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Para variar, trago-vos hoje um assunto
relativamente tranquilo. Com o olhar de Carlos Rocha (consultor do Ciberdúvidas), fazemos uma visita guiada
ao interior da história das reformas ortográficas em Portugal.
Aqui vos deixo um excelente artigo de 2008.
Boa leitura!
Abraço.
AP
Durante a Idade Média, a ortografia da língua
portuguesa foi sobretudo fonética, havendo um certo grau de variação, já que a
forma gráfica podia depender de cada autor e até de cada copista. No século
XVI, afirmou-se uma tendência para criar uma ortografia de carácter
etimológico, que pretendia dar às palavras um aspecto gráfico latino ou grego.
Muitas vezes, as grafias eram estabelecidas em etimologias incorrectas, no afã
de mostrar que a língua portuguesa pouco se afastara do latim. Os primeiros
gramáticos da língua portuguesa— Fernão de Oliveira, João de Barros, Duarte Nunes
de Leão, Pêro Magalhães de Gândavo — mostraram especial interesse pela
ortografia e, embora as suas propostas apresentassem divergências, considera-se
que procuraram moderar a tendência para a ortografia etimológica— sem sucesso.
Foi assim que, no século XVIII, a ortografia etimológica se consolidou,
mediante a acção da Academia das Ciências de Lisboa, criada em 1779.
Nos finais do século XIX, reconhecia-se que a
ortografia etimológica tinha vários inconvenientes, entre eles, a possibilidade
de variação individual. Em 1885, no intuito de uma simplificação ortográfica,
A. R. Gonçalves Viana e G. Vasconcelos Abreu propuseram novas bases
ortográficas. Em 1911, o Governo da República nomeou Carolina Vasconcelos, José
Leite de Vasconcelos, Adolfo Coelho, Cândido de Figueiredo e Gonçalves Viana
para uma comissão que elaborou um documento normativo, que foi aprovado nesse
mesmo ano. Mais tarde, em 1920, a Portaria n.º 2355 alterou alguns aspectos
desta reforma.
Sublinhe-se que a reforma ortográfica gerou
grande polémica no Brasil, e foram precisos vários anos para chegar a
harmonizar a grafia das palavras entre os dois lados do Atlântico. Deste modo,
em 1931, por proposta da Academia Brasileira de Letras, assinou-se o primeiro
Acordo Ortográfico Luso-Brasileiro, cujas disposições, no entanto, a Academia
das Ciências de Lisboa não acatou integralmente, em especial no respeitante às
consoantes mudas. Em 1940, a Academia das Ciências de Lisboa publicou o
Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, «com base na reforma de 1911, na
portaria de 1920 e no acordo de 1931» (Ivo Castro, pág. 382). Em 1943, a
Academia Brasileira de Letras publicava o Pequeno Vocabulário Ortográfico da
Língua Portuguesa. No mesmo ano, em 23 de Dezembro, os governos brasileiro e português
assinam em Lisboa uma convenção ortográfica, que consagrava o sistema
ortográfico de 1931.