SEGUIDORES

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

.pé-de-meia ou pé de meia?

Fonte da imagem: AQUI.
 
A Base XV do Novo Acordo Ortográfico (relativa ao uso do hífen em compostos, locuções e encadeamentos vocabulares) determina, no ponto 6, que “Nas locuções de qualquer tipo, sejam elas substantivas, adjetivas, pronominais, adverbiais, prepositivas ou conjuncionais, não se emprega em geral o hífen.
Com esta regra são varridos centenas de hífenes, conseguindo-se uma efetiva simplificação da língua. No entanto, na parte final da redação, introduzem-se exceções desnecessárias: “salvo algumas exceções já consagradas pelo uso (como é o caso de água-de-colónia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao deus-dará, à queima-roupa).

A locução de hoje é uma tais exceções “consagradas pelo uso”. Assim sendo, mesmo com o AO90, continuamos a escrever pé-de-meia!

Com ou sem hífen, um bom pé-de-meia será sempre um conforto.
Abraço.
AP

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

.AO: botânica, zoologia e pontos cardeais... vistos à lupa!

Fonte da imagem: AQUI.
 

A. Embora na prática anterior ao AO90 fosse hábito hifenizar os compostos usados para designar espécies botânicas e zoológicas, não havia uma regra específica como a que o Novo Acordo consagra no nº 3 da Base XV: “Emprega-se o hífen nas palavras compostas que designam espécies botânicas e zoológicas, estejam ou não ligadas por preposição ou qualquer outro elemento”.
A regra parece clara, mas tem suscitado dúvidas:
1. Falando a regra em “espécies”, os nomes comuns e as subespécies têm o mesmo tratamento?
2. Devemos aplicar a regra a todas as designações botânicas ou zoológicas, independentemente de constarem ou não nos verbetes dos dicionários  e vocabulários do Portal da Língua Portuguesa e Academia Brasileira de Letras?
Resposta: Devemos usar hífen em todos os compostos que designam espécies botânicas e animais, mesmo que ao referente dessas designações falte uma conceptualização científica.” (Ciberdúvidas

B. Na era pré-AO, a regra relativa aos pontos cardeais era simples: “Os nomes dos pontos cardeais e dos pontos colaterais, que geralmente se escrevem com minúscula inicial, recebem, por excepção, a maiúscula, quando designam regiões: o Norte do Brasil; os mares do Sul; os povos do Oriente; as terras do Levante; o Ocidente europeu; o Noroeste africano; a linguagem do Nordeste.
Com o AO, fomos presenteados com esta “pérola”: “A letra maiúscula inicial é usada (…) Nos pontos cardeais ou equivalentes, quando empregados absolutamente: Nordeste, por nordeste do Brasil, Norte, por norte de Portugal, Meio-Dia, pelo sul da França ou de outros países, Ocidente, por ocidente europeu, Oriente, por oriente asiático.
E, naturalmente, surgiram dúvidas, muitas dúvidas:
1. Como interpretar o “absolutamente”?
2. Desapareceu a noção de região?
Resposta: Para o Ciberdúvidas, só há maiúscula nos pontos cardeais escritos por extenso quando designam regiões e são usados "absolutamente", isto é, sem complementos: “Vou para o Norte” (“absolutamente”, sem complemento) vs. "Venho do norte de Portugal” (com complemento).

Abraço.
AP

Como complemento da mensagem de hoje, aqui fica a resposta do Ciberdúvidas, publicada hoje mesmo, a uma pergunta que enviei há algum tempo.
Perguntas
Hífen nas espécies vegetais, maiúscula nos pontos cardeais
António Pereira - Ex-professor - Setúbal , Portugal
[Pergunta]
Trago à vossa consideração duas questões.
QUESTÃO 1: Estabelecendo a Base XV do novo Acordo Ortográfico (AO) que se emprega o hífen «nas palavras compostas que designam espécies botânicas e zoológicas», não deveriam todas as palavras que designam espécies de maçãs (por exemplo, maçã-reineta) ser hifenizadas? Não encontro nenhuma palavra que designe espécies de maçãs no VOP (nem de peras: pera-rocha, pera-acabate, etc.). Qual a diferença em relação a feijão-verde (que nem uma espécie é…), batata-semente, couve-roxa, couve-galega ou abóbora-menina?
QUESTÃO 2: Relativamente aos pontos cardeais, diz o novo AO que se usa maiúscula «Nos pontos cardeais ou equivalentes, quando empregados absolutamente: Nordeste, por nordeste do Brasil, Norte, por norte de Portugal». Já a Convenção de 1945 diz que «Os nomes dos pontos cardeais e dos pontos colaterais (…) recebem, por excepção, a maiúscula, quando designam regiões: o Norte do Brasil; os mares do Sul; os povos do Oriente».
Tenho alguma dificuldade em interpretar o «absolutamente»… A noção de região esbate-se com o novo AO?
1. «Vou para o Norte, mas a minha mulher ficou no Sul… No sul de Espanha, devo acrescentar!»
As maiúsculas/minúscula parecem indiscutíveis.
2. «Vou para norte.» / «Viramos para sul.» / «Siga a direção norte!» / «Meca fica a leste.»
As minúsculas são adequadas? Se sim, como explicar a questão do «absolutamente»?
Finalmente, na generalidade dos guias diz-se que os pontos cardeais se escrevem com maiúscula quando designam regiões. Não vos parece ser esta uma “recuperação” do texto de 45 simplista e potencialmente incorreta como se pode constatar no exemplo “norte de Portugal”?
Obrigado.
 
[Resposta]
1. Na aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 (AO 90) o critério adotado tem sido usar hífen em todos os compostos que designam espécies botânicas e animais, mesmo que ao referente dessas designações falte uma conceptualização científica. Por consequência, deve-se escrever maçã-reineta, pera-rocha, pera-abacate, feijão-verde, batata-semente, couve-roxa, couve-galega, abóbora-menina.
2. Há de facto, como bem observa o consulente, uma diferença em relação ao Acordo Ortográfico de 1945 (AO 45), que é introduzida pela ocorrência de «absolutamente» e pelos exemplos dados, os quais levam a distinguir pontos cardeais que designam regiões mas que ocorrem com complemento («sul de Espanha», «norte de Portugal», por oposição a «o Sul» e «o Norte»). Recorde-se que se escrevia «no Sul de Espanha» e «Norte de Portugal», de harmonia com a Base XLI do Acordo Ortográfico de 1945, na qual se lê: «Os nomes dos pontos cardeais e dos pontos colaterais, que geralmente se escrevem com minúscula inicial, recebem, por excepção, a maiúscula, quando designam regiões: o Norte do Brasil; os mares do Sul; os povos do Oriente; as terras do Levante; o Ocidente europeu; o Noroeste africano; a linguagem do Nordeste.»
3. Os guias que apresentam maiúscula inicial nos nomes dos pontos cardeais que designam regiões mas não são usados "absolutamente" afastam-se de facto do AO 90 e seguem o AO 45. Carlos Rocha - 05/02/2013”

domingo, 3 de fevereiro de 2013

.Cristiano Ronaldo marcou um auto-golo ou um autogolo?

A imagem de CR7 veio dAQUI.
 
Hoje, ao almoço, vi na televisão imagens do jogo Granada-Real Madrid, disputado ontem. Na nota de rodapé lia-se: “Real Madrid perde com auto-golo de Cristiano Ronaldo”. Estava dado o mote para a questão de hoje.
Como vimos na mensagem anterior, com a palavra "autoconhecimento", antes do AO90, com o prefixo auto só se hifenizava antes de vogal, h, r ou s. Ou seja, os golos marcados na própria baliza eram… autogolos!
Alterou-se alguma coisa com o AO? O Novo Acordo não introduz hífenes onde eles não existiam, salvo raras exceções (por exemplo, micro-ondas, que antes se escrevia sem hífen: microondas). A regra, agora mais simples e de aplicação mais lata, determina que, em geral, só há hífen quando a letra final do prefixo é igual à letra que inicia o segundo elemento (auto-observação) ou quando este começa por h (auto-hipnose).
 
Conclusão:
Tanto pelas regras de 1945 (1943 no Brasil) como pelas do AO90, Cristiano marcou um autogolo precioso… para a equipa adversária! Melhores dias virão, Cristiano…
 Nota: No Brasil, o termo utilizado é gol. Quanto ao infeliz lance de Cristiano, em vez de recorrer a auto, as crónicas que li usam a expressão gol contra.
 
Boa semana para todos... sem autogolos ou gols contra!
Abraço.
AP

 

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

.auto-conhecimento ou autoconhecimento?

Fonte da imagem: AQUI.
 
Encontrei há pouco num blogue que não segue as regras do Novo Acordo Ortográfico a grafia “auto-conhecimento”.
É frequente ver a palavra hifenizada. Alguns questionam-se se o hífen se mantém ou não com o AO...
É uma falsa questão, uma vez que, seguindo as regras pré-AO, a palavra já não era hifenizada. Era clara a regra que determinava que com auto só havia hífen quando o segundo elemento começava por vogal, h, r, s.
Com o AO, fica reforçada a não hifenização, dado que, em geral, ela só tem lugar quando a letra final do prefixo é igual à letra que inicia o segundo elemento (auto-obervação) ou quando este começa por h (auto-hipnose).

Conclusão:
Tanto pelas regras de 1945 (1943 no Brasil) como pelas do AO90, não há hífen na palavra de hoje: autoconhecimento!

Abraço.
AP

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

.Sobre a prorrogação do AO no Brasil - Luíz C. Amorim (escritor)

Fonte da imagem: AQUI.
Quando vi a notícia de que a Presidente Dilma assinou o decreto 7875, de 27.12.12, alterando o decreto 6583, de 29.9.208, prorrogando para 2015 a obrigatoriedade da aplicação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa no Brasil, pensei que fosse mais uma arbitrariedade daquela senhora, como fez quando decretou que se escrevesse “presidenta”, quando nos referíssemos a ela, modificando toda uma gama de palavras que tomariam, muitas delas, uma forma ridícula.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

.Afinal, quem está a aplicar o Novo Acordo em Portugal?


Tinha a ideia de vos apresentar a lista dos meios de comunicação portugueses que têm vindo a adotar a escrita segundo o Novo Acordo e daqueles que continuam a aplicar as regras de 1945. Por isso, foi com muita satisfação que verifiquei hoje que o Ciberdúvidas acabou de publicar esses dados. Em relação ao Brasil, tenho a ideia de que a generalidade dos media aderiu às novas regras. Logo que tenha dados fiáveis, partilhá-los-ei aqui.

"Em Portugal, até à presente data – ou seja, a pouco mais de meio do período de adaptação das novas regras  – é a seguinte a lista da aplicação, ou não, nos 10 periódicos com maior circulação:

AO/NÃO
 publicação
 circulação
AO
 15,3
AO
 12,7
AO
 10,8
AO
 10,3
AO
 Expresso   
 7,5
AO
 7,1
AO
 6,4
NÃO
 5,2
AO
 4,9
NÃO
4

[Dados relativos à circulação retirados de Bareme Imprensa Marktest de meados de 2012.]
Ao conjunto dos media portugueses que adotaram já o Acordo Ortográfico, juntam-se a SIC, RTP, TVI e demais canais por cabo – a exceção é o Porto Canal –, além dos seguintes periódicos, numa lista necessariamente incompleta: Açoriano Oriental, Algarve Press, As Beiras, AutoSport, Barlavento, Blitz, Destak, ExameMundo Português, Caras, Lux, Nova Gente, Diário do Alentejo, Diário do Minho, Futebolista, Metro, Mística, Jornal de Letras, Ler, O Primeiro de Janeiro, OJE, por exemplo.
Além da grande maioria da  imprensa portuguesa, do aparelho de Estado, das principais instituições públicas e das instituições do ensino básico e secundário, adotaram já, também, o Acordo Ortográfico as principais plataformas de informática e aplicações mais usadas, como as da Microsoft, e os portais mais consultados em Portugal, como o Sapo, a Wikipédia e Google."

Data: 20/01/2013                                                                        Fonte:

Abraço e boa semana!
AP

domingo, 20 de janeiro de 2013

."A falsa unidade ortográfica" - Regina Rocha


Nota prévia: Já disse aqui, mais do que uma vez, que sou um divulgador crítico do Novo Acordo Ortográfico. Uma das vantagens que lhe reconheço é uma efetiva  simplificação das regras, sobretudo na hifenização. Ainda assim, essa vantagem fica “manchada” por duas constatações:
a) As exceções consagradas eram dispensáveis (como compreender que se tenha suprimido o acento desambiguador na forma verbal para, mantendo-o, por exemplo, no infinitivo pôr?);
b) O Vocabulário do Portal da Língua Portuguesa (VOP) e o Vocabulário da Academia Brasileira de Letras (VOLP) não coincidem na leitura do texto do Acordo. O VOLP aplica as regras “à risca”, enquanto o VOP adota uma perspetiva “criativa”/complicativa. Exemplos: à-vontade e à vontade (cá) vs. à vontade (lá); cor-de-rosa e cor de rosa (cá) vs. cor de rosa (lá).
Face ao nó górdio em que o AO se transformou, acho que deve haver ajustamentos/reformulações, mas não sou defensor da sua suspensão ou revogação. No entanto, por uma questão de princípio, e concordando que o objetivo de unificar as normas  euro-afro-asiático-oceânica e brasileira é utópico, não poderia deixar de divulgar aqui o texto de Maria Regina Rocha “A falsa unidade ortográfica”, publicado no jornal Público de ontem.
 
A falsa unidade ortográfica
O Acordo Ortográfico está em causa. Instituições e publicações há que o aplicam; outras, que o rejeitam. O grande público contesta-o, e a esmagadora maioria dos cidadãos não consegue compreender o que se está a tentar fazer à Língua Portuguesa.