SEGUIDORES

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

ÚLTIMA HORA: AO90 reduz "erecção" em Portugal!

Vinda do latim erectiōne-, «ação de levantar» ;), a "erecção" perdeu o "c", sofrendo um corte de cerca de 15%: EREÇÃO...
O "acto" continua a ser possível, mas reduzido a 75%: ATO.
Num ápice, menos 40% de vitalidade em apenas duas palavras. É caso para dizer que a líbido ficou a meia haste...
Abraço.
AP
P.s.: Contrariamente ao que costumo fazer nos meus "posts", desta vez não publico imagens ilustrativas...

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

.Campanha anti-Ronaldo, anti Ronaldo ou antirronaldo?

Imagem encontrada AQUI.
 
1. A hipótese “anti Ronaldo” não é válida, uma vez que o prefixo não pode estar separado do segundo elemento. Ou aglutina ou recebe um hífen.
2. Quando lemos no nº 2 da Base XVI do AO90 que “Não se emprega, pois, o hífen (…) Nas formações em que o prefixo ou falso prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por r ou s, devendo estas consoantes duplicar-se (…): antirreligioso, antissemita, contrarregra, contrassenha”, parece ganhar corpo a horripilante hipótese “antirronaldo”… Tranquilize-se o leitor já com os nervos à flor da pele e o próprio Ronaldo e passe ao parágrafo seguinte.
3. Resta-nos, assim, “anti-Ronaldo”. Embora a regra não estivesse enunciada no texto do AO45, já se escrevia assim. Com os critérios de aplicação do AO, ficou claro que hífen quando o prefixo está antes de um estrangeirismo, um nome próprio ou uma sigla, como em anti-apartheid, anti-Europa, mini-GPS.

Conclusão:
Joseph Blatter e a Pepsi são anti-Ronaldo? E nós ralados!

Abraço.
AP


sábado, 16 de novembro de 2013

.meta-história ou metaistória?

Imagem encontrada AQUI.
 

1.       PORTUGAL
ANTES
O AO45 é omisso em relação ao assunto. Estava convencido de que a grafia em vigor era “meta-história”, pois nunca encontrei nem em dicionários nem nos documentos redigidos em português europeu disponíveis na internet a grafia “metaistória
No email que o Ciberdúvidas teve a gentileza de me enviar, Carlos Rocha deixa claro que a omissão do AO45 é colmatada por Rebelo Gonçalves, no seu Tratado de Ortografia da Língua Portuguesa (1947), ao incluir "meta-" entre os prefixos que não são seguidos de hífen e que se unem aos elementos imediatos, ficando estes intactos ou sendo alterados com a supressão de “h” duplicação de “r” ou “s”, etc.
Afirma Carlos Rocha: “É, portanto, legítimo concluir que a forma mais adequada à luz do AO 45 seria "metaistória", muito embora no período de plena vigência do referido acordo possa ter-se escrito em muitas publicações a forma "meta-história".
O dicionário Priberam segue esta perspetiva com a nota “Grafia anterior ao Acordo Ortográfico de 1990: metaistória.” Já a Infopedia reconhece apenas “meta-história”.

ATUALMENTE
Não estando “meta-” nos casos especiais de hifenização (como acontece com circum-, pan-, ex-, híper-, etc), segue a regra geral, ou seja, o nº 1 da Base XVI, alíneas a) e b), que determina que só há hífen quando “o segundo elemento começa por h” ou “o prefixo ou pseudoprefixo termina na mesma vogal com que se inicia o segundo elemento”.

2.       BRASIL
ANTES
O Formulário de 1943 também é omisso em relação ao assunto, mas encontrei um elevado número de documentos brasileiros na internet com a grafia “meta-história”. Seria essa a grafia oficial? Não tenho a certeza nem possuo documentos que permitam esclarecer a dúvida.

ATUALMENTE
Pelo que expliquei anteriormente, a grafia só poderia ser uma: “meta-história”. Certo? E-rra-do!
Como os dicionários brasileiros disponíveis online que consultei não registam nem “meta-história” nem “metaistória”, recorri ao VOLP da Academia Brasileira de Letras. Nenhuma das palavras acima referidas lá está, mas encontrei o adjetivo “metaistórico”, o que me leva a concluir que a grafia válida no Brasil é “metaistória”.

CONCLUSÕES:
PORTUGAL
BRASIL
ANTES (1945)
ATUALMENTE
ANTES (1943)
ATUALMENTE
metaistória
meta-história
meta-história?
metaistória
Ou seja, em Portugal temos a grafia que era utilizada no Brasil, enquanto lá se está a usar a forma que tínhamos cá. Lindo serviço!

Abraço e bom fim de semana!
AP

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Acordo ortográfico: o juiz não decide!

Conselho Superior da Magistratura diz que os juízes não podem obrigar peritos ou advogados a escrever no português pré-acordo ortográfico. Decisão de Rui Teixeira é inválida

Rui Teixeira
 
Rui Teixeira não foi o primeiro juiz a obrigar os intervenientes num julgamento a escrever no português pré-acordo ortográfico: antes dele, um magistrado de Viana do Castelo obrigou um advogado a corrigir um texto escrito em 'português atual'.
O episódio motivou uma queixa no Conselho Superior da Magistratura, que acabou por decidir que os juízes não podem, por um lado, ser obrigados a escrever segundo as regras do acordo ortográfico, mas também não podem, por outro lado, obrigar os restantes intervenientes a escrever segundo a antiga ortografia.
Esta semana, o "Público" noticiou que o juiz Rui Teixeira se recusou a aceitar um relatório do Instituto de Reinserção Social porque estava escrito no português pós-acordo. E ameaçou multar quem não escreva em português 'antigo'. Houve mais uma queixa ao Conselho Superior de Magistratura e tendo em conta a anterior decisão deste órgão parece óbvio que a decisão será considerada ilegal.
Ainda assim, os serviços do Instituto de Reinserção Social tiveram de refazer o relatório para o julgamento poder continuar.
Data: 6 de novembro de 2013

 
COMENTÁRIOS:
1. Ser juiz em causa própria (neste caso, em sentido figurado e próprio) é sempre um risco…
2. Segundo o jornal Público, em abril, o juiz Rui Teixeira escreveu que "nos tribunais, pelo menos neste [de Torres Vedras], os factos não são fatos, as actas não são uma forma do verbo atar, os cágados continuam a ser animais e não algo malcheiroso e a Língua Portuguesa permanece inalterada até ordem em contrário".
Teve azar o juiz nos exemplos que foi buscar, pois só a ata pode ser uma forma do verbo atar (mas também pode ser o fruto da ateira…).
Quanto a factos e fatos, a leitura do texto do AO (com a Nota Explicativa), mostra que os factos são nossos e os fatos continuam a ser exclusivamente brasileiros.
Sobre os cágados, a ameaça que pairou sobre o acento do animal esteve na primeira versão do AO de finais dos anos oitenta, mas caiu e não consta no texto do AO90. E se tal alteração tivesse avançado (ainda bem que não foi o caso!), não seria nada de novo, uma vez que a regra que determina que todas proparoxítonas (esdrúxulas) devem ser acentuadas apenas foi introduzida em Portugal com o Formulário Ortográfico de 1911 e cerca de 20 anos mais tarde no Brasil.
3. A cereja em cima do bolo!
Há pouco (11/11/2013), no “Jornal da Noite”, na SIC, Rodrigues Guedes de Carvalho perguntou a Miguel Sousa Tavares se achava legítima a posição assumida pelo juiz. MST não respondeu à questão e aproveitou a circunstância para apresentar a lista de razões anti-AO. RGC, que também é contra o Novo Acordo, despediu-se com uma “pérola”: “Obrigado, Miguel. Na Segunda voltamos a ver-nos com letra maiúscula.” Pois é, Rodrigo. Como o juiz, também teve azar no exemplo. Os dias da semana já eram escritos com minúscula. Mudaram os meses e as estações do ano, mas não os dias da semana. Aqui fica a Base XXXIX do AO de 1945 a comprová-lo: “Emprego de maiúscula nos nomes étnicos de qualquer natureza, nos nomes do calendário (com excepção das designações vernáculas dos dias da semana, tradicionalmente escritas com minúsculas) e nos nomes de festas públicas tradicionais.

sábado, 2 de novembro de 2013

.neo-nazi, neonazi OU neo nazi?

Imagem encontrada AQUI.
 
Recebi ontem um email de um amigo a perguntar se a palavra “neo-nazi” tinha sido desfigurada (!) pelo AO.
A grafia certa é “neonazi”, mas o AO está inocente no caso, pois o hífen é e já era um intruso à margem das leis que regulam a ortografia. O meu amigo é que desfigurou a palavra ;)
Explicação:
Regra anterior:
AO de 1945, em Portugal – BASE 28 e FO* de 1943, no Brasil – BASE XIV:
Regra atual:
O AO90, na BASE XVI, simplifica a regra para Portugal e Brasil:
Emprega-se o hífen em compostos formados com os elementos de origem grega auto, neo, proto e pseudo, quando o segundo elemento começa por vogal, h, r ou s: neo-escolástico, neo-helénico, neo-republicano, neo-socialista.
O elemento neo deixou de ter um tratamento à parte e só leva hífen antes de h: neo-helénico.
ANTES: neonazi          à      DEPOIS: neonazi
*FO = Formulário Ortográfico
Abraço.
AP


domingo, 27 de outubro de 2013

.Especialistas continuam divididos sobre Acordo Ortográfico


Os especialistas continuam divididos sobre a utilidade do novo Acordo Ortográfico, uns criticando a "inércia política" que explica a demora na aplicação, outros acreditando que esta acabará por não acontecer.
Em declarações à agência Lusa, a propósito da segunda conferência sobre o futuro da língua portuguesa, que se realiza na terça e quarta-feira, na Reitoria da Universidade de Lisboa, o linguista Malaca Casteleiro atribui à "inércia política" à demora na aplicação do Acordo Ortográfico (AO) aprovado em 1990.
"O acordo tem duas componentes, uma é linguística e a outra é política, e a componente política falhou, porque não houve vontade de levar o AO por diante, houve desinteresse, não houve empenhamento, em todos os países", critica.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

.Escreve-se Passa-Quatro ou Passa Quatro? (Cidade de Minas Gerais, Brasil)

Imagem (encontrada AQUI) de Passa Quatro, município da Microrregião de São Lourenço, no estado de Minas Gerais, no Brasil, com cerca de 16 000 habitantes. 
Em relação à hifenização dos topónimos, o Novo Acordo Ortográfico nada altera e mantém o que era determinado pelo AO45 (Portugal) e pelo Formulário de Ortográfico de 1943 (Brasil):
Emprega-se o hífen nos topónimos compostos iniciados pelos adjetivos grã, grão ou por forma verbal ou cujos elementos estejam ligados por artigo: (…) Abre-Campo; Passa-Quatro, Quebra-Costas, Quebra-Dentes, Traga-Mouros, Trinca-Fortes;” (AO90, nº2 da Base XV).
Nota: Além dos casos acima apresentados, há duas exceções em que também devemos usar o hífen: Guiné-Bissau e Timor-Leste.
 
CONCLUSÃO:
A grafia correta é apenas uma: Passa-Quatro
Obs.:
1. O mesmo se aplica a Santa Rita do Passa-Quatro e S. Miguel do Passa-Quatro (cidades brasileiras)
2. São poucos os topónimos portugueses em que empregamos forma verbal. A freguesia de Mira-Sintra e a rua de Quebra-Costas (em Coimbra) são dois exemplos.
Abraço.
AP
Respondendo à questão deixada na caixa de comentários, parece que o nome Passa-Quatro remonta ao século XVII e “diz respeito às indicações deixadas pelos bandeirantes que diziam: Vai, do rio Paraíba do Sul, verás ao teu nome uma grande cordilheira, a Mantiqueira. E ao encontrares nela uma garganta profunda, é o Embaú, a única passagem tranquila para o Sertão das Gerais, então galga a serra e Passa Quatro vezes o rio que se escorrega por um verde espaçoso vale.