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segunda-feira, 9 de julho de 2012

pudico, púdico ou "à vontade do freguês"?

Quando em 1989, no seu programa Falar Português, na RTP, Edite Estrela veio dizer que “dico” estava errado e que devíamos dizer e escrever “pudico”, houve sorrisos (nalguns casos, gargalhadas bem sonoras) de Norte a Sul.
Se é verdade que, aqui e ali, Edite Estrela parece assumir alguma rigidez em relação às noções de norma e desvio, neste caso específico, terá razão? Quase nenhum dicionário regista “dico”. A forma correta da palavra, sendo grave (paroxítona), seria inequívocamente “pudico”…

MAS…
Se é verdade que há um único dicionário a registar a forma “dico”, tratando-se do Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa (que é “apenas” o órgão consultivo do governo em matéria linguística), o caso muda de figura. Com este dicionário a atestar as duas formas, o uso de qualquer delas fica legitimado.


CONCLUSÃO: A resposta é “à vontade do freguês”, pelo que pode dizer e/ou escrever “dico” ou “pudico” (do latim pudīcu-).

Em caso de dúvida, diga com pudor, envergonhado, acanhado ou casto… ;)
Boa semana!
Estarei de volta amanhã.
Ap

4 comentários:

  1. Mas a Academia das Ciências de Lisboa voltou atrás: nas duas últimas edições Vocabulário Ortográfico Atualizado, de 2012 e de 2014, eliminou a forma "púdico", mantendo apenas "pudico".

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    Respostas
    1. Mesmo com o recuo da Academia das Ciências de Lisboa, houve desenvolvimentos sobre o assunto. O dicionário online da Porto Editora e o Portal da Língua Portuguesa (órgão oficial da língua portuguesa em Portugal) admitem as duas grafias: púdico e pudico. No entanto, a ABL admite apenas pudico. Logo, pudico no Brasil e pudico e púdico em Portugal.

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  2. Como se pode ver em https://books.google.com.br/books?id=gBjiAgAAQBAJ&printsec=frontcover&hl=pt-BR&source=gbs_ge_summary_r&output=reader&pg=GBS.PP1 :)

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  3. A forma que o Povo consagrou é, sem nenhuma dúvida, a forma «púdico». Ora o Povo é que faz a língua, usando-a, e não os académicos alheados da vida encarcerados em gabinetes mortos. A Língua é um organismo vivo, mas os mortos das Academias levam tempo a despertar. Lá chegarão.
    Leonel Marcelino

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