Atlântico, com o hífen, o objetivo foi atingido: estabeleceu-se
uma regra igual para toda a lusofonia mais simples do que as que estavam em
vigor.
Salvaguardando casos especiais*, podemos dizer só há hífen quando o
segundo elemento começa por h ou a letra final do prefixo se vir ao espelho, ou
seja, for igual à que inicia o segundo elemento.
Com hífen: anti-imperalista, micro-ondas,
super-requintado,
circum-murado,
sub-bibliotecário,
anti-higiénico.
Sem hífen: autoestrada, antitanque, hipermercado, minigolfe, megamanifestação.
CONCLUSÃO: Tanto em Portugal como no
Brasil, antitouradas não leva hífen (e nunca levou!), pois o segundo
elemento não começa pela mesma letra com que termina o prefixo (neste caso, i) nem por h.
*O caso especial mais importante tem a ver com uma regra nova (e muito útil!) introduzida pelo AO que determina o uso de hífen obrigatório antes de estrangeirismos, nomes próprios ou siglas. Já escrevíamos dessa forma, mas não havia uma regra que validasse essa prática.
Assim, em relação à troika (do russo troïka, «trio»), devemos escrever anti-troika.
O dicionário da Porto Editora regista três sentidos para a palavra: 1. trenó puxado por três cavalos; 2. conjunto de três pessoas ou coisas; trio; 3. grupo de trabalho ou delegação composto por três membros.
E não é que Portugal parece mesmo um trenó... à deriva e sem cavalos?
Bom fim de semana!
AP