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quarta-feira, 1 de maio de 2013

.Co-herdeiro ou coerdeiro?

Imagem encontrada AQUI.

Este é um dos casos em que há divergências, entre Portugal e Brasil, na interpretação do que está prescrito no texto do Novo Acordo Ortográfico.

A. O que diz o AO na Base XVI, ponto 1. a) e b)
Nas formações com prefixos (…) e em formações por recomposição, isto é, com elementos não autónomos ou falsos prefixos, de origem grega e latina (…)só se emprega o hífen nos seguintes casos:
(…) Nas formações em que o segundo elemento começa por h: anti-higiénico/anti-higiênico, circum-hospitalar, co-herdeiro (…).
Obs.: Nas formações com o prefixo co-, este aglutina-se em geral com o segundo elemento mesmo quando iniciado por o: coobrigação, coocupante, coordenar, cooperação, cooperar, etc.

Comentário:
Sendo o texto claro, não eram previsíveis divergências. Sobretudo, sendo um dos exemplos apresentados no texto do AO… co-herdeiro! Na observação, diz-se que, em geral, há aglutinação de co- com o elemento seguinte. No entanto, “em geral” não é sinónimo de sempre…

B. Um oceano a separar Portugal do Brasil...
1. Com interpretações estapafúrdias noutros casos (sobretudo com a hifenização das locuções), aqui, Portugal andou bem e aplicou de forma fiel o que diz o AO: co-herdeiro.
2. A Academia Brasileira de Letras, com base no princípio da “simplificação”, decidiu que com co- há sempre aglutinação. Assim sendo, no seu VOLP regista apenas coerdeiro (a par de coabilidade, por exemplo).
Andou mal a ABL nesta decisão unilateral. Sendo verdade que a simplificação era um dos objetivos do AO, o principal argumento usado na sua defesa era a promoção da língua portuguesa através da criação de uma única norma para a sua regulamentação. O que se conseguiu neste caso? Onde antes tínhamos uma única grafia, passámos a ter duas: uma para o Brasil e outra para a restante lusofonia.


Conclusões:
PORTUGAL
BRASIL
co-herdeiro (não houve alteração)
coerdeiro (nova grafia) 
Nota: Até 1/01/2016, os brasileiros podem continuar a escrever co-herdeiro, pois o período de transição foi prorrogado pelo governo brasileiro.

 
Abraço.
AP