Mais
um caso espantoso! Aqui, o imbróglio resulta da aplicação “à la carte” do
Novo Acordo Ortográfico.
A. O que diz o texto do Novo Acordo
Base XV, Obs.: “Certos compostos,
em relação aos quais se perdeu, em certa medida, a noção de composição,
grafam-se aglutinadamente: girassol, madressilva, mandachuva, pontapé, paraquedas, paraquedista, etc.”
“Então, o caso
está encerrado: paraquedas!” – Dirá,
sem pestanejar, o meu caro leitor…
Calma, calma… O que acaba de ler não é o fim da viagem. É apenas o ponto de partida...
Calma, calma… O que acaba de ler não é o fim da viagem. É apenas o ponto de partida...
B. O que regista a Academia Brasileira de Letras
paraquedas
“Então o caso não
está encerrado, Sr. AP?” – Insistirá o leitor amigo.
Como disse há pouco, a nossa viagem não é assim tão linear…
Como disse há pouco, a nossa viagem não é assim tão linear…
C. O que diz o Portal da Língua Portuguesa (Portugal)
paraquedas…
e… para-quedas!
Perante o espanto
do leitor, devo recordar que avisei duas vezes…
D. O que dizem os dicionários
PortugalInfopédia: paraquedas… e… para-quedas / Priberam: paraquedas
Brasil
Aulete e Houaiss: paraquedas
O leitor continua
mudo…
Comentário:
O Novo Acordo Ortográfico tem (tinha? teve?),
entre outras, duas finalidades: simplificar e unificar. No caso de hoje, sendo
as palavras paraquedas e paraquedista apresentadas no texto do NAO
como exemplos de compostos a grafar aglutinadamente, houve umas “cabecinhas
pensadoras” que resolveram complicar em Portugal o que parecia claro. Numa resposta
como consultor do Ciberdúvidas, D´Silvas
Filho (que muito aprecio), em 19/03/2010 (AQUI), embora entenda que, por
analogia com outros compostos com para-
(ex.: para-brisas, para-raios), se possam propor como grafias alternativas para-quedas,
para-quedista e para-quedismo, diz, em relação à decisão do Portal da Língua
Portuguesa de incluir estas formas hifenizadas: “penso
que deveria ter sugerido estas soluções unicamente como «alternativas não
preferenciais», não como variantes ortográficas.”
Partamos
agora para as conclusões que é possível apresentar a partir deste admirável
mundo de perspetivas não coincidentes…
CONCLUSÕES:
Portugal (norma luso-afro-asiática)
paraquedas (no respeito estrito pelo texto AO) e para-quedas (porque o Portal
da Língua Portuguesa apresenta a palavra como variante)
Brasil (norma brasileira)
apenas
paraquedas
Abraço e bom resto de sábado!
AP
