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domingo, 18 de janeiro de 2015

bóia OU boia?




Antes da entrada em vigor do Novo Acordo Ortográfico, a regra era acentuar, tanto em Portugal como no Brasil, o ditongo aberto oi das palavras paroxítonas (graves): heróico, jibóia, jóia. No entanto, por “falta de pronúncia uniforme”, dispensava-se o acento nalgumas palavras como dezoito (com pronúncia fechada no Norte, como acontece no Brasil, e aberta no Sul), comboio e boina.
E com o Novo Acordo Ortográfico, como ficou esta regra?

RESPOSTA:
Passou a escrever-se boia!
NOVA REGRA:
Não se acentuam graficamente os ditongos representados por ei e oi da sílaba tónica das palavras paroxítonas (graves), dado que existe oscilação em muitos casos entre o fechamento e a abertura na sua articulação: assembleia, boleia, ideia (em Portugal já era assim com o ditongo ei desde 1945), paranoia, estroina, heroico, introito, jiboia, etc.
Base IX, nº 3.
Nota: Mantém-se o acento no ditongo aberto oi das palavras oxítonas (agudas): herói, mói, rói, etc.

Abraço.
AP

sábado, 10 de janeiro de 2015

No Brasil, é correto dizer FACTO em vez de FATO?


Uma das diferenças mais marcantes entre o português do Brasil e o português europeu é ouvirmos os brasileiros dizerem fato, algo que estranhamos muito, pois por cá dizemos sempre facto.
Segundo as regras, em Portugal a única grafia correta é facto e o Novo Acordo Ortográfico não nos tirou aquele c, ao contrário do que alguns erradamente dizem.

E no Brasil, como é? A única forma correta é fato?

Embora o Novo Acordo nada tenha alterado nesta palavra e o Formulário Ortográfico de 1943 seja omisso em relação ao assunto, os órgãos oficiais da língua portuguesa do Brasil (Academia Brasileira de Letras) e de Portugal (Portal da Língua Portuguesa) estão de acordo: no Brasil, pode dizer-se facto e fato. Sendo verdade que a grafia usada é fato, qualquer falante poderia legitimamente usar a variante facto.

CONCLUSÃO:
PORTUGAL
BRASIL
facto
fato (grafia usada)
e
facto (grafia também correta)
É caso para dizer que contra fa(c)tos não há argumentos!

Abraço.
AP

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

herói OU heroi?

 
Com base nas alterações introduzidas na acentuação pelo Novo Acordo Ortográfico, há quem tenha suprimido o acento no ditongo “oi” em todas as palavras, passando a escrever, por exemplo, “herói”.

Está correta tal aplicação?
Vejamos o que diz o texto do Novo Acordo Ortográfico:
Base VIII, nº 1 d):
“Acentuam-se com acento agudo (…) as palavras oxítonas com os ditongos abertos grafados -éi, éu ou ói, podendo estes dois últimos ser seguidos ou não de –s”
Base IX, nº 3:
“Não se acentuam graficamente os ditongos representados por ei e oi da sílaba tónica das palavras paroxítonas”.

CONCLUSÃO:
Mantém-se a grafia herói (como dói, mói, corrói, etc.)
Nota: Só houve alteração nas palavras graves (paroxítonas): heroico, paranoico, jiboia, etc.

Abraço.
AP
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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

.rã-tomate OU rã tomate?


Esta rã, como quase todas as rãs, vive em charcos e pântanos e alimenta-se de insetos.
No entanto, tem duas particularidades: existe apenas na ilha de Madagáscar e tem uma cor (entre o laranja e o vermelho) que faz lembrar o tomate e serve de aviso aos predadores para que não tenham a tentação de ver nela um snack pronto a consumir…
Quanto à questão linguística, deve ou não haver hífen na designação do simpático anfíbio?

RESPOSTA:
A grafia correta é rã-tomate!
Esta é uma regra clara do AO90, BASE XV, nº 3:
“Emprega-se o hífen nas palavras compostas que designam espécies botânicas e zoológicas”.
Exemplos:
bem-te-vi-de-cabeça-cinza, macaco-prego-do-peito-amarelo, espinafre-da-nova-zelândia, feijão-mulatinho-de-sementes-graúdas.
Nota: Embora tanto o Formulário Ortográfico de 1943 (Brasil) como o Acordo Ortográfico de 1945 (Portugal) sejam omissos em relação a estes compostos, não tendo uma regra específica que se lhes aplique, a prática seguida (não sei se a 100%) já era hifenizar os nomes das espécies.

Abraço e bom resto de feriado (em Portugal).
AP
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sábado, 29 de novembro de 2014

Há uma palavra com CINCO grafias!


Agora que tanto se fala nas duplas grafias que Novo Acordo Ortográfico introduziu, sobretudo em Portugal (uma vez que elas já existiam no Brasil desde o Formulário de 1943), vale a pena olharmos para um caso único na língua portuguesa...
Tínhamos em Portugal situações raras de triplas grafias (como febra, fevra e fêvera). Com a entrada em vigor do AO90, passámos a ter um “penta”… nos dicionários! Quanto ao Brasil, fica como estava: apenas um “tri”...
 
Grafias
  Espaço geográfico
  deíctico   Portugal*
  deítico   Portugal*
  dêictico   Portugal e Brasil
  dêitico   Portugal e Brasil
  díctico   Portugal e Brasil
*Embora o Portal da Língua Portuguesa inclua na lista “Palavras afetadas pelo AO” deíctico e deítico como grafias usadas no Brasil, tanto o VOLP da Academia Brasileira de Letras como os dicionários brasileiros não as registam, pelo que se deve tratar de um lapso do Portal.

Mas afinal o que é um deíctico/deítico/dêictico/dêitico/díctico?
«Palavra cuja significação referencial só pode ser definida em função da situação, do contexto, do locutor e do recetor do ato de fala.» (Ciberdúvidas)
De uma forma mais chã, podemos dizer que este termo da área da linguística tem como objetivo a localização de uma realidade no tempo e no espaço sem a definir. Exemplos: este, esse, aquele, aqui, ali, aí, agora, hoje, ontem, amanhã, etc.
Enfim, perante tais complicações que a gramática tece, faço minhas as palavras do poeta: “Ler é maçada, estudar é nada./ O sol doira sem literatura.” (Fernando Pessoa)

De forma simples, deixo o meu abraço.
AP
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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

.coacção, coação ou co-acção?


O assunto de hoje surgiu na sequência de uma troca de impressões com um amigo no Facebook. A questão é interessante e concentra muita da polémica gerada à volta do AO90.
Os exemplos apresentados até poderiam representar o paradigma dos objetivos centrais do AO90: simplificar as regras e unificar as normas do português europeu e do português do Brasil...
Digo poderiam, pois há casos que a simplificação e a clareza das regras não foram conseguidas e situações pontuais em que Portugal e Brasil aplicam as novas regras de forma “desunificada”. Veja-se a situação referida mais abaixo em que usamos hífen no prefixo co- antes de h (co-herdeiro) e os brasileiros o aboliram em todos os casos (coerdeiro).

CONCLUSÃO:
Definição
Antes
Portugal
Antes
Brasil
Com o AO90
Port/Brasil
Ação conjunta
[co-+acção]
co-acção
co-ação
 
 
 
coação
 
Ato de coagir, impor algo contra a vontade
[do latim coactiōne-]
 
coacção
 
 
coação
Ação de coar, passar pelo coador
[coa(r)+-ção]
 
coação
Notas:
1. A queda das consoantes c e p não pronunciadas ocorreu no Brasil com o Formulário Ortográfico de 1943, Por razões etimológicas, Portugal optou pela manutenção dessas consoantes na Norma Ortográfica aprovada em 1945.
2. Com a aplicação do AO90, só há hífen a seguir a co- quando o segundo começa por h. Embora com lógica, mas à revelia do texto do Acordo, a Academia Brasileira de Letras decidiu que com co- nunca há hífen, seguindo o procedimento aplicado a palavras como coabitação (grafia anterior ao AO).

Abraço.
AP
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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

.bem feito, bem-feito ou benfeito?

1. “bem feito”
Não é uma opção válida, uma vez que ao contrário de mal (que só hifeniza antes de vogal ou h), bem tem uma relação de “unha com carne” com os hífenes. São inseparáveis!
 
2. benfeito
Adjetivo nascido do particípio passado do verbo benfazer.
No entanto, enquanto o vocabulário da Academia Brasileira de Letras regista este verbo, em Portugal, nem os dicionários nem o vocabulário do Portal da Língua Portuguesa o fazem. Logo, uso de benfeito está validado no Brasil, mas não em Portugal.
Nota: Considerando que o Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa (1977), de JP Machado, regista o verbo benfazer e encontramos na BASE XV do texto do AO90 a grafia benfeito, pareceria lógica a sua inclusão nos dicionários portugueses…

3. bem-feito
Particípio passado de bem-fazer, esta é uma grafia válida e de uso preferencial em todo o espaço lusófono.

CONCLUSÕES:
PORTUGAL
BRASIL
bem-feito
  bem-feito e benfeito
Nota: O VOLP da Academia Brasileira registava apenas benfazer na edição de 2009, tendo sido posteriormente acrescentada a forma bem-fazer. Quando lemos em blogues e sites brasileiros que, com o AO90, “benfeito substituiu bem-feito”, trata-se de uma informação incorreta, provavelmente baseada na versão original do VOLP (já corrigida).
Abraço.
AP 
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