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domingo, 12 de janeiro de 2014

k, w e y: danças com letras!


Uma das alterações trazidas pelo Novo Acordo Ortográfico foi a inclusão das letras k, w e y no alfabeto: “O alfabeto da língua portuguesa é formado por vinte e seis letras”.
Antes, segundo o Formulário de 1943 (Brasil) e Acordo de 1945 (Portugal), o alfabeto era constituído por 23 letras.

Na prática, que consequências tem, no uso da língua portuguesa, esta alteração introduzida pelo AO90? NENHUMA!
 
 
Repare:
A. O Formulário Ortográfico de 1911 embora determinasse que eram “proscritas de todas as palavras portuguesas, ou aportuguesadas, as letras k, w, y”, previa exceções:
1.ª Poderão usar-se essas letras em vocábulos derivados de nomes próprios estrangeiros (…).
2.ª Continuam em uso os símbolos W, para denotar o Oeste, e K como abreviatura de unidade métrica, e tambêm na forma international kilo, que todavia se poderá escrever quilo;
B. O AO45, como o FO43, manteve as letras k, w e y fora do alfabeto, mas continuou a prever casos especiais:
O k, o w e o y mantêm-se nos vocábulos derivados eruditamente de nomes próprios estrangeiros que se escrevam com essas letras (…).
C. O AO90 junta as letras k, w e y ao alfabeto, mas circunscreve a sua utilização também a casos especiais: em topónimos e antropónimos originários de outras línguas e seus derivados; em siglas, símbolos e palavras unidades de medida internacional.
 
 
Conclusão:
A inclusão de k, w e y no alfabeto não altera em nada o uso dessas letras na língua portuguesa. Já as tínhamos nos teclados dos computadores e telemóveis…
 
 
Com todas as letras, deixo o meu abraço.
AP

 
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sábado, 11 de janeiro de 2014

são-tomense, são tomense, são-tomeense ou santomense?

S. Tomé e Príncipe (onde deverei estar em março, como voluntário, no âmbito da formação de professores)

O AO90 não altera as regras da ortografia nos domínios dos topónimos e respetivos derivados:
1.   Emprega-se o hífen nos topónimos compostos iniciados por grã, grão (Grã-Bretanha, Grão-Pará), por forma verbal (Passa-Quatro, Mira-Sintra) ou cujos elementos estejam ligados por artigo (Todos-os-Santos, Montemor-o-Novo).
Exceções: Guiné-Bissau e Timor-Leste.
2.   Todos os compostos derivados de topónimos (gentílicos) são hifenizados: cabo-verdiano, rio-grandense-do-sul, mato-grossense, belo-horizontino, vila-franquense, são-tomense. Nalguns casos, há mais do que uma grafia correta: são-joanense, sanjoanense e são-joanino (de S. João da Madeira); são-tomense e santomense.

Conclusões:
São Tomé e Príncipe
 
são-tomense ou santomense
São Tomé (do Paraná ou do Rio Grande do Norte, Brasil)
e
São Tomé das Letras (Minas Gerais, Brasil)
são-tomeense

Abraço especial para S. Tomé e Príncipe.
AP
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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Vodafone, Millennium/BCP e BES adotam o AO90

A Vodafone Portugal anunciou que começou a transição para o Acordo Ortográfico de 1990 (AO) em 1/01/2014, à semelhança das duas outras operadoras de telecomunicações em Portugal, a TMN e a Optimus1.
Noutras áreas em Portugal, o processo de adoção também começou no ano novo: deem-se como exemplos o Millennium/BCP e o Banco Espírio Santo (BES), conforme informação no fundo das páginas principais dos respetivos sítios eletrónicos.
Para uma visão de conjunto das entidades que, em Portugal, até 2013, seguem a nova grafia, pode consultar-se uma lista disponível no blogue Muro das Lamentações, de José Cunha Oliveira (no fim do artigo "Uma discussão absurda e extemporânea") .
Assinale-se ainda o conjunto de cinco artigos escritos pelo deputado português (PS) Carlos Enes e publicados entre 2 e 9 de janeiro no jornal Açoriano Oriental, nos quais, numa perspetiva favorável ao AO, se descreve e discute o que tem sido o processo da sua aplicação.
Entretanto, aguarda-se a discussão na Assembleia da República da petição pública  que reclama a desvinculação de Portugal do AO, bem como a apreciação de um projeto de resolução subscrito pelos deputados Ribeiro e Castro, Michael Seufert (ambos do CDS) e Mota Amaral (PSD), que propõem a criação de um novo grupo de trabalho sobre a aplicação do referido acordo (recorde-se que um grupo anterior, já extinto, esteve ativo entre janeiro e julho de 2013).2
1 Em comentário na comunicação social e nas redes sociais, há quem sustente que o nome próprio Optimus há de perder o p, tal como acontece com a palavra ótimo, que se inclui no léxico comum. Não é isso que prevê o Acordo Ortográfico de 1990 (Base XXI), conservando um critério da norma que o antecedeu, a do Acordo Ortográfico de 1945 (Base L) segundo o qual «pode manter-se a grafia original de quaisquer firmas comerciais, nomes de sociedades, marcas e títulos que estejam inscritos em registo público». Assim se compreende que, apesar de se escrever açoriano, o nome de uma empresa de seguros apresente a grafia açoreana: Açoreana Seguros.
2 Sobre notícias acerca da possibilidade da suspensão do AO no Brasil, convém esclarecer que neste país decorre, como em Portugal, o período de transição, de acordo com o Decreto nº 6583, DE 29 DE Setembro de 2008. (cf. artigo de Mário Vilalva, o embaixador do Brasil em Portugal). Também em relação a afirmações segundo as quais, no Brasil, o Senado teria recusado o AO após aceitação da proposta de dois professores brasileiros, Ernani Pimentel e Pasquale Citro Neto, para a revisão radical da ortografia do português, importa sublinhar que nem o Senado brasileiro se pronunciou, como um todo, contra ou a favor do AO, nem este órgão poderia vincular ou desvincular o Brasil de um tratado internacional, ratificado e em vigor, como o AO.
Transcrito de http://www.ciberduvidas.pt/aberturas.php?id=1849

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

O AO90 “mexe” na crase?

A palavra crase vem do grego krásis, significando «mistura”, “contração».
É esse o sentido que a palavra assume na gramática: fusão de duas vogais numa só. Mais exatamente, resulta da junção da preposição a com:
a)  Os artigos definidos a/as;
b)   As iniciais dos pronomes demonstrativos aquela/aquelas, aquele/ aqueles e aquilo e dos pronomes relativos a qual/as quais.
Exemplos: “Fomos às compras”; “Vamos àquele bar?”

Desde 1973 (1971 no Brasil), data em que foram abolidos os acentos graves dos diminutivos –inho/a (“avòzinha”) e –ito (“pèzito”) e dos advérbios em –mente (“sòmente”), não há alterações no acento grave (`).
Atualmente, todas as situações em que usamos esse acento se devem a crases.

CONCLUSÃO:
O AO90 não introduziu qualquer alteração nos casos de crase.
Nota: No Brasil, com a abertura da pronúncia da letra a, é comum acentuar erradamente em situações em que não há crase.
Exemplo: "Você foi promovido a padrinho." Temos a preposição a, mas não há nenhuma das classes de palavras referidas em a) e b), pelo que não é permitido o uso do acento.

Abraço apertado como uma crase!
AP
Imagem encontrada AQUI.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Com o AO90, mantém-se o hífen à esquerda na mudança de linha?

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1. Muita gente desconhece que, segundo o AO45, quando se partia uma palavra e havia um hífen no final da linha, podíamos repetir esse hífen no início da linha seguinte, mas NÃO ERA OBRIGATÓRIO fazê-lo.
AO de 1945, Base XLIII, nº 6:
Quando se tem de partir uma palavra composta ou uma combinação de palavras em que há um hífen, ou mais, e a partição coincide com o final de um dos elementos ou membros, pode, por clareza gráfica, repetir-se o hífen no início da linha imediata: ex-||-alferes, mão-||-de-obra ou mão-de-||-obra, serená-||-los-emos ou serená-los-||-emos, sub-||-rogar, vice-||-almirante.
Nota: Como a Base XV do FO43 (Divisão Silábica) é omissa em relação à partição de palavras, não sei qual era a regra seguida na norma brasileira.

2. Com o AO90, a repetição do hífen PASSOU A SER OBRIGATÓRIA. A Base XX, nº 6 não deixa dúvidas:
Na translineação de uma palavra composta ou de uma combinação de palavras em que há um hífen ou mais, se a partição coincide com o final de um dos elementos ou membros, deve, por clareza gráfica, repetir-se o hífen no início da linha imediata: ex- -alferes, serená- -los-emos ou serená-los- -emos, vice- -almirante.

Com ou sem hífen, um bom fim de semana!
AP

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Pai Natal OU pai natal?


1. Tanto o Formulário Ortográfico de 1943 (Brasil) como o AO45 (Portugal) são omissos em relação ao uso de maiúscula/minúscula. No entanto, o mais comum era vermos a grafia Pai Natal.
Goste-se ou não do AO90, neste caso, ele dá-nos uma regra clara:
Base XIX - 2  A letra maiúscula inicial é usada: (…)
c) Nos nomes de seres antropomorfizados ou mitológicos: Adamastor; Neptuno/ Netuno.
2. Não há consenso em relação à classe de palavras em que devemos incluir o Natal de Pai Natal. Enquanto para uns (Dicionário da Academia das Ciências e o Portal da Língua Portuguesa) é um adjetivo, para  outros (como a Infopédia) é um nome.
3. No Brasil, o Pai Natal dá lugar ao Papai Noel. Se os dicionários Aulete e Michaelis não o fazem, já o VOLP da Academia Brasileira de Letras regista a designação como substantivo, com hífen (Papai-Noel), tratando-o como um composto com unidade semântica sem elementos de ligação (como em abelha-mestra, por exemplo). Embora seja a única fonte das que consultei que segue este caminho, tem lógica a opção.

CONCLUSÕES:
PORTUGAL
BRASIL
Pai Natal
Papai-Noel  (perspetiva da ABL)
1.Tratando-se de uma pessoa vestida como tal (ou um de objeto a representá-lo), deve usar-se minúscula: pai natal/papai-noel.
2. A forma correta de formar o plural é pais natais/papais-noéis.

Abraço.
AP

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

ano novo ou Ano Novo?


A. Em Portugal, segundo o AO45, escrevíamos com maiúscula ou minúscula, em função do sentido.
B. No Brasil, era sempre com minúscula, conforme determinava a secção XVI, artigo 10º, do Formulário Ortográfico de 1943: “Os nomes das festas pagãs ou populares escrevem-se com inicial minúscula: carnaval, entrudo, saturnais, etc.

CONCLUSÕES:
  Segundo o AO90
PORTUGAL e BRASIL
1. Falando das festividades do 1º dia do ano, maiúscula
Hoje é dia de Ano Novo. (Ano-Novo no Brasil*1)
 
2. Se nos referirmos ao ano inteiro, contrastando com o "ano velho", minúscula:
Feliz ano novo! (= Feliz 2014)!
*1: Os dicionários brasileiros oscilam entre as grafias ano novo e ano-novo. O VOLP da Academia Brasileira de Letras opta pela hifenização, classificando a expressão como substantivo masculino. 
Fontes: FO43, AO45, AO90 e Ciberdúvidas.
 
Abraço e… bom ano para todos!
AP
Nota: O nº 2. f) da Base XIX do AO é clara: “A letra maiúscula inicial é usada (…) Nos nomes de festas e festividades: Natal, Páscoa, Ramadão, Todos os Santos.
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