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domingo, 18 de novembro de 2012

.obrigado ou obrigada?

Fonte da imagem: AQUI.

Este é um assunto em que as respostas taxativas não sáo fáceis de dar, pois não há unanimidade em relação à catalogação gramatical das palavras obrigado(s) e obrigada(s). O Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa, diz que são interjeições, para o Houaiss são adjetivos (participiais) e a Porto Editora regista as duas classificações. Vamos à sistematização possível:
A. Para a generalidade dos autores, obrigado deve concordar em género e em número com o sujeito/emissor, ou seja, quem está no uso da palavra.
Veja-se este exemplo adaptado de um blogue (AQUI):
"As alunas, emocionadas, disseram:
-- Obrigadas, professora. Jamais nos esqueceremos de suas aulas.
-- Eu é que devo dizer obrigada pelo vosso empenho, queridas alunas."
B. O Ciberdúvidas refere a posição do seu consultor Peixoto da Fonseca que, não discordando do que ficou dito em A., “defende, contudo, que obrigado é também usado como interjeição e que a concordância pode ser neutralizada, quando uma mulher agradece. Deste modo, Obrigado! pode ter como emissor ou um indivíduo do sexo masculino ou outro, do sexo feminino, ou ainda um grupo, independentemente do sexo dos falantes. Ainda dentro desta perspectiva, observa-se que o uso não consagrou a situação inversa, a de um homem agradecer com "Obrigada!".

CONCLUSÃO
Portugal (norma luso-afro-asiática) e Brasil (norma brasileira)

  Emissor
Enunciado
1 homem
Obrigado
1 mulher
Obrigada
2 homens ou 1 homem e 1 mulher
Obrigados
2 mulheres
Obrigadas
Mas:
Se incluirmos estas fórmulas na classe das interjeições, é aceitável, seguindo a perspetiva de Peixoto da Fonseca, que uma mulher ou um emissor no plural digam “Obrigado!”. No entanto, o uso de “Obrigada!”, “Obrigadas!” ou “Obrigados!” terá estar em sintonia com o género/número do emissor.
Conselho final:
Considerando o conteúdo do excerto (também do Ciberdúvidas) que passo a transcrever, o mais seguro será usar obrigado(s) ou obrigada(s), em função do emissor: “Note-se, no entanto, que Rebelo Gonçalves, no seu Vocabulário da Língua Portuguesa (1966), indica que obrigado é uma interjeição flexiva, registando a forma muito obrigada. Parece, pois, poder-se concluir que a concordância deve ser observada.

Abraço.
AP
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sábado, 17 de novembro de 2012

.buganvília, bunganvílea ou bougainvíllea?

Fonte da imagem: AQUI.
 
Os vocabulários autorizados registarão grafias alternativas admissíveis, em casos de divulgação de certas palavras de tal tipo de origem (a exemplo de fúcsia/ fúchsia e derivados, bungavília/ bunganvílea/ bougainvíllea).
Este extrato da Base I, ponto 3, do Novo Acordo deixa-me intrigado:
1. Nas “alternativas admissíveis” não consta buganvília, o termo mais utilizado em Portugal.
2. As versões bungavília e bunganvílea não constam nem nos dicionários nem nos vocabulários.
3. Enquanto a Academia Brasileira de Letras e o Houaiss registam a versão bougainvíllea (a que é usada no Brasil), os dicionários da Porto Editora e o VOP do Portal da Língua Portuguesa apresentam a grafia bougainvillia, considerada estrangeirismo pelo Portal. No entanto, os dicionários franceses que consultei registam apenas as grafias bougainvilléa , bougainvillier e bougainvilléa.
4. A palavra vem do antropónimo Bougainville, navegador francês do sec XVIII.
 
 
CONCLUSÕES:
Portugal (norma luso-afro-asiática)
bougainvillea (em itálico ou entre aspas*) e buganvília
Nota:
Brasil (norma brasileira)
bouganvíllea
* Se seguirmos a classificação de estrangeirismo, proposta no Portal.
Abraço.
AP
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quarta-feira, 14 de novembro de 2012

.audio-visual, áudio-visual ou audiovisual?

Fonte da imagem: AQUI. 
1. Um amigo questionou-me acerca da alteração ou não da palavra pelo Novo Acordo, uma vez que sempre a escreveu com hífen e viu-a aglutinada num dicionário acabado de comprar.
2. Considerando que existe o nome áudio como elemento autónomo, poderíamos concluir a que a hifenização seria correta. Já vi nalgumas escolas mais antigas, construídas nos anos 50 e 60 do século XX, placas com o termo “áudio-visual”.
3. As pesquisas que fiz não me permitiram concluir se alguma vez se usou o hífen, mas a grafia audiovisual é a que está (e já estava antes do Acordo) nos dicionários e vocabulários.
4. A ausência do hífen é justificada pelo Ciberdúvidas numa resposta dada a um consulente em 1997: “audiovisual é correcto, sem hífen, e, se o tivesse, precisaria de acento agudo no primeiro elemento. Escreve-se, pois, pegado, como costuma dizer-se e se encontra dicionarizado. A regra aplicável, analogicamente, é a que se lê na página 250 do Tratado de Ortografia Portuguesa do Professor Rebelo Gonçalves (Coimbra, 1947), segundo a qual o primeiro elemento, «proveniente do grego ou do latim e terminado em o, se combina com um ou mais elementos substantivos ou adjectivos». (F. V. Peixoto da Fonseca:: 01/02/1997)
Nota: A resposta foi dada em 1977. Com a entrada em vigor do Novo Acordo Ortográfico, o “audio” terá de ser separado por hífen se o segundo elemento começar por h (sempre sem exceções) ou o (dado que “audio” também termina em o), como em áudio-história. O único caso em que esta regra geral não se aplica é com o prefixo co-, que só leva hífen antes de h: co-herdeiro. Mas atenção: No Brasil, o co- aglutina sempre, mesmo antes de h: coerdeiro.

CONCLUSÃO:
Portugal (norma luso-afro-asiática) e Brasil (norma brasileira)
audiovisual
 
Abraço.
AP
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terça-feira, 13 de novembro de 2012

Os protestos em Lisboa foram: anti Merkel, anti-Merkel ou antiMerkel?

Fonte da imagem: AQUI. 

Este é um daqueles casos em que não havia uma regra enunciada que nos permitisse hifenizar ou não com segurança. Nada havendo sobre o assunto no Acordo de 1945 (nem no Formulário de 1911), era prática colocar hífen: anti-Merkel.
E o que diz o texto do Novo Acordo sobre o assunto? Nada, mas os critérios do Vocabulário Ortográfico do Português (AQUI), disponível no Portal da Língua Portuguesa, dão-nos a resposta: “O hífen é usado (…) quando: (…) a palavra a que se juntam é um estrangeirismo, um nome próprio ou uma sigla: anti-apartheid, anti-Europa, mini-GPS.
Sendo Merkel um nome próprio, devemos escrever: anti-Merkl. O NAO não alterou a prática anterior, mas dá-nos uma regra clara. Ou quase, pois não há referência aos acrónimos. Consultei o Ciberdúvidas, cuja opinião é a de que a regra se aplica às siglas e acrónimos.

CONCLUSÃO:
Portugal (norma luso-afro-asiática) e Brasil (norma brasileira)
anti-Merkl

Abraço.
AP
P.s. Tenha também:
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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

.sub-17, sub 17 ou sub17?

Fonte da imagem: AQUI.

Esta é uma questão em que tanto o Acordo de 1945 (Formulário de 1943 no Brasil) como o Novo Acordo Ortográfico Acordo são omissos.
1. Sempre li (sobretudo nos jornais desportivos) e escrevi com hífen (sub-17, sub-18, sub-19, sub-21).
2. Para o Ciberdúvidas, numa recente resposta (7/11/2012), uma vez que “se adotou o critério de fazer seguir prefixos de hífen antes de estrangeirismos (anti-doping), nomes próprios (anti-Bush), e siglas (anti-FMI), parece lícito incluir entre estes casos o dos algarismos e escrever sub-17.
Infelizmente, são múltiplas as situações em que o texto do Novo Acordo deixa muito a desejar em termos de clareza e facilidade de aplicação. Como no caso de hoje, algumas ambiguidades e indefinições transitam de reformas anteriores; outras são consequência de um estudo insuficiente das implicações da utilização das novas regras. A redação pouco cuidada também não ajuda!

CONCLUSÃO:
Portugal (norma luso-afro-asiática) e Brasil (norma brasileira)
sub-17, sub-18, sub-21, etc.

Abraço.
AP
P.s.
1. Nova mensagem no http://portuguesemforma.blogspot.pt: ir de encontro a OU ir ao encontro de?
2. Nova mensagem no http://bloguedoincrivel.blogspot.pt: Bola caída... do céu!

terça-feira, 6 de novembro de 2012

.sequóia gigante ou sequoia-gigante?

Fonte desta magnífica foto: AQUI.
 
Questão 1: com ou sem hífen?
Antes de mais, não percamos de vista com que estamos a falar de uma “árvore de grande porte (chega a atingir 150 metros de altura, nas florestas da Califórnia)” (Infopedia.pt). E isso faz toda a diferença, pois, ao falarmos de uma espécie botânica, viajamos direitinhos a este extrato da Base XV do Novo Acordo Ortográfico: “Emprega-se o hífen nas palavras compostas que designam espécies botânicas e zoológicas, estejam ou não ligadas por preposição ou qualquer outro elemento”.                                                                       Resposta 1: com hífen!
 
Questão 2: com ou sem acento?
Antes do Novo Acordo, este ditongo aberto, salvo raras exceções (como comboio e dezoito), era acentuado. A Base IX do NAO traz novidades: “Não se acentuam graficamente os ditongos representados por ei e oi da sílaba tónica das palavras paroxítonas”. Sendo sequoia uma palavra paroxítona (grave)… adeus acento! A regra é incómoda, pois desconfigura-nos os automatismos, mas tem uma vantagem preciosa: não tem exceções.                         Resposta 2: sem acento!
 
À exceção do VOLP da Academia Brasileira de Letras, nenhuma outra fonte consultada regista a nossa espécie botânica (que pode chegar aos 3000 anos!). Este composto (do inglês sequoia, de See-Quayah, antropónimo) devia estar registado em todos os dicionários e vocabulários com esta grafia: sequoia-gigante!
 
CONCLUSÃO:
Portugal (norma luso-afro-asiática) e Brasil (norma brasileira)
sequoia-gigante
Abraço.
AP
P.s.:
Nova mensagem no http://portuguesemforma.blogspot.com: raia ou arraia?
 


sábado, 3 de novembro de 2012

.cão-de-guarda ou cão de guarda?

Eu mordo... muito! Minha gloriosa foto veio dAQUI.
 
Esta pergunta foi-me enviada por um ex-aluno. Segundo ele, a Base XV parece determinar o uso de hífenes em "cão-de-guarda".
1. Eis os que diz o nº 3 da Base XV: “Emprega-se o hífen nas palavras compostas que designam espécies botânicas e zoológicas, estejam ou não ligadas por preposição ou qualquer outro elemento (…).
Compreende-se o desvio na interpretação, mas a locução “cão de guarda” designa apenas uma função e não uma espécie zoológica. Várias raças de cães podem ser “cães de guarda” como o pastor-alemão, o pastor-alentejano ou o serra-da-estrela. Por serem raças, os três nomes são hifenizados.
2. A resposta à pergunta poderia estar na mesma Base XV, mas no nº 6: “Nas locuções de qualquer tipo, sejam elas substantivas, adjetivas, pronominais, adverbiais, prepositivas ou conjuncionais, não se emprega em geral o hífen, salvo algumas exceções já consagradas pelo uso (como é o caso de água-de-colónia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao deus-dará, à queima-roupa).
Não estando nas exceções, a locução perderia os hífenes. Só que... já não os tinha antes da aplicação da reforma ortográfica. Logo, vamos continuar a escrever: cão de guarda.
CONCLUSÃO:
Portugal (norma luso-afro-asiática) e Brasil (norma brasileira)
cão de guarda
Abraço.
AP
P.s.:
Nova mensagem no http://portuguesemforma.blogspot.com: biquini, biquíni ou bikini?