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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

150 000 visitas: obrigado!

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O blogue acabou de  receber o seu visitante nº 150 000!
117 países no total, mas sobretudo Portugal (47%), Brasil (41%) e Estados Unidos (6%). Agradeço a confiança e continuarei a pesquisar/selecionar/organizar informação para as duas normas (luso-afro-asiática e brasileira) e a partilhá-la consigo de forma crítica e fundamentada.
Abraço a todos os que, nos quatro cantos do mundo, falam e escrevem a língua de Camões. A língua portuguesa é o nosso maior traço de união!
Vosso,
António Pereira.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

.Acordo Ortográfico: ponto da situação em Portugal.

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Uma ortografia em convulsão

Em Portugal, recrudesce a contestação ao Acordo Ortográfico, na sequência da decisão de adiar a sua obrigatoriedade no Brasil, acontecimento já aqui amplamente noticiado e comentado (porque na verdade o que o governo brasileiro decretou foi um prolongamento do período de transição, e não uma suspensão). Com efeito, é grande a mobilização de vários políticos, intelectuais e académicos, em diferentes quadrantes, no sentido de retardar ou revogar a nova ortografia:

— Na Assembleia da República, a Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura aprovou por unanimidade a constituição de um Grupo de Trabalho para Acompanhamento da Aplicação do Acordo Ortográfico, conforme proposta de Miguel Tiago, deputado do Partido Comunista Português. Este grupo tem por objetivo ouvir diferentes personalidades, uma vez que, como diz o deputado português, «[não se pode] ignorar a justeza de algumas críticas e as resistências de elementos dos meios académico e artístico».  Prevê-se que, no final da sessão legislativa, em junho ou julho, seja apresentado um relatório.

— A Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) declarou que vai «continuar a utilizar a norma ortográfica antiga nos documentos e comunicação escrita com o exterior», visto que a aplicação do Acordo Ortográfico ainda não foi convenientemente resolvida, «sobretudo depois de o Brasil ter adiado para 2016 uma decisão final sobre o Acordo Ortográfico, e de Angola ter assumido publicamente uma posição contra a entrada em vigor».

Carlos Reis, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e defensor do AO, em declarações ao jornal Público (10 janeiro), acusa a SPA de «andar atrás de lebres mal informadas ou tendenciosas», porque «o Brasil não adiou uma decisão final sobre o AO, o que fez foi prolongar por mais algum tempo o período de transição até à sua aplicação obrigatória [em 2016]». Carlos Reis frisa  ainda que «que o AO foi já generalizadamente adoptado no Brasil, sem dramas nem histerias». E dá como exemplo o recente anúncio de o Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, se preparar para ajustar às novas regras os textos da comunicação da sua exposição permanente Linha do Tempo da Língua Portuguesa.

Helena Buescu, professora universitária da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL) e coautora de Metas Curriculares de Português para o ensino básico, considera que «[...] este adiamento sublinha a bondade das críticas feitas ao “Acordo”, mostrando que nem em Portugal nem no Brasil (nem nos outros países lusófonos, que mostraram grandes reticências, sendo que Angola ainda não o ratificou) ele conseguiu um consenso mínimo em termos científicos» (artigo publicado no jornal Público em 8 de janeiro). Vasco Graça Moura reforça este argumento, afirmando que «[...] não faz qualquer sentido aplicar-se uma "reforma" que se tornou substantivamente inaplicável e cujos objectivos e pressupostos se evaporaram na prática com o adiamento brasileiro» (no Diário de Notícias de 9 de janeiro). E Maria Alzira Seixo, outra conhecida professora da FLUL, remata: «[...] se isto acontece, não há mais razão para Portugal continuar vergado ao torcilhão que já está sofrendo a sua Língua Pátria, com uma utilização abusiva nas escolas, em publicações, nos documentos do Estado.» (Público, 10 de janeiro). Finalmente, uma carta, ao que parece com 200 subscritores e enviada ao Ministério da Educação e Ciência com o objetivo de revogar o AO, vem «conclamar [o ministro Nuno Crato] a uma tomada de posição sobre uma matéria que é fulcral para a identidade portuguesa: a língua».

Data: 12/11/2012                                                                                                                                     Fonte:


Abraço e bom Carnaval!
AP

domingo, 10 de fevereiro de 2013

.Guiné-Bissau ou Guiné Bissau?

 
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O texto do Novo Acordo não altera as regras aplicáveis aos topónimos, retomando, à letra (incluindo os exemplos), o estipulado no AO45:
Emprega-se o hífen nos topónimos compostos iniciados pelos adjetivos grã, grão ou por forma verbal ou cujos elementos estejam ligados por artigo: Grã-Bretanha, Grão-Pará; Abre-Campo; Passa-Quatro, Quebra-Costas, Quebra-Dentes, Traga-Mouros, Trinca-Fortes; Albergaria-a-Velha, Baía de Todos-os-Santos, Entre-os-Rios, Montemor-o-Novo, Trás-os-Montes.” (Base XV, ponto 2)

À luz da regra transcrita, o topónimo de hoje não seria hifenizado por não corresponder a nenhum dos critérios enunciados. No entanto, podemos ler nas observações: “O topónimo Guiné-Bissau é, contudo, uma exceção consagrada pelo uso.

Conclusão:
Por ser “uma exceção consagrada pelo uso”, devemos continuar a escrever Guiné-Bissau.



Nota: Há outra exceção importante que não é referida no AO: Timor-Leste

Abraço.
AP


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

.pé-de-meia ou pé de meia?

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A Base XV do Novo Acordo Ortográfico (relativa ao uso do hífen em compostos, locuções e encadeamentos vocabulares) determina, no ponto 6, que “Nas locuções de qualquer tipo, sejam elas substantivas, adjetivas, pronominais, adverbiais, prepositivas ou conjuncionais, não se emprega em geral o hífen.
Com esta regra são varridos centenas de hífenes, conseguindo-se uma efetiva simplificação da língua. No entanto, na parte final da redação, introduzem-se exceções desnecessárias: “salvo algumas exceções já consagradas pelo uso (como é o caso de água-de-colónia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao deus-dará, à queima-roupa).

A locução de hoje é uma tais exceções “consagradas pelo uso”. Assim sendo, mesmo com o AO90, continuamos a escrever pé-de-meia!

Com ou sem hífen, um bom pé-de-meia será sempre um conforto.
Abraço.
AP

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

.AO: botânica, zoologia e pontos cardeais... vistos à lupa!

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A. Embora na prática anterior ao AO90 fosse hábito hifenizar os compostos usados para designar espécies botânicas e zoológicas, não havia uma regra específica como a que o Novo Acordo consagra no nº 3 da Base XV: “Emprega-se o hífen nas palavras compostas que designam espécies botânicas e zoológicas, estejam ou não ligadas por preposição ou qualquer outro elemento”.
A regra parece clara, mas tem suscitado dúvidas:
1. Falando a regra em “espécies”, os nomes comuns e as subespécies têm o mesmo tratamento?
2. Devemos aplicar a regra a todas as designações botânicas ou zoológicas, independentemente de constarem ou não nos verbetes dos dicionários  e vocabulários do Portal da Língua Portuguesa e Academia Brasileira de Letras?
Resposta: Devemos usar hífen em todos os compostos que designam espécies botânicas e animais, mesmo que ao referente dessas designações falte uma conceptualização científica.” (Ciberdúvidas

B. Na era pré-AO, a regra relativa aos pontos cardeais era simples: “Os nomes dos pontos cardeais e dos pontos colaterais, que geralmente se escrevem com minúscula inicial, recebem, por excepção, a maiúscula, quando designam regiões: o Norte do Brasil; os mares do Sul; os povos do Oriente; as terras do Levante; o Ocidente europeu; o Noroeste africano; a linguagem do Nordeste.
Com o AO, fomos presenteados com esta “pérola”: “A letra maiúscula inicial é usada (…) Nos pontos cardeais ou equivalentes, quando empregados absolutamente: Nordeste, por nordeste do Brasil, Norte, por norte de Portugal, Meio-Dia, pelo sul da França ou de outros países, Ocidente, por ocidente europeu, Oriente, por oriente asiático.
E, naturalmente, surgiram dúvidas, muitas dúvidas:
1. Como interpretar o “absolutamente”?
2. Desapareceu a noção de região?
Resposta: Para o Ciberdúvidas, só há maiúscula nos pontos cardeais escritos por extenso quando designam regiões e são usados "absolutamente", isto é, sem complementos: “Vou para o Norte” (“absolutamente”, sem complemento) vs. "Venho do norte de Portugal” (com complemento).

Abraço.
AP

Como complemento da mensagem de hoje, aqui fica a resposta do Ciberdúvidas, publicada hoje mesmo, a uma pergunta que enviei há algum tempo.
Perguntas
Hífen nas espécies vegetais, maiúscula nos pontos cardeais
António Pereira - Ex-professor - Setúbal , Portugal
[Pergunta]
Trago à vossa consideração duas questões.
QUESTÃO 1: Estabelecendo a Base XV do novo Acordo Ortográfico (AO) que se emprega o hífen «nas palavras compostas que designam espécies botânicas e zoológicas», não deveriam todas as palavras que designam espécies de maçãs (por exemplo, maçã-reineta) ser hifenizadas? Não encontro nenhuma palavra que designe espécies de maçãs no VOP (nem de peras: pera-rocha, pera-acabate, etc.). Qual a diferença em relação a feijão-verde (que nem uma espécie é…), batata-semente, couve-roxa, couve-galega ou abóbora-menina?
QUESTÃO 2: Relativamente aos pontos cardeais, diz o novo AO que se usa maiúscula «Nos pontos cardeais ou equivalentes, quando empregados absolutamente: Nordeste, por nordeste do Brasil, Norte, por norte de Portugal». Já a Convenção de 1945 diz que «Os nomes dos pontos cardeais e dos pontos colaterais (…) recebem, por excepção, a maiúscula, quando designam regiões: o Norte do Brasil; os mares do Sul; os povos do Oriente».
Tenho alguma dificuldade em interpretar o «absolutamente»… A noção de região esbate-se com o novo AO?
1. «Vou para o Norte, mas a minha mulher ficou no Sul… No sul de Espanha, devo acrescentar!»
As maiúsculas/minúscula parecem indiscutíveis.
2. «Vou para norte.» / «Viramos para sul.» / «Siga a direção norte!» / «Meca fica a leste.»
As minúsculas são adequadas? Se sim, como explicar a questão do «absolutamente»?
Finalmente, na generalidade dos guias diz-se que os pontos cardeais se escrevem com maiúscula quando designam regiões. Não vos parece ser esta uma “recuperação” do texto de 45 simplista e potencialmente incorreta como se pode constatar no exemplo “norte de Portugal”?
Obrigado.
 
[Resposta]
1. Na aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 (AO 90) o critério adotado tem sido usar hífen em todos os compostos que designam espécies botânicas e animais, mesmo que ao referente dessas designações falte uma conceptualização científica. Por consequência, deve-se escrever maçã-reineta, pera-rocha, pera-abacate, feijão-verde, batata-semente, couve-roxa, couve-galega, abóbora-menina.
2. Há de facto, como bem observa o consulente, uma diferença em relação ao Acordo Ortográfico de 1945 (AO 45), que é introduzida pela ocorrência de «absolutamente» e pelos exemplos dados, os quais levam a distinguir pontos cardeais que designam regiões mas que ocorrem com complemento («sul de Espanha», «norte de Portugal», por oposição a «o Sul» e «o Norte»). Recorde-se que se escrevia «no Sul de Espanha» e «Norte de Portugal», de harmonia com a Base XLI do Acordo Ortográfico de 1945, na qual se lê: «Os nomes dos pontos cardeais e dos pontos colaterais, que geralmente se escrevem com minúscula inicial, recebem, por excepção, a maiúscula, quando designam regiões: o Norte do Brasil; os mares do Sul; os povos do Oriente; as terras do Levante; o Ocidente europeu; o Noroeste africano; a linguagem do Nordeste.»
3. Os guias que apresentam maiúscula inicial nos nomes dos pontos cardeais que designam regiões mas não são usados "absolutamente" afastam-se de facto do AO 90 e seguem o AO 45. Carlos Rocha - 05/02/2013”

domingo, 3 de fevereiro de 2013

.Cristiano Ronaldo marcou um auto-golo ou um autogolo?

A imagem de CR7 veio dAQUI.
 
Hoje, ao almoço, vi na televisão imagens do jogo Granada-Real Madrid, disputado ontem. Na nota de rodapé lia-se: “Real Madrid perde com auto-golo de Cristiano Ronaldo”. Estava dado o mote para a questão de hoje.
Como vimos na mensagem anterior, com a palavra "autoconhecimento", antes do AO90, com o prefixo auto só se hifenizava antes de vogal, h, r ou s. Ou seja, os golos marcados na própria baliza eram… autogolos!
Alterou-se alguma coisa com o AO? O Novo Acordo não introduz hífenes onde eles não existiam, salvo raras exceções (por exemplo, micro-ondas, que antes se escrevia sem hífen: microondas). A regra, agora mais simples e de aplicação mais lata, determina que, em geral, só há hífen quando a letra final do prefixo é igual à letra que inicia o segundo elemento (auto-observação) ou quando este começa por h (auto-hipnose).
 
Conclusão:
Tanto pelas regras de 1945 (1943 no Brasil) como pelas do AO90, Cristiano marcou um autogolo precioso… para a equipa adversária! Melhores dias virão, Cristiano…
 Nota: No Brasil, o termo utilizado é gol. Quanto ao infeliz lance de Cristiano, em vez de recorrer a auto, as crónicas que li usam a expressão gol contra.
 
Boa semana para todos... sem autogolos ou gols contra!
Abraço.
AP

 

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

.auto-conhecimento ou autoconhecimento?

Fonte da imagem: AQUI.
 
Encontrei há pouco num blogue que não segue as regras do Novo Acordo Ortográfico a grafia “auto-conhecimento”.
É frequente ver a palavra hifenizada. Alguns questionam-se se o hífen se mantém ou não com o AO...
É uma falsa questão, uma vez que, seguindo as regras pré-AO, a palavra já não era hifenizada. Era clara a regra que determinava que com auto só havia hífen quando o segundo elemento começava por vogal, h, r, s.
Com o AO, fica reforçada a não hifenização, dado que, em geral, ela só tem lugar quando a letra final do prefixo é igual à letra que inicia o segundo elemento (auto-obervação) ou quando este começa por h (auto-hipnose).

Conclusão:
Tanto pelas regras de 1945 (1943 no Brasil) como pelas do AO90, não há hífen na palavra de hoje: autoconhecimento!

Abraço.
AP