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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

.secção ou seção?

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Chegou-me ao email o documento sobre a Avaliação de Professores “Questões e Respostas” do DGAE (departamento do Ministério da Educação de Portugal). O objetivo dos seus autores seria escrever o documento segundo as regras do Novo Acordo Ortográfico.
Para além do “arcaísmo” auto-avaliação, que perdeu o hífen, destaco o uso repetido de seção/seções (nas perguntas 19, 22 e 25). Falha surpreendente e quase imperdoável, considerando que é cometida por quem deveria ser um modelo na aplicação de regras…
Trata-se de uma aplicação incorreta do ponto 1. c) da Base IV do NAO: “Conservam-se ou eliminam-se facultativamente, quando se proferem numa pronúncia culta, quer geral, quer restritamente, ou então quando oscilam entre a prolação e o emudecimento”. Em secção, o c é inequivocamente pronunciado. Consultando os dicionários portugueses e o Vocabulário do Portal da Língua Portuguesa, lá está, preto no branco: secçãoàPortugal e seçãoàBrasil. Na grafia desta palavra não houve nenhuma alteração, mantendo-se o que estava em vigor desde 1943 (Brasil) e 1945 (Portugal).
A mesma situação se passa, por exemplo, com as palavras aspeto e aspecto; dicção e dição; facto e fato; corrupto e corruto, em que há dupla grafia para o Brasil, mas apenas uma para Portugal (assinalada a azul).

CONCLUSÕES:
Portugal (norma luso-afro-asiática) 
secção
Brasil (norma brasileira) 
seção e secção
Nota: Embora seção pareça ser mais comum, segundo os dicionários e o Vocabulário da Academia Brasileira de Letras, é igualmente correta a escolha de secção.

Abraço.
AP

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Bom Natal para todos!

Fonte da imagem: AQUI.

Festas felizes para todos os lusofalantes. Com amor no coração e os olhos postos num futuro melhor!
Annio Pereira

sábado, 22 de dezembro de 2012

.pára-quedas, para-quedas ou paraquedas?

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Mais um caso espantoso! Aqui, o imbróglio resulta da aplicação “à la carte” do Novo Acordo Ortográfico.

A. O que diz o texto do Novo Acordo
Base XV, Obs.: “Certos compostos, em relação aos quais se perdeu, em certa medida, a noção de composição, grafam-se aglutinadamente: girassol, madressilva, mandachuva, pontapé, paraquedas, paraquedista, etc.
“Então, o caso está encerrado: paraquedas!” – Dirá, sem pestanejar, o meu caro leitor…
Calma, calma… O que acaba de ler não é o fim da viagem. É apenas o ponto de partida...

B. O que regista a Academia Brasileira de Letras
paraquedas
“Então o caso não está encerrado, Sr. AP?” – Insistirá o leitor amigo.
Como disse há pouco, a nossa viagem não é assim tão linear…

C. O que diz o Portal da Língua Portuguesa (Portugal)
paraquedas… e… para-quedas!
Perante o espanto do leitor, devo recordar que avisei duas vezes…

D. O que dizem os dicionários
Portugal
Infopédia: paraquedas… e… para-quedas / Priberam: paraquedas
Brasil
Aulete e Houaiss: paraquedas
O leitor continua mudo…

Comentário:
O Novo Acordo Ortográfico tem (tinha? teve?), entre outras, duas finalidades: simplificar e unificar. No caso de hoje, sendo as palavras paraquedas e paraquedista apresentadas no texto do NAO como exemplos de compostos a grafar aglutinadamente, houve umas “cabecinhas pensadoras” que resolveram complicar em Portugal o que parecia claro. Numa resposta como consultor do Ciberdúvidas, D´Silvas Filho (que muito aprecio), em 19/03/2010 (AQUI), embora entenda que, por analogia com outros compostos com para- (ex.: para-brisas, para-raios), se possam propor como grafias alternativas para-quedas, para-quedista e para-quedismo, diz, em relação à decisão do Portal da Língua Portuguesa de incluir estas formas hifenizadas: “penso que deveria ter sugerido estas soluções unicamente como «alternativas não preferenciais», não como variantes ortográficas.

Partamos agora para as conclusões que é possível apresentar a partir deste admirável mundo de perspetivas não coincidentes…

CONCLUSÕES:
Portugal (norma luso-afro-asiática)
 
paraquedas (no respeito estrito pelo texto AO) e para-quedas (porque o Portal da Língua Portuguesa apresenta a palavra como variante)
Brasil (norma brasileira)
 
apenas  paraquedas
Nota: Sempre sem acento, pois a generalidade dos acentos desambiguadores caiu com o NAO.

Abraço e bom resto de sábado!
AP

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

.Ontem, dançámos ou dançamos?

Esta é uma das áreas em que o Novo Acordo não é pacífico para o português europeu. Se a maior parte dos guias e linguistas considera que a acentuação da 1ª pessoa do pretérito perfeito dos verbos da 1ª conjugação (os que terminam em –ar) é facultativa, outros há (como Margarita Correia do ILTEC) que entendem que o acento se deve manter em Portugal.
Embora já tenha seguido a perspetiva de Margarita Correia, considerando o que se diz sobre o assunto no Portal da Língua Portuguesa (órgão oficial do AO) e que há um fechamento da pronúncia nalgumas zonas geográficas (como o Brasil e o norte de Portugal), justifica-se a facultatividade deste acento distintivo, sob pena de estarmos a discriminar uma parte da realização fonética da língua.

CONCLUSÕES:
Portugal (norma luso-afro-asiática) e  Brasil (norma brasileira)
O acento na 1ª pessoa do pretérito perfeito dos verbos da 1ª conjugação (terminados em –ar) é facultativo. Assim sendo, dançámos ou dançamos!

Abraço e boas danças!
AP
P.s.: Fonte da imagem: AQUI.

domingo, 16 de dezembro de 2012

.anti-aderente, antiaderente ou anti aderente?

A frigideira já era e continua a ser... antiaderente!

Para a pergunta que uma internauta me endereçou, a resposta é, para todos os países lusófonos, antiaderente!
A. Já era assim pelas regras de 1945 (1943 no Brasil): “Emprega-se o hífen em palavras formadas com (…) com os prefixos anti, arqui e semi, quando o segundo elemento tem vida à parte e começa por h, i, r ou s (…).
B. As regras do Novo Acordo reforçam o não uso de hífen em antiaderente, uma vez que só se hifeniza: a) quando a letra inicial do segundo elemento é igual àquela com que termina o prefixo: anti-ibérico; b) se o segundo elemento começar por h: anti-histamínico.
Nota: A aplicação do AO contribuiu para o desaparecimento de um elevado número de hífenes. São raros os casos em que acontece o contrário. Exemplo: microondas (antes) à micro-ondas (agora).

Abraço.
AP
P.s.: Fonte da imagem: AQUI.

sábado, 15 de dezembro de 2012

.Notícias da galinha Benny!

Aqui está a Benny (branca e preta, em primeiro plano) com uma amiga e o seu galo!

A pedido de várias famílias, aqui deixo notícias do pinto nascido há uns meses na Escola Secundária de Ferreira Dias (no Cacém, junto a Lisboa), no âmbito de uma experiência na disciplina de Biologia. Chocado numa estufa, o “infante” galináceo sobreviveu graças aos mimos e cuidados extremosos da D. Cristina, funcionária do segundo piso.
Hoje, galinha feita, a Benny já põe e está integrada no bando principal da capoeira com mais sete companheiras e um lindo galo. Excelente rácio, considerando o que dizem os especialistas na matéria: um galo para doze galinhas.

Abraço e bom fim de semana!
AP

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

100 000 visitas!

Fonte da imagem: AQUI.
Vindos de 100 países, chegaram ao blogue 100 000 cliques! Dois anos de trabalho feito com muito prazer e dedicação são compensados pela vossa passagem por aqui, sobretudo Portugal (54%), Brasil (33%), Estados Unidos (8%), Bélgica (1,5%), África lusófona (1,1%) e Alemanha (1%).
A todos em geral e em particular aos 81 seguidores, o meu obrigado e a promessa de continuar a pesquisar e a partilhar conclusões. Espero, acima de tudo, ser útil.

Abração.
AP