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quinta-feira, 25 de abril de 2013

.“25 de abril” ou “25 de Abril”?


A. A aplicação do ponto 1 b) da Base XIX do Novo Acordo Ortográfico (“A letra minúscula inicial é usada (…) Nos nomes dos dias, meses, estações do ano”) parece não deixar dúvidas de que devemos escrever “25 de abril”. No Brasil, já se escrevia com minúscula na era pré-AO.
B. E se referirmos a 1974, data da queda da ditadura em Portugal?
Voltemos ao texto do Acordo, à mesma Base XIX, ponto 2 e): “A letra maiúscula inicial é usada (…) Nos nomes de festas e festividades: Natal, Páscoa, Ramadão, Todos os Santos”.
C. Podemos considerar que uma data histórica é uma festividade? Na opinião do Ciberdúvidas, sim.
D. Este é mais um caso, em que, na minha opinião, a redação o texto do AO podia ter sido mais rigorosa. Bastava ter escrito “festas, festividades e datas históricas” ou incluir uma data histórica nos exemplos.

Conclusões:
1. Os meses do ano escrevem-se com minúscula nas datas comuns, como é o caso de “25 de abril de 2013” ou “7 de setembro de 2012”.
2. No entanto, teremos de recorrer à maiúscula para nos referirmos a acontecimentos históricos: “25 de Abril de 1974” (para falarmos do fim da ditadura em Portugal) e “7 de Setembro de 1822” (para nos referirmos à independência do Brasil).

Revisão da matéria:
1.
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Certo com minúscula, pois anuncia-se a data (25 de abril de 2007) da comemoração do 33º aniversário do acontecimento histórico, ou seja, 25 de Abril de 1974.

2.
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Errado, uma vez que é referida a data histórica: 25 de Abril de 1974.

Abraço e, para quem é fã da data, boas comemorações!
AP

250 000 visitas!

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Sinto-me honrado com a vossa entrada frequente neste cibercantinho dedicado à divulgação crítica do Novo Acordo Ortográfico.
Dos 132 países que me visitaram, destaco: Brasil (51,4%), Portugal (39,4%), Estados Unidos (4,3%), Bélgica (0,8%) e Angola (0,6%).
Continuarei a partilhar informações, opiniões e reflexões com o mesmo empenho de sempre.
Segue o meu "Obrigado!" com um abraço tecido de afetos para todos, onde quer que estejam.
António Pereira


sábado, 20 de abril de 2013

.À semelhança de “microrganismo”, podemos escrever “microndas”?

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O caso de hoje prova, mais uma vez, que, apesar das simplificações introduzidas com o AO, a hifenização continua a ser um verdadeiro bico de obra na língua portuguesa!

ANTES DA APLICAÇÃO DO ACORDO ORTOGRÁFICO
A. Pela tradição lexicográfica, o prefixo micro sempre se aglutinou ao segundo elemento: microorganismo e microondas são exemplos disso. Tínhamos duas vogais juntas, não sendo correto colocar hífen elas. Ao mesmo tempo, tínhamos auto-observação, sendo erro retirar o hífen…
B. A par de microorganismo, tínhamos a variante resultante da crase das vogais: microrganismo. No entanto, não havia crase em microondas.

APÓS DA APLICAÇÃO DO ACORDO ORTOGRÁFICO
A. O ponto 1 da Base XVI determina que “Nas formações com prefixos (…) e em formações por recomposição (…) só se emprega o hífen nos seguintes casos: (…) b) Nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo termina na mesma vogal com que se inicia o segundo elemento: anti-ibérico, contra-almirante, infra-axilar, supra-auricular; arqui-irmandade, auto-observação, eletro-ótica, micro-onda, semi-interno.
A nova regra, embora mantenha, na maior parte dos casos, o que se fazia (como em auto-observação ou em contra-almirante), altera profundamente os procedimentos a adotar com o prefixo micro, introduzindo hífenes onde havia aglutinação: micro-ondas e micro-organismo.
B. No entanto, a par de micro-organismo, foi mantida a variante microrganismo, continuando a haver uma única grafia para micro-ondas (antes sem hífen, agora com ele).
 
 
Conclusão:
Podemos escrever microrganismo, mas não “microndas”.
Por que razão? - perguntará o leitor.
A única explicação que encontrei foi uma resposta dada no Ciberdúvidas, em 2007, segundo a qual não pode haver crase em microondas, devido ao facto de a primeira sílaba do segundo elemento ser a sílaba tónica (ondas), o que não acontece com organismo, em que a sílaba tónica é a penúltima (organismo).
Num primeiro momento, pareceu-me excelente a explicação. Quando comecei a aplicá-la com outras palavras, verifiquei que tal regra falha. Em casos como micro-organização e micro-ondulação, mantêm-se as duas vogais, não sendo tónica a primeira sílaba dos segundos elementos…
Explicação? Recorro a outra resposta do Ciberdúvidas (AQUI): “Trata-se de um caso de forma lexicalizada em que se deu a crase das vogais que ocorrem na periferia do elemento de formação e da base, forma essa já registada na tradição lexicográfica portuguesa e que importa manter.
Por outras palavras: Com microrganismo, a tradição continua a ser o que era!

Abraço.
AP

quarta-feira, 17 de abril de 2013

.Acordo ortográfico tem diferença de 6 meses entre Brasil e Portugal!

O chefe da diplomacia portuguesa disse esta quinta-feira que o prazo para a aplicação plena do acordo ortográfico "tem uma diferença de seis meses" entre Brasil e Portugal e sublinhou a importância da afirmação das culturas num mundo globalizado.
 

"O prazo de plena implementação para o acordo tem uma diferença de seis meses entre o Brasil e Portugal. Mas, refiro, plena aplicação. Nessa matéria seguimos muito o que foi feito no chamado acordo de Brasília, haverá um encontro internacional da língua portuguesa ainda este ano", referiu Paulo Portas durante uma conferência de imprensa conjunta no Palácio das Necessidades com o seu homólogo brasileiro, António Patriota, em visita oficial.
"Em globalização não são apenas as economias que competem, também são as culturas que na sua diversidade se afirmam", sustentou, ao responder às perguntas dos jornalistas.

domingo, 14 de abril de 2013

.Ontem, baixámos ou baixamos os preços?

Decathlon pode continuar a baixar os preços... com acento!
 
Clicando na entrada “Critérios de aplicação do AO” do Portal da Língua Portuguesa, podemos ler:
Passa a ser opcional o uso do acento gráfico para distinguir os seguintes casos:
•as formas do presente das do pretérito perfeito do indicativo em muitos verbos da 1ª conjugação: amamos (presente), mas amámos ou amamos (pretérito perfeito);
•as formas demos (pretérito perfeito do indicativo) e dêmos (presente do conjuntivo e imperativo) do verbo dar.
 
 
Embora numa fase inicial, houvesse quem defendesse (como a Doutora Margarita Correia do ILTEC) que em Portugal devíamos continuar a ensinar na escola a colocar acento na primeira pessoa do plural dos verbos da primeira conjugação, considerando o texto do AO e sobretudo os “Critérios de aplicação do AO”, não se justifica a valorização da grafia acentuada.
Para o Brasil, a questão é simples, pois já não usava o acento.
Justifica-se esta opcionalidade? Sim, uma vez que há realizações fonéticas diferentes. No Brasil (onde o a não é aberto), mas também em Portugal, onde o a é pronunciado aberto no Sul e fechado para um número elevado de falantes no Norte).
 
 
Conclusão:
PORTUGAL e BRASIL
Ontem, baixámos ou baixamos os preços. 
Nota:
Apesar de ser opcional, no Brasil a prática era e continua a ser não colocar acento.
Obs.: O AO também consagrou a dupla grafia fôrma/forma. Na prática, essa opcionalidade é efetiva apenas no Brasil, uma vez que, no português europeu, este acento desambiguador caiu com o Acordo de 1945 (aplicado apenas em Portugal), tendo sido mantido no Formulário de 1943 (seguido no Brasil).
Abraço.
AP


sexta-feira, 12 de abril de 2013

.Afinal, o que é a lusofonia?

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A. CONCEITO
Muito se fala de lusofonia, mas não há unanimidade sobre o que ela é (e o que deverá ser no futuro) e nem todos aceitam o conceito.
Decompondo a palavra (luso+fonia), poderíamos ser conduzidos a uma interpretação de âmbito restrito: “fala dos lusos” (=portugueses). No entanto, os sentidos dicionarizados do termo são bem mais amplos:
1. conjunto dos falantes de português.
2. conjunto de países que têm o português como língua materna ou como língua oficial.
O conceito terá partido “do sonho do pensador brasileiro, Sílvio Romero, que no início do século XX, constata que os países e colônias portuguesas, precisam se unir em prol de formar uma defensiva contra “concorrentes estranhos”, sendo composto por três círculos: 1º- as oito nações lusófonas; 2º- outras línguas e culturas de cada umas dessas oito nações; 3º- “indivíduos e instituições alheios aos países lusófonos, mas que mantêm uma relação, seja por empatia, erudição, ou outro interesse, com a nossa língua em comum.” Fonte: Fábio Lisboa (AQUI).

B. NÚMEROS
Consoante as fontes, assim são os números, que variam entre 190 e mais de 250 milhões.
Considerando que, segundo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, os números “Censo Demográfico 2010” apontam para uma população de quase 191 milhões de pessoas, o número total de lusofalantes ultrapassa seguramente os 200 milhões. Num artigo publicado no semanário Expresso (AQUI) Alexandra Carita atribui à língua portuguesa “mais de 250 milhões de falantes”, de acordo com as estatísticas do Banco Mundial, número bastante superior aos “cerca de 200 milhões” avançados pelo Instituto Camões.

C. RANKING
Também aqui, não há unanimidade: para uns, o português é a 5ª língua mais falada no mundo; para outros, ocupa a 6ª posição. Para o Instituto Camões, o português surge em 6ª lugar (3º nas línguas europeias faladas no mundo, depois do inglês e do espanhol).

D. PESO DE CADA PAÍS LUSÓFONO
As estatísticas do Banco Mundial dizem-nos que o Brasil é o motor da lusofonia com 77,6% dos lusofalantes. Seguem-se Moçambique (9,4%), Angola (7,7%) e… Portugal (4,2%).

Abraço.
AP

quarta-feira, 3 de abril de 2013

.auto-suficiente, autosuficiente ou autossuficiente?

Encontrei este título na versão online (AQUI) do Jornal de Notícias de hoje:

Só em vinho é que somos autosuficientes
No desenvolvimento do artigo era dito que “Portugal apresenta um grau de autosuficiência alimentar de 81%”, o que me deixa a convicção de que não se trata de uma gralha. Acrescento que este jornal aplica o Novo Acordo Ortográfico.

Analisemos a questão ponto por ponto.
1. Segundo o Acordo de 1945 (Formulário de 1943 para o Brasil), a regra dizia que, com o prefixo auto, havia hífen antes de vogal, h, r e s. Logo, o correto era escrever auto-suficiente.
2. Considerando que o JN adotou o AO90, vamos à nova regra, na Base XVI, ponto 2. a): Nas formações em que o prefixo ou falso prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por r ou s, devendo estas consoantes duplicar-se, prática aliás já generalizada em palavras deste tipo pertencentes aos domínios científico e técnico. Assim: antirreligioso, antissemita, contrarregra, contrassenha, cosseno, extrarregular, infrassom, minissaia, tal como  biorritmo, biossatélite, eletrossiderurgia, microssistema, microrradiografia.
Aplicando a regra, temos de passar a escrever autossuficiente! “Autosuficiente” é uma aplicação incorreta das novas regras. Não se escreve nem se escrevia assim.

Conclusão:
A grafia atual é autossuficiente!

Comentário:
Há quem indique esta regra como uma prova de que o AO desfigurou a língua portuguesa. Neste caso, não se justifica a crítica. Este tipo de aglutinação não é novo (sobretudo no campo científico). Já escrevíamos biorritmo, biossatélite, fotossíntese, morfossintaxe, etc. Há uma grafia bem mais estranha que todos conhecemos: girassol. Não são as comuns as aglutinações verbo+nome. Com o AO, temos mais dois casos a juntar à lista: mandachuva e paraquedas (e respetivos derivados) No entanto, o Portal da Língua Portuguesa e Academia Brasileira de Letras leem de forma diferente o texto do Acordo em relação a estas duas situações: por cá, admitem-se também as variantes com hífen (manda-chuva e para-quedas); no Brasil, o VOLP só regista as grafias aglutinadas. Consultando as observações postas a seguir ao ponto 1. da Base XV do AO, tenho de concordar com a aplicação feita pela Academia Brasileira: “Obs.: Certos compostos, em relação aos quais se perdeu, em certa medida, a noção de composição, grafam-se aglutinadamente: girassol, madressilva, mandachuva, pontapé, paraquedas, paraquedista, etc.
Esclarecedor!

Como não somos autossuficientes nos afetos, segue, como sempre, o meu abraço.
AP
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