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domingo, 19 de janeiro de 2014

mal criado, mal-criado OU malcriado?

Será que se escreve assim? Hum...


Falando de educação (ou da falta dela!), devemos escrever malcriado!

Esta regra não é uma malfeitoria do Novo Acordo, pois ele limita-se, na Base XV, nº 4, a dar uma nova redação à regra "antiga": Emprega-se o hífen nos compostos com os advérbios bem e mal, quando estes formam com o elemento que se lhes segue uma unidade sintagmática e semântica e tal elemento começa por vogal ou h. No entanto, o advérbio bem, ao contrário de mal, pode não se aglutinar com palavras começadas por consoante. Eis alguns exemplos das várias situações: bem-aventurado, bem-estar, bem-humorado; mal-afortunado, mal-estar, mal-humorado; bem-criado (cf. malcriado)

Notas: 
A. Situações em que há hífen a seguir a BEM e MAL:
MAL
.   Apenas antes de vogal ou h:
Ex.: mal-humorado e mal-educado.
BEM
.   Antes de vogal ou h:
Ex.: bem-humorado e bem-educado.
.   Mas também em todas as outras situações em que haja unidade semântica:
Ex.: bem-criado, bem-comportado, bem-disposto, bem-feito, bem-intencionado, bem-mandado, bem-parecido, bem-nascido, bem-sucedido, bem-vindo, bem-visto, etc.

B. Na Nova Gramática do Português (1984, pág. 66), Celso Cunha e Lindley Cintra abordam o assunto de uma forma um pouco diferente, seguindo de perto o Formulário Ortográfico de 1943 (Brasil):
nos compostos com bem, quando o elemento seguinte tem vida autónoma, ou quando a pronúncia o requer: bem-ditoso, bem-aventurança».


DICA MUITO RENTÁVEL, com elevadas hipóteses de acertar:
Com bem, use sempre hífen; com mal apenas antes de vogal ou h!


Esperando que todos fiquem BEM,
AP
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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

anti-social, antisocial ou antissocial?

 "antisocial"? Grafia errada, completamente fora de jogo...

Esta é uma regra alterada (parcialmente) pelo Novo Acordo Ortográfico.
1. Escrevíamos anti-social, pois, com o FO43 (Brasil), o prefixo anti era separado por hífen, quando seguido de h, r ou s, o mesmo acontecendo com o AO45 (Portugal), quando antes de h, i, r ou s.
2. Determinando o AO90, na Base XVI, nº 2 a) que “Nas formações em que o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por r ou s, devem estas consoantes duplicar-se”, a nova grafia é antissocial.
Nota: Os olhos têm dificuldade em adaptar-se à mudança, no entanto a duplicação do r ou s não é uma novidade, sobretudo nas áreas técnica e científica. Exemplos de grafias anteriores ao AO: biorritmo, biossonda, ecossistema, morfossintaxe, multirrisco, fotossíntese macrorrizo, havendo casos em que coexistiam duas grafias (mini-saia e minissaia, por exemplo).

CONCLUSÃO:
Segundo o FO43 e AO45
De acordo com o AO90
anti-social
antissocial
 
Exceções: usa-se hífen quando o 2º elemento é uma sigla (anti-ONU), um nome próprio (anti-Blatter) ou um estrangeirismo (anti-stress).

Abraço.
AP
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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Ronaldo ganhou a BOLA-DE-OURO ou a BOLA DE OURO?

http://www.mirror.co.uk/sport/football/news/ballon-dor-cristiano-ronaldo-wins-3018864

Procuremos a resposta nas fontes...


1. Formulário Ortográfico de 1943, Base XIV (ainda em vigor no Brasil): “Só se ligam por hífen os elementos das palavras compostas em que se mantém a noção da composição, isto é, os elementos das palavras compostas que mantêm a sua independência fonética, conservando cada um a sua própria acentuação, porém formando o conjunto perfeita unidade de sentido.
2. Acordo de 1945, Base XXVIII (ainda em vigor em Portugal e restantes países lusófonos, excluindo o Brasil): “Emprega-se o hífen nos compostos em que entram (…) dois ou mais substantivos, ligados ou não por preposição ou outro elemento, um substantivo e um adjectivo, um adjectivo e um substantivo, dois adjectivos ou um adjectivo e um substantivo com valor adjectivo, uma forma verbal e um substantivo, duas formas verbais, ou ainda outras combinações de palavras, e em que o conjunto dos elementos, mantida a noção da composição, forma um sentido único ou uma aderência de sentidos. Exemplos: água-de-colónia, arco-da-velha, bispo-conde, brincos-de-princesa, cor-de-rosa (…).
3. AO90, Base XV (em vigor na maior parte dos países lusófonos e ratificado pelo Brasil, Cabo Verde, Portugal, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Timor-Leste e Moçambique): “Emprega-se o hífen nas palavras compostas por justaposição que não contêm formas de ligação e cujos elementos, de natureza nominal, adjetival, numeral ou verbal, constituem uma unidade sintagmática e semântica e mantêm acento próprio, podendo dar-se o caso de o primeiro elemento estar reduzido: ano-luz, arcebispo-bispo, arco-íris, decreto-lei (…)

Se em relação ao FO43 e ao AO45 podemos eventualmente hesitar, uma vez que há em “Bola de Ouro” uma unidade de sentido (=prémio criado pela revista France Football para o melhor futebolista de cada ano), com o AO90 fica claro que não se emprega hífen quando não há formas de ligação (salvo em algumas exceções já consagradas pelo uso, como é o caso de água-de-colónia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao deus-dará, à queima-roupa).

Já tinha sido com Eusébio e Figo e continua a ser com Ronaldo:

Bola de Ouro!


Abraço para todos e parabéns ao nosso CR7!
AP

CURTO-CIRCUITO ou CURTOCIRCUITO?

Antes que os anti-AO e alguns que, embora sendo pró, desconhecem as novas regras (que também os há…) me jurem pela pele, aqui vai a resposta:
Pode continuar a curto-circuitar…
                                   curto-circuito mantém o seu hífen!

O AO90 sistematiza as regras do hífen e simplifica-as nas locuções e formações por prefixação, mas não as altera nos compostos sem elementos de ligação (por exemplo, arco-íris, segunda-feira, guarda-chuva e… curto-circuito!).
O nº 1 da Base XV do Novo Acordo Ortográfico não altera o que estava estatuído pelo AO45 e FO43:
Emprega-se o hífen nas palavras compostas por justaposição que não contêm formas de ligação e cujos elementos, de natureza nominal, adjetival, numeral ou verbal, constituem uma unidade sintagmática e semântica e mantêm acento próprio, podendo dar-se o caso de o primeiro elemento estar reduzido: ano-luz, arcebispo-bispo, arco-íris, decreto-lei, és-sueste, médico-cirurgião, rainha-cláudia, tenente-coronel, tio-avô, turma-piloto; alcaide-mor, amor-perfeito, guarda-noturno, mato-grossense, norte-americano, porto-alegrense, sul-africano; afro-asiático, afro-luso-brasileiro, azul-escuro, luso-brasileiro, primeiro-ministro, primeiro-sargento, primo-infeção, segunda-feira; conta-gotas, finca-pé, guarda-chuva.

Abraço!
AP
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domingo, 12 de janeiro de 2014

k, w e y: danças com letras!


Uma das alterações trazidas pelo Novo Acordo Ortográfico foi a inclusão das letras k, w e y no alfabeto: “O alfabeto da língua portuguesa é formado por vinte e seis letras”.
Antes, segundo o Formulário de 1943 (Brasil) e Acordo de 1945 (Portugal), o alfabeto era constituído por 23 letras.

Na prática, que consequências tem, no uso da língua portuguesa, esta alteração introduzida pelo AO90? NENHUMA!
 
 
Repare:
A. O Formulário Ortográfico de 1911 embora determinasse que eram “proscritas de todas as palavras portuguesas, ou aportuguesadas, as letras k, w, y”, previa exceções:
1.ª Poderão usar-se essas letras em vocábulos derivados de nomes próprios estrangeiros (…).
2.ª Continuam em uso os símbolos W, para denotar o Oeste, e K como abreviatura de unidade métrica, e tambêm na forma international kilo, que todavia se poderá escrever quilo;
B. O AO45, como o FO43, manteve as letras k, w e y fora do alfabeto, mas continuou a prever casos especiais:
O k, o w e o y mantêm-se nos vocábulos derivados eruditamente de nomes próprios estrangeiros que se escrevam com essas letras (…).
C. O AO90 junta as letras k, w e y ao alfabeto, mas circunscreve a sua utilização também a casos especiais: em topónimos e antropónimos originários de outras línguas e seus derivados; em siglas, símbolos e palavras unidades de medida internacional.
 
 
Conclusão:
A inclusão de k, w e y no alfabeto não altera em nada o uso dessas letras na língua portuguesa. Já as tínhamos nos teclados dos computadores e telemóveis…
 
 
Com todas as letras, deixo o meu abraço.
AP

 
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sábado, 11 de janeiro de 2014

são-tomense, são tomense, são-tomeense ou santomense?

S. Tomé e Príncipe (onde deverei estar em março, como voluntário, no âmbito da formação de professores)

O AO90 não altera as regras da ortografia nos domínios dos topónimos e respetivos derivados:
1.   Emprega-se o hífen nos topónimos compostos iniciados por grã, grão (Grã-Bretanha, Grão-Pará), por forma verbal (Passa-Quatro, Mira-Sintra) ou cujos elementos estejam ligados por artigo (Todos-os-Santos, Montemor-o-Novo).
Exceções: Guiné-Bissau e Timor-Leste.
2.   Todos os compostos derivados de topónimos (gentílicos) são hifenizados: cabo-verdiano, rio-grandense-do-sul, mato-grossense, belo-horizontino, vila-franquense, são-tomense. Nalguns casos, há mais do que uma grafia correta: são-joanense, sanjoanense e são-joanino (de S. João da Madeira); são-tomense e santomense.

Conclusões:
São Tomé e Príncipe
 
são-tomense ou santomense
São Tomé (do Paraná ou do Rio Grande do Norte, Brasil)
e
São Tomé das Letras (Minas Gerais, Brasil)
são-tomeense

Abraço especial para S. Tomé e Príncipe.
AP
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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Vodafone, Millennium/BCP e BES adotam o AO90

A Vodafone Portugal anunciou que começou a transição para o Acordo Ortográfico de 1990 (AO) em 1/01/2014, à semelhança das duas outras operadoras de telecomunicações em Portugal, a TMN e a Optimus1.
Noutras áreas em Portugal, o processo de adoção também começou no ano novo: deem-se como exemplos o Millennium/BCP e o Banco Espírio Santo (BES), conforme informação no fundo das páginas principais dos respetivos sítios eletrónicos.
Para uma visão de conjunto das entidades que, em Portugal, até 2013, seguem a nova grafia, pode consultar-se uma lista disponível no blogue Muro das Lamentações, de José Cunha Oliveira (no fim do artigo "Uma discussão absurda e extemporânea") .
Assinale-se ainda o conjunto de cinco artigos escritos pelo deputado português (PS) Carlos Enes e publicados entre 2 e 9 de janeiro no jornal Açoriano Oriental, nos quais, numa perspetiva favorável ao AO, se descreve e discute o que tem sido o processo da sua aplicação.
Entretanto, aguarda-se a discussão na Assembleia da República da petição pública  que reclama a desvinculação de Portugal do AO, bem como a apreciação de um projeto de resolução subscrito pelos deputados Ribeiro e Castro, Michael Seufert (ambos do CDS) e Mota Amaral (PSD), que propõem a criação de um novo grupo de trabalho sobre a aplicação do referido acordo (recorde-se que um grupo anterior, já extinto, esteve ativo entre janeiro e julho de 2013).2
1 Em comentário na comunicação social e nas redes sociais, há quem sustente que o nome próprio Optimus há de perder o p, tal como acontece com a palavra ótimo, que se inclui no léxico comum. Não é isso que prevê o Acordo Ortográfico de 1990 (Base XXI), conservando um critério da norma que o antecedeu, a do Acordo Ortográfico de 1945 (Base L) segundo o qual «pode manter-se a grafia original de quaisquer firmas comerciais, nomes de sociedades, marcas e títulos que estejam inscritos em registo público». Assim se compreende que, apesar de se escrever açoriano, o nome de uma empresa de seguros apresente a grafia açoreana: Açoreana Seguros.
2 Sobre notícias acerca da possibilidade da suspensão do AO no Brasil, convém esclarecer que neste país decorre, como em Portugal, o período de transição, de acordo com o Decreto nº 6583, DE 29 DE Setembro de 2008. (cf. artigo de Mário Vilalva, o embaixador do Brasil em Portugal). Também em relação a afirmações segundo as quais, no Brasil, o Senado teria recusado o AO após aceitação da proposta de dois professores brasileiros, Ernani Pimentel e Pasquale Citro Neto, para a revisão radical da ortografia do português, importa sublinhar que nem o Senado brasileiro se pronunciou, como um todo, contra ou a favor do AO, nem este órgão poderia vincular ou desvincular o Brasil de um tratado internacional, ratificado e em vigor, como o AO.
Transcrito de http://www.ciberduvidas.pt/aberturas.php?id=1849