SEGUIDORES

sexta-feira, 14 de março de 2014

Voluntário em S. Tomé 2: chegada à capital


Depois de uma relativamente longa viagem, tinha os amigos Leigos à minha espera. Fui recebido com muita simpatia por todos e amanhã devo partir para Porto Alegre no sul do país. O ar quente e húmido entranha-se na pele como uma carícia persistente..
Na imagem, obtida no quintal da casa dos LPD aqui na capital, duas carambolas felizes pela chuva intensa e morna que tinha acabado de cair…
Abraço grande para todos.
António

quinta-feira, 13 de março de 2014

Voluntário em S. Tomé 1: partida


Depois de quase ter comprometido a partida com uma queda na horta, chegou o dia zero. Salvou-me de danos maiores o meu cleopátrico nariz que, como um airbag providencial, voou em direção ao passadiço de cimento, amorteceu a queda e limitou os estragos. Com o dedo grande do pé entrapado, o nariz cheio de escoriações e um olho que começou hoje a ficar negro, parto às 23h55.
6 horas mais tarde, terei à minha espera o Nuno e Andreia, elementos da ONG “Leigos para o Desenvolvimento”.
Ainda amanhã ao fim do dia ou no sábado, farei a viagem para o sul da ilha em direção ao meu local de trabalho: a vila piscatória de Porto Alegre. (Ver mapa)
Em função do acesso que venha a ter à internet, partilharei aqui informações e impressões e emoções.

Abraço a todos os amigos, colegas e conhecidos.
António
P.s.: Na preparação da viagem, e após uma ida ao Instituto de Medicina Tropical, iniciei a profilaxia da malária (um comprimido por semana até cerca de um mês após o regresso) e recebi duas vacinas: febre tifoide e hepatite A.
Imagem encontrada AQUI.

domingo, 9 de março de 2014

O Ministério da Educação desconhece o AO de 1945?


No âmbito de uma recolha de itens e de critérios de correção de Língua Portuguesa (1º ciclo), cruzei-me com a prova de aferição de 2012 para o 4º ano de escolaridade.
Para o artigo de hoje, selecionei dois extratos dos “critérios de codificação”:
1º “Até ao ano letivo 2013/2014, na codificação das provas, continuarão a ser consideradas corretas as grafias que seguirem o que se encontra previsto quer no Acordo de 1945, quer no Acordo de 1990 (atualmente em vigor), mesmo quando se utilizem as duas grafias numa mesma prova.
Era o que faltava que assim não fosse! Depois da salada manhosa em que se transformou a implementação do AO90, um pouco de bom senso era o mínimo exigível.
No entanto, parece que aplicação plena das novas regras dá-se já em setembro com entrada do novo ano letivo 2014/2015. Considerando que o período de transição só termina em maio de 2015, dá que pensar...
2º “Devem também ser considerados como erros ortográficos: (…) a ausência de duplo hífen na translineação de palavras com hífen;
É aqui que a porca torce o rabo! Parece que, para a equipa de construiu a prova, este hífen já era e continua a ser obrigatório… Será mesmo assim?
Recuemos quase 70 anos no tempo para ler o que o AO45 diz sobre o assunto:
Quando se tem de partir uma palavra composta ou uma combinação de palavras em que há um hífen, ou mais, e a partição coincide com o final de um dos elementos ou membros, pode, por clareza gráfica, repetir-se o hífen no início da linha imediata: ex-||-alferes, mão-||-de-obra ou mão-de-||-obra, serená-||-los-emos ou serená-los-||-emos, sub-||-rogar, vice-||-almirante.” (Base XLVIII, 6º)
De acordo com o AO45, este hífen podia repetir-se, mas não era obrigatório.

No AO90, a redação foi alterada:
Na translineação de uma palavra composta ou de uma combinação de palavras em que há um hífen ou mais, se a partição coincide com o final de um dos elementos ou membros, deve, por clareza gráfica, repetir-se o hífen no início da linha imediata: ex- -alferes, serená- -los-emos ou serená-los- -emos, vice- -almirante.
Só agora a repetição do hífen é obrigatória.

CONCLUSÃO:
Aplicando o critério de tolerância, teria de aceitar-se como corretas, nas respostas dos alunos, a repetição e a não repetição do hífen na linha seguinte.
Nota: Dei uma espreitadela às duas fases de 2013 do exame nacional do 4º ano. A redação das indicações para os classificadores alterou-se ligeiramente, mas não está clara: “No âmbito do parâmetro F – Ortografia –, são considerados também os erros de (…) translineação;” Deveria lá estar a informação de que a ausência de duplo hífen na translineação não deve ser considerada erro.

Abraço a todos.
AP
Imagem encontrada AQUI.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Qual o plural de éden?


Entrando na língua portuguesa pelo do latim eclesiástico Eden, há dois plurais possíveis para éden: um mais óbvio (édenes); outro, igualmente correto, mas menos conhecido (edens).
Tudo indica que esta possibilidade terá sido introduzida pelo AO90, uma vez que nada encontrei sobre o assunto no texto do AO45 (nem no FO43, aplicado no Brasil).
Parece estranha a forma edens sem acento, uma vez que a regra geral determina que as palavras paroxítonas terminadas em –n (e respetivos plurais) são acentuadas.
A explicação está na IX, nº 2, do AO: “As palavras paroxítonas que apresentam na sílaba tónica/tônica as vogais abertas grafadas a, e, o e ainda i ou u e que terminam em -l, -n, -r, -x e -ps, assim como, salvo raras exceções, as respectivas formas do plural”.
Como dolmens e carmens, edens é uma das “raras exceções”.

CONCLUSÃO:
A palavra éden admite dois plurais: édenes e edens.

Que a vossa vida se preencha de édenes/edens!
AP
Imagem encontrada AQUI.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

CACTO, CATO ou tanto faz?

O mais recente membro da família: o magnífico pachyphytum oviferum!
 
O critério fonético que dá corpo à Base IV do Novo Acordo Ortográfico determinou a coexistência de diferentes tipos de duplas grafias, a maior parte já existentes antes da aplicação das novas regras:
1. Duplas grafias apenas no Brasil: aspecto e aspeto, dicção e dição, corrupto e corruto, facto e fato. Em Portugal, uma única grafia: aspeto, dicção, corrupto e facto.
2. Duplas grafias apenas em Portugal: caracteres e carateres. No Brasil, apenas carateres.
3. Duplas grafias não coincidentes no mesmo espaço geográfico: concepção e recepção (apenas no Brasil); conceção e receção (apenas em Portugal).
4. Duplas grafias para todos os países lusófonos: sector e setor.
 
 
Quanto a cacto e cato, eis o que diz o Portal da Língua Portuguesa:
Ortografia Antiga (1945)*1
  Ortografia Antiga (1943)*2
  Ortografia Nova
Notas
cacto
cacto
cacto, cato
Cato não é usado no Brasil
Cacto não é usado em Portugal
*1- Portugal /*2- Brasil
 
 
CONCLUSÕES:
PORTUGAL
BRASIL
cato
cacto
Abraço sem espinhos!
AP 

sábado, 8 de fevereiro de 2014

couve-flor, couve flor ou couveflor?

Esta foi colhida na minha horta biológica...
 
Encontro com alguma frequência a grafia “couve flor” em blogues e no facebook. Curiosamente, das três grafias em discussão hoje, é a mais improvável.
1.   Escrevia-se “couveflor” até 1910.
2.   Com a aplicação do Formulário Ortográfico de 1911, passámos a escrever couve-flor.
3.   O AO90 nada alterou nos compostos sem elementos de ligação, pelo que se manteve intacta a couve-flor.
CONCLUSÃO:
Escreve-se como já se escrevia: couve-flor!
Com a introdução, através do AO90, da regra que determina a hifenização dos compostos que designam espécies botânicas e zoológicas, é caso para dizer que o hífen em couve-flor está para durar... 
 
Como sei que gostam de histórias, deixo-vos uma bem interessante… e com um final feliz para a couve-flor! Se vos agrada a ideia de um arroz de couve-flor com coentros, é só clicar AQUI. Bom apetite!
Abraço.
AP
História de um hífen que já vem de longe…
Antes de 1911
Aparentemente, não havia a noção de composição em relação a esta palavra.
couveflor
1911
Formulário Ortográfico de 1911
(Portugal e, mais tarde, Brasil)
Os vocábulos compostos cujos elementos conservam a sua independência fonética unem-se por hífen (-) e conservam igualmente a sua acentuação.
 
 
couve-flor
1943
 
Formulário Ortográfico de 1943 (Brasil)
Só se ligam por hífen os elementos das palavras compostas em que se mantém a noção da composição (…), conservando cada um a sua própria acentuação, porém formando o conjunto perfeita unidade de sentido.
 
 
couve-flor
1945
 
Acordo Ortográfico de 1945 (Portugal)
Emprega-se o hífen nos compostos (…) em que o conjunto dos elementos, mantida a noção da composição, forma um sentido único ou uma aderência de sentidos.
 
 
couve-flor
Atualmente
AO90 (Portugal e Brasil)
Base XV, nº 1:
Emprega-se o hífen nas palavras compostas por justaposição que não contêm formas de ligação e cujos elementos (…) constituem uma unidade sintagmática e semântica e mantêm acento próprio.
Base XV, nº3:
Emprega-se o hífen nas palavras compostas que designam espécies botânicas e zoológicas, estejam ou não ligadas por preposição ou qualquer outro elemento.
 
 
 
 
couve-flor


terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Novo Acordo Ortográfico: fonte de “bem estar”?


Na minha leitura (atrasada como sempre…) da revista portuguesa Visão de 16 de janeiro passado, vi-me perante esta passagem do artigo de opinião de Luís Amado (página 16):
A crise acentuou a função crucial do crescimento nas sociedades ocidentais, significativamente definidas como sociedades de consumo e de “bem estar”. É esse “bem estar” que garante a confiança, a paz social e a estabilidade política, fatores críticos do desenvolvimento.

O “bem estar” de Luís Amado (ou da revista Visão?) provocou-me um verdadeiro mal-estar (nunca o muito comum “mau-estar”, analisado AQUI).
Estando o AO longe de ser uma obra imaculada, não deve ser invocado como justificação para aplicações “à la carte” das novas regras: tiram-se os “cês” e os “pês” (dando origem a “fatos” em vez de “factos” e a “patos” em vez de “pactos”) e os hífenes a eito e está feito!

A consulta das fontes não deixa qualquer dúvida:
FONTE
REGRA
GRAFIA
FO1911
De acordo com a Base  XXXIV, b), o hífen “será utilizado também nos seguintes caso: Os advérbios mal, bem, formando o primeiro elemento de um composto, unem-se ao segundo elemento por hífen, quando sem êle a soletração seria errada; ex.: bem-aventurança (…).
bem-estar
FO43
(BRAS)
Segundo a Base XLVI, 5º g), há hífen a seguir a “bem, quando a palavra que lhe segue tem vida autônoma na língua ou quando a pronúncia o requer: bem-ditoso, bem-aventurança, etc.
bem-estar
AO45
(PORT)
A Base XXIX, 12.°), determina o uso de hífen em “compostos formados com o prefixo bem, quando o segundo elemento começa por vogal ou h, ou então quando começa por consoante, mas está em perfeita evidência de sentido: bem-aventurado, bem-aventurança, bem-humorado (…)
bem-estar
AO 90
(PORT
e
BRAS)
Base XV, nº 4: “Emprega-se o hífen nos compostos com os advérbios bem e mal, quando estes formam com o elemento que se lhes segue uma unidade sintagmática e semântica e tal elemento começa por vogal ou h (…): bem-aventurado, bem-estar, bem-humorado.
bem-estar
Nota etimológica:
Vinda do latim bene, a palavra passou pela forma arcaica bẽe. No entanto, já encontramos a grafia bem em textos dos séculos XVIII e XIV. Não consegui descobrir em que altura foi introduzido o hífen em formas em que bem- é elemento de composição, mas encontrei bem-estar em textos do século XIX. Curiosamente, a palavra era considerada galicismo por alguns puristas.

CONCLUSÃO:
Era e é: bem-estar!
Fontes consultadas:
.Infopédia.
.Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado.
.Formulários Ortográficos de 1911 e de 1943 (ainda em vigor no Brasil) e Acordos Ortográficos de 1945 (em vigor em Portugal) e de 1990.

Abraço e desejo a todos muitos momentos de bem-estar!
AP
Imagem encontrada AQUI.