SEGUIDORES

segunda-feira, 27 de maio de 2013

.mal comportado, mal-comportado ou malcomportado?

Imagem encontrada AQUI.
 
É comum vermos as três grafias do desafio de hoje, sobretudo “mal comportado”. Há uma única grafia correta? É isso que vamos ver. Para variar, a resposta é igual para Portugal e Brasil.
Mal (como bem) tem uma função prefixal, mas é um advérbio, dando origem a palavras compostas. O Novo Acordo Ortográfico refere-se-lhe explicitamente, não alterando as regras de 1943 (Brasil) e de 1945 (Portugal).
Eis o que diz o nº 4 da Base XVI: “Emprega-se o hífen nos compostos com os advérbios bem e mal, quando estes formam com o elemento que se lhes segue uma unidade sintagmática e semântica e tal elemento começa por vogal ou h. No entanto, o advérbio bem, ao contrário de mal, pode não se aglutinar com palavras começadas por consoante.

Conclusão:
Apesar de tudo, as regras aplicáveis a mal são mais regulares do que as aplicamos a bem (que será aqui abordado num futuro artigo). Só há hífen antes de vogal ou h: mal-educado e mal-humorado, mas… malcheiroso, maldisposto, malgovernado, malvisto e malcomportado!

(Com)portem-se bem!
Abraço.
AP


sexta-feira, 17 de maio de 2013

.co-adoção OU coadoção?

Imagem encontrada AQUI.
 
O dilema de hoje ocorreu-me depois de ter visto, ao longo do dia, as duas grafias nas televisões: coadoção da TVI e co-adoção na SIC.
A. Se vive em Portugal e continua a reger-se pela Convenção de 1945, deve escrever co-adopção. É brasileiro e quer continuar a seguir o Formulário de 1943? Nesse caso, escreva co-adoção. 
 
B. Com a aplicação do Novo Acordo, esta é uma daquelas palavras que fica irreconhecível. Eis as razões:
1. A Base IV, ponto 1., determina a queda do p (o que já tinha acontecido no Brasil em 1943): “O c (…) e o p (…) ora se conservam, ora se eliminam.
Assim: (…)
b) Eliminam-se nos casos em que são invariavelmente mudos nas pronúncias cultas da língua: ação, acionar, afetivo, aflição, aflito, ato, coleção, coletivo, direção, diretor, exato, objeção; adoção, adotar, batizar, Egito, ótimo;
2. O hífen teve o mesmo destino do p: sumariamente eliminado! E como se uma não fosse suficiente, levou duas estocadas. Instrumento do “crime”: Base XVI do Novo Acordo.
a) O ponto 1., nas alíneas a) e b) determina que só há hífen antes de h e quando o prefixo ou termina na mesma vogal com que se inicia o segundo elemento (como em anti-inflamatório);
b) Ainda que o hífen tivesse sobrevivido às sevícias referidas em a), a observação colocada junto à alínea b) do ponto 1. ter-lhe-ia dado o golpe de misericórdia: “Nas formações com o prefixo co-, este aglutina-se em geral com o segundo elemento mesmo quando iniciado por o: coobrigação, coocupante, coordenar, cooperação, cooperar, etc.
Quer isto dizer que com o prefixo co- só há hífen antes h. Assim sendo, a grafia atual da palavra é coadoção.
 
 
Nota complementar: A Academia Brasileira de Letras decidiu, em nome da simplificação, mas à revelia do está escrito no texto do NAO, que co- aglutina sempre. Assim, à semelhança do que já acontecia com coabitação, os falantes brasileiros passaram a escrever coerdeiro. Em Portugal, mantém-se a grafia co-herdeiro. A par de outras, esta é uma situação em que os dois lados do Atlântico divergem na aplicação do AO.
 
 
Conclusão:
Tanto em Portugal como no Brasil: coadoção.

Abraço.
AP


segunda-feira, 6 de maio de 2013

.Alliance Française aplica AO… a 50%?

Ando sempre com a máquina fotográfica a postos, pois, quando menos espero, surgem materiais interessantes para os meus blogues.
Enquanto esperava por uma ligação no Metro (estação Marquês de Pombal), vi um anúncio da Alliance Française, tendo fotografado este extrato:

 
Fiquei na dúvida…

A Alliance Française:
a)    aplica o AO a 50% escrevendo (bem) verão com minúscula e (mal) os meses do ano com maiúscula?
OU
b)   não aplica o AO, mas tem um erro ortográfico no cartaz quando escreve (mal) verão com minúscula?

Vamos aos factos:
1. Eis o que se diz no Novo Acordo Ortográfico, Base XIX, nº 1 b):
“A letra minúscula inicial é usada (…) Nos nomes dos dias, meses, estações do ano: segunda-feira; outubro; primavera.”
2. No português europeu, embora usássemos minúscula nos dias da semana, escrevíamos os nomes dos meses e das estações do ano com maiúscula. No português do Brasil, como nas outras línguas latinas (como é o caso do francês), todos os nomes do calendário já eram escritos com minúscula.

Nota final:
Consultando os sítios da Alliance Française, concluí que esta instituição não aplica o AO. Nada contra, uma vez que o período de transição só termina em maio de 2015 (janeiro de 2016 no Brasil). Logo, há um erro ortográfico no cartaz (talvez por contaminação com o francês). Pode acontecer, mas é sempre uma má publicidade…

 
À bientôt.
AP

quarta-feira, 1 de maio de 2013

.Co-herdeiro ou coerdeiro?

Imagem encontrada AQUI.

Este é um dos casos em que há divergências, entre Portugal e Brasil, na interpretação do que está prescrito no texto do Novo Acordo Ortográfico.

A. O que diz o AO na Base XVI, ponto 1. a) e b)
Nas formações com prefixos (…) e em formações por recomposição, isto é, com elementos não autónomos ou falsos prefixos, de origem grega e latina (…)só se emprega o hífen nos seguintes casos:
(…) Nas formações em que o segundo elemento começa por h: anti-higiénico/anti-higiênico, circum-hospitalar, co-herdeiro (…).
Obs.: Nas formações com o prefixo co-, este aglutina-se em geral com o segundo elemento mesmo quando iniciado por o: coobrigação, coocupante, coordenar, cooperação, cooperar, etc.

Comentário:
Sendo o texto claro, não eram previsíveis divergências. Sobretudo, sendo um dos exemplos apresentados no texto do AO… co-herdeiro! Na observação, diz-se que, em geral, há aglutinação de co- com o elemento seguinte. No entanto, “em geral” não é sinónimo de sempre…

B. Um oceano a separar Portugal do Brasil...
1. Com interpretações estapafúrdias noutros casos (sobretudo com a hifenização das locuções), aqui, Portugal andou bem e aplicou de forma fiel o que diz o AO: co-herdeiro.
2. A Academia Brasileira de Letras, com base no princípio da “simplificação”, decidiu que com co- há sempre aglutinação. Assim sendo, no seu VOLP regista apenas coerdeiro (a par de coabilidade, por exemplo).
Andou mal a ABL nesta decisão unilateral. Sendo verdade que a simplificação era um dos objetivos do AO, o principal argumento usado na sua defesa era a promoção da língua portuguesa através da criação de uma única norma para a sua regulamentação. O que se conseguiu neste caso? Onde antes tínhamos uma única grafia, passámos a ter duas: uma para o Brasil e outra para a restante lusofonia.


Conclusões:
PORTUGAL
BRASIL
co-herdeiro (não houve alteração)
coerdeiro (nova grafia) 
Nota: Até 1/01/2016, os brasileiros podem continuar a escrever co-herdeiro, pois o período de transição foi prorrogado pelo governo brasileiro.

 
Abraço.
AP

 

sábado, 27 de abril de 2013

.destroyer, destróier ou destroier?

Imagem encontrada AQUI.
 
Este é um caso cujo interesse advém da aplicação sui generis do texto do Novo Acordo Ortográfico.
Comecemos pelo sentido: “navio muito rápido, para destruir os barcos torpedeiros, equipado com aparelhagem especial para dar caça a submarinos”. (Infopédia)
 
Esclarecido o sentido, vamos às hipóteses apresentadas no título da mensagem.
A. Destroyer
Estrangeirismo do inglês, é uma grafia válida para Portugal, mas não é usada no Brasil.
B. Destróier
Era a forma utilizado utilizada no Brasil antes da aplicação do AO. Considerando a base IX, número 3, das novas regras (“Não se acentuam graficamente os ditongos representados por ei e oi da sílaba tónica das palavras paroxítonas”), esperar-se-ia a queda do acento. Foi isso que aconteceu? Veja a resposta no ponto seguinte.
C. Destroier
Forma claramente fora de jogo, é inválida tanto para Portugal como para o Brasil.
Embora o AO determine a queda do acento no ditongo oi das palavras graves (como em Troia, joia e jiboia), uma outra regra prevalece: a que determina que todas as palavras paroxítonas terminadas em r são acentuadas.
 
 
Conclusões:
Portugal
Brasil
destroyer (entre aspas ou em itálico)
Mas prefira a forma contratorpedeiro.
destroier (como antes do AO)
Nota: Contratorpedeiro está nos dicionários brasileiros e no VOLP da Academia Brasileira, mas não sei se é de uso corrente no Brasil.*
*- Entretanto, o leitor Charles confirmou-me, nos comentários, que contratorpedeiro é comum no Brasil.

Abraço.
AP


quinta-feira, 25 de abril de 2013

.“25 de abril” ou “25 de Abril”?


A. A aplicação do ponto 1 b) da Base XIX do Novo Acordo Ortográfico (“A letra minúscula inicial é usada (…) Nos nomes dos dias, meses, estações do ano”) parece não deixar dúvidas de que devemos escrever “25 de abril”. No Brasil, já se escrevia com minúscula na era pré-AO.
B. E se referirmos a 1974, data da queda da ditadura em Portugal?
Voltemos ao texto do Acordo, à mesma Base XIX, ponto 2 e): “A letra maiúscula inicial é usada (…) Nos nomes de festas e festividades: Natal, Páscoa, Ramadão, Todos os Santos”.
C. Podemos considerar que uma data histórica é uma festividade? Na opinião do Ciberdúvidas, sim.
D. Este é mais um caso, em que, na minha opinião, a redação o texto do AO podia ter sido mais rigorosa. Bastava ter escrito “festas, festividades e datas históricas” ou incluir uma data histórica nos exemplos.

Conclusões:
1. Os meses do ano escrevem-se com minúscula nas datas comuns, como é o caso de “25 de abril de 2013” ou “7 de setembro de 2012”.
2. No entanto, teremos de recorrer à maiúscula para nos referirmos a acontecimentos históricos: “25 de Abril de 1974” (para falarmos do fim da ditadura em Portugal) e “7 de Setembro de 1822” (para nos referirmos à independência do Brasil).

Revisão da matéria:
1.
Imagem encontrada AQUI.
 
Certo com minúscula, pois anuncia-se a data (25 de abril de 2007) da comemoração do 33º aniversário do acontecimento histórico, ou seja, 25 de Abril de 1974.

2.
Imagem encontrada AQUI.
 
Errado, uma vez que é referida a data histórica: 25 de Abril de 1974.

Abraço e, para quem é fã da data, boas comemorações!
AP

250 000 visitas!

Imagem encontrada AQUI.
 
Sinto-me honrado com a vossa entrada frequente neste cibercantinho dedicado à divulgação crítica do Novo Acordo Ortográfico.
Dos 132 países que me visitaram, destaco: Brasil (51,4%), Portugal (39,4%), Estados Unidos (4,3%), Bélgica (0,8%) e Angola (0,6%).
Continuarei a partilhar informações, opiniões e reflexões com o mesmo empenho de sempre.
Segue o meu "Obrigado!" com um abraço tecido de afetos para todos, onde quer que estejam.
António Pereira