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domingo, 16 de dezembro de 2012

.anti-aderente, antiaderente ou anti aderente?

A frigideira já era e continua a ser... antiaderente!

Para a pergunta que uma internauta me endereçou, a resposta é, para todos os países lusófonos, antiaderente!
A. Já era assim pelas regras de 1945 (1943 no Brasil): “Emprega-se o hífen em palavras formadas com (…) com os prefixos anti, arqui e semi, quando o segundo elemento tem vida à parte e começa por h, i, r ou s (…).
B. As regras do Novo Acordo reforçam o não uso de hífen em antiaderente, uma vez que só se hifeniza: a) quando a letra inicial do segundo elemento é igual àquela com que termina o prefixo: anti-ibérico; b) se o segundo elemento começar por h: anti-histamínico.
Nota: A aplicação do AO contribuiu para o desaparecimento de um elevado número de hífenes. São raros os casos em que acontece o contrário. Exemplo: microondas (antes) à micro-ondas (agora).

Abraço.
AP
P.s.: Fonte da imagem: AQUI.

sábado, 15 de dezembro de 2012

.Notícias da galinha Benny!

Aqui está a Benny (branca e preta, em primeiro plano) com uma amiga e o seu galo!

A pedido de várias famílias, aqui deixo notícias do pinto nascido há uns meses na Escola Secundária de Ferreira Dias (no Cacém, junto a Lisboa), no âmbito de uma experiência na disciplina de Biologia. Chocado numa estufa, o “infante” galináceo sobreviveu graças aos mimos e cuidados extremosos da D. Cristina, funcionária do segundo piso.
Hoje, galinha feita, a Benny já põe e está integrada no bando principal da capoeira com mais sete companheiras e um lindo galo. Excelente rácio, considerando o que dizem os especialistas na matéria: um galo para doze galinhas.

Abraço e bom fim de semana!
AP

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

100 000 visitas!

Fonte da imagem: AQUI.
Vindos de 100 países, chegaram ao blogue 100 000 cliques! Dois anos de trabalho feito com muito prazer e dedicação são compensados pela vossa passagem por aqui, sobretudo Portugal (54%), Brasil (33%), Estados Unidos (8%), Bélgica (1,5%), África lusófona (1,1%) e Alemanha (1%).
A todos em geral e em particular aos 81 seguidores, o meu obrigado e a promessa de continuar a pesquisar e a partilhar conclusões. Espero, acima de tudo, ser útil.

Abração.
AP

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

.Novo Acordo: confusão à vista?

Bagão "Governo quis ser mais 'acordês' do que o acordo, agora é a confusão"
 
Após o Brasil ter anunciado a intenção de adiar para 2016 a entrada em vigor do Acordo Ortográfico, o ex-ministro das Finanças Bagão Félix, volta a atirar farpas ao Governo com refinada ironia, acusando-o, num artigo de opinião publicado esta quarta-feira no Jornal de Negócios de ser “mais ‘acordês’ do que o acordo”, pelo que “agora está instalada a confusão”.
 
O Executivo português ratificou o novo acordo ortográfico em 2008, sendo que estava previsto que o Brasil o fizesse ao abrir do pano de 2013. Porém, o país irmão do outro lado do Atlântico decidiu agora recuar nessa intenção, alegando um senador brasileiro que “o acordo é uma colcha de retalhos e está muito confuso”, cita o economista Bagão Félix num artigo de opinião que assina hoje no Jornal de Negócios.
O responsável considera, neste contexto, que “cá, o Governo na altura da ratificação (2008) quis ser mais ‘acordês’ do que o acordo, tendo determinado a sua aplicação apressada no sistema educativo e em todas as entidades públicas”. Agora, prossegue o ex-ministro, “está instalada a confusão”. Até porque também Angola ainda não aprovou o acordo.
Desta feita, salienta o economista em tom crítico, “em vez de nos preocuparmos em combater a indigência gramatical que se vai tornando a norma, acelerámos a entrada em vigor de um acordo que empobrece a língua portuguesa optando pela unicidade da estúpida prevalência do critério fonético” e aqui abre um parêntesis questionando “por que razão o h não foi às malvas”.
Ao longo do texto, Bagão Félix, sempre sob o chapéu do acordo ortográfico, procede também a alguns trocadilhos, nomeadamente com a União (ou falta dela) Europeia, ou com o actual Executivo.
Data: 12/12/2012                                                                             Fonte:
COMENTÁRIO:
Que o Acordo é, nalgumas áreas, uma trapalhada, é! No entanto, quando se diz que Portugal se antecipou ao Brasil... não corresponde à verdade. O Acordo entrou em vigor em 13 de maio de 2009 em Portugal (terminando o período de transição em 2015), enquanto no Brasil isso aconteceu em janeiro de 2009. O que estava previsto era que o período de transição no Brasil terminasse no primeiro dia de 2013. Contrariamente ao que defende Bagão Félix, Portugal nunca foi mais "acordês" do que o acordo, pois foi sempre o Brasil a liderar o processo.
Abraço.
AP

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

.Brasil adia entrada em vigor do Novo Acordo?

Governo brasileiro prepara decreto para adiar acordo ortográfico para 2016

Imagem: AFP/Frank Perry
O novo acordo ortográfico foi introduzido nas escolas portuguesas no ano letivo de 2011/2012
 
Segundo o que acabo de ler, no Brasil, o Novo Acordo não entra em vigor no próximo dia 1 de janeiro, prolongando-se o período de transição até 2016. Em Portugal, a aplicação plena está prevista para maio de 2015.
Espero que se aproveite este tempo extra, sobretudo em dois domínios:
a) Para desatar os nós górdios que ornamentam aqui e ali o texto do AO;
b) Para criar um Vocabulário Comum fidedigno (previsto para 2014) que acabe com divergências incompreensíveis entre os Vocabulários disponíveis online: o do Portal da Língua Portuguesa e o da Academia Brasileira de Letras (com muito mais entradas, apesar de se tratar da mesma língua…).
Aqui deixo a notícia, com data de 7 de dezembro:
 
O senador Cyro Miranda, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB-GO), anunciou que a Presidente do Brasil, Dilma Roussef, está a preparar um decreto que adia a entrada em vigor do novo acordo ortográfico (AO) naquele país para 2016. O acordo é aplicado nas escolas portuguesas desde 2011.
Fonte da assessoria do Ministério de Relações Exteriores brasileiro avançou aos meios de comunicação locais que a pasta está a preparar um decreto que será apresentado à presidente Dilma Rousseff e que tem o intuito de protelar a entrada em vigor do novo AO, escreve o Jornal do Brasil.
O acordo, assinado em 2008 por sete países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), e que pretende simplificar as regras ortográficas e aumentar o prestígio da língua no cenário internacional, deveria ser aplicado pelo governo a partir de 1 de janeiro de 2013, ditavam as normas estabelecidas pelos países.
O senador de Goiás, Cyro Miranda, um dos mais acérrimos críticos do novo acordo, confirma que a presidente Dilma Rousseff tem a intenção de emitir um decreto que adia a data.
Cyro Miranda acrescenta que o ideal seria adiar a vigência para 2018 ou fazer um outro acordo que tenha a contribuição de mais setores da sociedade.
“Para além do novo acordo ter sido mal feito, os professores ficaram de fora”, disse. “Precisamos de rever tudo. Temos que descomplicar a língua, se não vai ser só retórica... Temos que aprovar um formato com lógica”, disse Cyro Miranda, citado pela Agência Brasil.
O senador afirma que governo brasileiro vai sugerir aos outros países que adiem a vigência do novo AO para que todos possam fazer uma total reformulação. 
As mudanças nas regras da língua portuguesa foram elaboradas para uniformizar a grafia dos países que utilizam o idioma e dos oito membros da CPLP apenas Angola não aderiu ao documento.
O novo AO foi introduzido no sistema educativo português em 2011. A 1 de janeiro de 2012, órgãos, serviços, organismos e entidades governamentais adotaram oficialmente a nova grafia. Nuno de Noronha                                                                       
Fonte:

Nota minha: Está previsto que Angola ratifique Acordo Ortográfico em 2013, devido à necessidade de incluir o vocabulário nacional no da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Abraço e bom fim de semana!
AP

sábado, 1 de dezembro de 2012

Depois do Acordo: bilingue ou bilíngue?

Fonte da imagem: AQUI.
 
Mais um caso interessante e complicadinho em que Portugal e Brasil, embora partilhando o Atlântico, navegam em águas não totalmente convergentes.

A. BRASIL
Na fase de transição, os falantes brasileiros ainda vão poder continuar a escrever bilíngüe. Em 1/1/2016, a norma determina uma única grafia válida: bilíngue!

B. PORTUGAL
Para nós, a fase de transição termina apenas em maio de 2015 (em Angola e Moçambique ainda nem começou…). No entanto, em relação ao assunto de hoje, o Novo Acordo não alterou nada.
1. Enquanto no Brasil o trema (¨) só caiu com o Novo Acordo Ortográfico (embora em 1971 tenha sido retirado de alguns hiatos como em saudade, manteve-se nos grupos qu e gu , como em agüentar e bilíngüe), no português europeu, o Acordo de 1945 aboliu-o definitivamente.
2. Embora Cândido de Figueiredo, no seu Dicionário de Língua Portuguesa de 1913, registe apenas bilingue, a leitura Base 27 do Acordo Ortográfico de 1945 parece indiciar que escrevíamos bilíngüe até essa data.
3. Num artigo do Ciberdúvidas (AQUI), que também parece confirmar a grafia bilíngüe até 1945, o colaborador D'Silvas Filho diz que “segundo Rebelo Gonçalves, válidas as duas variantes gráficas bilingue ¦gg_e¦ (letra u muda) e bilíngue ¦gu-e¦ (u pronunciada e palavra esdrúxula aparente).” No artigo não é identificada a obra de Rebelo Gonçalves que valida a dupla grafia bilíngue/bilingue, mas deverá tratar-se de uma destas duas: Tratado de Ortografia da Língua Portuguesa (1947) ou Vocabulário da Língua Portuguesa (1966). Não posso confirmar, pois são obras esgotadíssimas e, infelizmente, não possuo nenhuma delas.

Assim, temos em Portugal uma dupla grafia (em função da forma como pronunciamos), confirmada, de forma taxativa, por esta resposta do Ciberdúvidas, datada de 1997:
[Pergunta] Faz algum sentido que «bilingue» leve acento? (Duarte Viana:::: Lisboa, Portugal)
[Resposta] Bilingue pode levar acento, porque se admitem estas duas pronúncias:
a) grave: bilingue /bi-lin-gue/;
b) esdrúxula: bilíngue /bi-lín-gu-e/.
N.E.: bilingue, palavra esdrúxula com o u pronunciado, admite a variante bilingue, como vocábulo grave e com o u sem se ouvir. J.N.H./ A.P.:: 01/07/1997

CONCLUSÕES:
Portugal
bilingue e bilíngue
Nota: multilingue/multilíngue, plurilingue/plurilíngue e trilingue/trilíngue.
Brasil
apenas bilíngue
Nota: o u é pronunciado.

Abraço.
AP

P.s.: Hoje, 4/12, foi publicada no Ciberdúvidas uma resposta que confirma as conclusões apresentadas nesta mensagem. Pode lê-la AQUI.
 

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

.Meses do ano: sempre com minúscula?


A foto tirada perto de minha casa em Azeitão é o ponto de partida para a dúvida de hoje. Para quem gosta de marisco, peixe e é apreciador de choco frito, fica a sugestão. A matéria-prima é fresquíssima e a confeção caprichada!

1. Enquanto em Portugal, até à entrada em vigor do Novo Acordo, escrevíamos os meses do ano com maiúscula (Base 39 do Acordo de 1945), no Brasil, o Formulário Ortográfico de 1943, no artigo 3º, Base 49, determinava que “Os nomes dos meses devem escrever-se com inicial minúscula: janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro.
2. O Novo Acordo Ortográfico apresenta agora uma única regra para todo o espaço lusófono, na Base XIX, ponto 1 c): “A letra minúscula inicial é usada (…) Nos nomes dos dias, meses, estações do ano: segunda-feira; outubro; primavera.

Pergunta: Então, os meses do ano passaram a escrever-se sempre com minúscula?
Resposta: Antes do NAO havia, na escrita dos meses do ano, exceções no uso da maiúscula em Portugal e da minúscula no Brasil e vai continuar a ser assim. Vamos aos casos, com uma viagem seletiva ao interior do texto do Novo Acordo:
1. Base XXI: “Para ressalva de direitos, cada qual poderá manter a escrita que, por costume ou registo legal, adote na assinatura do seu nome. Com o mesmo fim, pode manter-se a grafia original de quaisquer firmas comerciais, nomes de sociedades, marcas e títulos que estejam inscritos em registo público.
Tanto as empresas/marcas como as pessoas que têm no seu nome um dos doze meses do ano continuarão a escrevê-lo com maiúscula, pois esse direito está salvaguardado. Assim tanto o Sr. Janeiro como o seu restaurante “Casa Janeiro” conservam as maiúsculas.

2. Há que submeter a regra específica da minúscula nos meses do ano, às regras gerais do uso de maiúcula, na Base XIX, ponto 2: “A letra maiúscula inicial é usada:
a) Nos antropónimos, reais ou fictícios: Pedro Marques; Branca de Neve, D. Quixote.
O Sr. António Janeiro (do restaurante), cujo nome já estava salvaguargado pela Base XXI, vê o Janeiro com maiúscula reforçado por esta alínea.
 
b) Nos topónimos/topônimos, reais ou fictícios: Lisboa, Luanda, Maputo, Rio de Janeiro, Atlântida, Hespéria.
O Rio de Janeiro vai continuar lindo e… com maiúscula, graças unicamente a esta alínea b), uma vez que não há nenhuma salvaguarda prevista para os topónimos. Por exemplo, Troia perdeu o acento.
(…)
 
e) Nos nomes de festas e festividades: Natal, Páscoa, Ramadão, Todos os Santos.
Também as “Festas de Maio” de Odemira (sul de Portugal) conservam o seu Maio com maiúscula. Segundo o Ciberdúvidas, esta regra é extensiva às datas históricas como, por exemplo, 25 de Abril em Portugal (Revolução dos Cravos) e 7 de Setembro no Brasil (data da proclamação da independência).

f) Nos títulos de periódicos, que retêm o itálico: O Primeiro de Janeiro, O Estado de São Paulo (ou S. Paulo).”
O jornal português O Primeiro de Janeiro reforça a sua maiúscula.

Abraço.
AP