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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

.concerteza ou com certeza?

Será que o vini vai amá-la um dia... com certeza? (Fonte do interessante documento: AQUI.)
 
Esta é a uma dúvida que me apresentam de forma recorrente.
Para responder, passo a transcrever, com a devida vénia, duas fontes fidedignas.
A. Mensagem publicada, em 6 de junho de 2007, no blogue http://emportuguescorrecto.blogs.sapo.pt/6202.html (acedido em 16.08.2012):
 
Concerteza ou com certeza ?
A resposta é fácil: deve-se usar sempre duas palavras e
nunca uma única.
 
Ex. Com certeza que estarei presente na tua festa.

B. A provar que este assunto é fonte de muitas dúvidas (e asneiras!), em 1977, foi dada, no Ciberdúvidas, esta resposta a uma consulente que dizia, confusa, que a sua professora ensinara que se deveria escrever “concerteza”. Aqui ficam a pergunta e a resposta.
Com certeza
[Pergunta] “Antes da realização de uma prova escrita na minha universidade, a nossa professora alertou-nos para os erros de ortografia mais comuns, entre os quais apresentou, segundo ela, a forma correcta de escrever a expressão indicada no título. A professora indicou que a forma correcta de escrever era «concerteza» ao invés de «com certeza», que eu sempre julguei ser a correcta! O que venho aqui saber é qual das duas opções está correcta.” Carla :: :: Portugal
[Resposta] “Até custa acreditar mas, olhe, neste caso, quem tem de aprender é a professora. Qualquer dicionário ajudará a aluna a ministrar uma boa aula de português elementar: com certeza, locução adverbial, formada pela preposição de e o substantivo certeza. E se a prof. ainda persistir no erro (como acontece com muita outra gente com responsabilidades a escrever por aí…), sugira-lhe o seguinte exercício prático: substitua-se a prep. de pela prep. com. Com certeza que ficará sem certeza(s) dessas.” J.M.C. :: 01/03/1997
C. As DICAS são uma espécie de regras light, simplificadas e com caráter prático. Para este caso, deixo duas sugestões.
– Para além do exercício proposto no Ciberdúvidas com a preposição de, basta escrever o contrário para concluir que são duas palavras: com certeza vs. sem certeza.
– O corretor ortográfico do Office pode dar-lhe uma ajuda preciosa. Se escrever “concerteza”, ao deixar o espaço para escrever a palavra seguinte, ele corrigirá automaticamente para “com certeza”. É só estar com atenção e aproveitar este recurso inestimável. Se ficar com dúvidas em relação à correção feita pelo sistema, faça uma pesquisa tira-teimas para ver quem tem razão: você ou o corretor. E não esqueça: se errar é humano, corrigir-se é… divino!

Abraço a todos.
AP

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Em bom português: demais ou de mais?


Finalmente, ganhei coragem para vos trazer este dilema, verdadeiro bico de obra da nossa língua. Este, mais do que qualquer outro, terá de ser apresentado por pontos para evitar baralhar as ideias. As minhas e as vossas...

1. A maneira mais simples que sempre segui para ajudar os meus alunos a tomar, com um grau de certeza elevado, a decisão certa foi dar-lhes duas dicas:
A. De mais é equivalente a “demasiado”, a mais” e, ao contrário de demais, é substituível por “de menos”. Exemplo: “Ele come gelados de mais.”
B. Nos casos não abrangidos em A., a opção certa é, muito provavelmente, demais, que pode significar “além disso” (“Não, não te vou perdoar; demais, nem desculpa me pediste!”) ou “os restantes”/“os outros” (“Os alunos da fila junto à porta podem sair. Os demais aguardam mais um minuto.”).
2. Na rubrica “Pelourinho” do Ciberdúvidas (AQUI), Regina Rocha:
a) defende que se deve escrever de mais para exprimir a noção de quantidade (“Nenhuma vida é de mais.”);
b) para exprimir a intensidade (correspondente a “muitíssimo”, “em demasia”), propõe demais (advérbio de modo) como intensificador de formas verbais, advérbios ou adjetivos. Dá como exemplos: «Aquele rapaz dorme demais.» «A jarra é frágil demais; vai partir-se.» «Para aquele pasquim, ele escreve bem demais
3. O FLIP, nas “Dúvidas Linguísticas”, faz uma abordagem aprofundada do assunto, recorrendo a várias fontes. Para Rebelo Gonçalves, por exemplo, de mais pode ser associado a quantidade, mas também a intensidade, contrariando a posição de Regina Rocha (referida no ponto 2.). Transcrevo o parágrafo final da resposta:
Por este motivo, excluindo os dois contextos referidos inicialmente (ex.: entregou a certidão, mas os demais documentos serão enviados pelo correio; considerou o resultado insuficiente, demais nunca gostara daquele serviço), poderá ser opcional o uso de de mais ou de demais. Por outro lado, a expressão de mais pode ainda corresponder apenas à preposição de seguida do pronome indefinido mais, sem qualquer unidade sintáctica ou semântica (ex.: serviu-se de [mais] arroz; a entrada de [mais] pessoas pode criar problemas de sobrelotação; precisava de [mais] dinheiro) e nesse caso, obviamente, não poderá ser utilizada a forma demais.
4. O blogue http://linguamodadoisec.blogspot.pt apresenta uma explicação semelhante à referida em 1., mas acrescenta: “No entanto, tem havido uma tendência crescente para escrever a locução de mais como uma só palavra, a tal ponto, que alguns dicionários, como o Priberam (da Texto Editores), já atestam que demais significa o mesmo que demasiado, assim como algumas gramáticas, como a Saber Falar, Saber Escrever (Dom Quixote), incluem demais nos advérbios de quantidade.
Mais uma vez, conclui-se que os falantes é que vão moldando a língua de acordo com a sua vontade.
5. No Brasil, a tendência é optar, na generalidade dos casos, por demais. Veja esta explicação que encontrei em http://g1.globo.com/platb/portugues/2008/09:
Demais OU de mais?
1) DEMAIS significa “excesso, muito, demasiadamente ou o restante”: “Ela trabalha demais”; “Comeu demais”; “Os demais podem voltar para casa”.
2) DE MAIS equivale a “a mais”, opõe-se a “de menos”: “Recebeu dinheiro de mais (= a mais)”; “Não tem nada de mais (nada de menos)”.
Nota: Para uma explicação mais consistente, clique AQUI.
6. Para a explicação mais completa sobre o assunto que encontrei (no Ciberdúvidas), clique AQUI.


7. CONCLUSÕES (para toda a lusofonia):
1. Como dica orientadora, transcrevo um extrato do artigo referido no ponto anterior: “Regra prática para escolher a forma adequada: opor de mais a de menos. Se de menos for possível, é natural que de mais também seja possível.”
2. Se estiver em estado desesperado ou em dúvida (mesmo depois de aplicar o teste com o “de menos”), escreva demais!
3. Se for professor(a), seja tolerante, pois esta é uma matéria que não tem nada de simples e as fontes não são coincidentes. Pode aceitar opcionalmente demais ou de mais, exceto quando o sentido for “os outros” ou “além disso”. Aí, só pode ser demais.


Depois de tanto tempo à volta deste assunto, espero ter ajudado.

Bom resto de feriado!
AP

P.s. De mais é uma locução adverbial, enquanto demais pode ser um pronome ou um determinante demonstrativo (quando significa “os outros”), um advérbio (quando corresponde a “além disso”) ou um adjetivo (“Ela é demais!”).

terça-feira, 14 de agosto de 2012

.mandado ou mandato de captura?

Imagem encontrada AQUI.
 
Ambas as expressões existem, mas são utilizadas em contextos bem distintos, dado que o seu significado é diferente.
 
A. Mandado: Este nome, particípio passado do verbo mandar, corresponde, na maior parte dos casos, a uma ordem ou determinação superior.
 Exemplo: Mandado de captura/prisão/busca emitido pelo tribunal.
 
B. Mandato: Do latim mandātu-, significa autorização, procuração e, acima de tudo, poder conferido a alguém para, em seu nome, praticar certos atos.
Exemplo: Os deputados têm um mandato que lhes foi conferido pelos eleitores.
 
 
RESPOSTA AO DESAFIO DE HOJE:
 Embora seja comum lermos/ouvirmos “mandato de captura”, a forma correta é “mandado de captura”.
 
Bom serão!
AP

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

.Oceânia ou Oceania?

Uma amiga fez-me chegar esta dúvida.
Aprendi Oceania na escola primária, mas o melhor nestes casos é pesquisar em várias direções.
O grande Rebelo Gonçalves aconselha Oceânia, considerando a grafia Oceania incorreta. Outras fontes (como o Grande Dicionário, da Porto Editora, o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências ou o Ciberdúvidas) vão no mesmo sentido.
CONCLUSÕES:
1. Na norma luso-africana, escreva Oceânia.
2. No português do Brasil, deve optar por Oceania (como aprendi na infância… em Portugal!)

Abraço.
AP

domingo, 12 de agosto de 2012

Em bom português: porventura ou por ventura?

Ambas as formas de escrever estão corretas, mas são sintaticamente diferentes e usadas em contextos bem distintos.

A. Porventura é advérbio e utiliza-se para dizer o equivalente a:
a) “talvez”, “possivelmente”;
b) “por acaso” (nas perguntas: “Porventura, encontrou as minhas chaves?” ).

B. Por ventura é uma locução e está na origem do advérbio. É equivalente a “por sorte”.
Exemplo: “Todos nós, por ventura, conseguimos sair antes de a casa começar a ruir.”

DICA: Escreva por ventura apenas se ideia de sorte estiver presente na frase. Em todos os outros casos, opte por porventura!

 Veja este exemplo muito interessante que encontrei numa resposta do Ciberdúvidas:
Situação 1: • «Portugal poderá, porventura, sair da crise em que se encontra.» = talvez
Situação 2: • «Portugal poderá, por ventura, sair da crise em que se encontra.» = por sorte

Só com a sorte a interceder por nós, é que o talvez se transformará em algo de concreto…

Bom resto de domingo!
AP

sábado, 11 de agosto de 2012

Em bom português: como se pronunciam os plurais “acordos” e “molhos”?

Apesar de ser fonte de grandes trambolhões linguísticos, este é um assunto “sem espinhas”!
1. O plural do nome acordo é acordos (pronunciado “acôrdos”, com o fechado).
2. Quanto ao plural molhos, a regra é simples: o o aberto ou fechado do singular transita para o plural.

Exemplos:
- Quero um molho doce e dois molhos salgados. (pronuncia-se “môlhos”, com o fechado).
- Dê-me um molho de coentros e dois molhos de salsa. (pronuncia-se “mólhos”, com o aberto).

Fontes: CiberdúvidasNova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cinta (1995, pág. 184).

Abraço.
ProfAP

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

quilómetro ou kilómetro?

Como estamos em período de férias, trago-vos um dilema sem grande história.
A resposta é quilómetro. No entanto, o símbolo é km. Essa será a razão para, por vezes, haver dúvidas na escrita da palavra.

Para o Brasil, há uma pequena nuance na acentuação: quilômetro (som fechado).
Há (como já havia antes do AO) cerca de 200 outros casos de dupla acentuação a separar a norma luso-africana da brasileira (estrogénio/estrogênio, António/Antônio, metro/metrô, judo/judô, tónico/tônico, etc.). No português europeu, devemos usar sempre e apenas as grafias que surgem primeiro (sílaba tónica aberta), enquanto no português do Brasil são válidas as segundas, com acento circunflexo. Há casos de dupla acentuação apenas para o Brasil, como é o caso de bebê/bebé. Havendo dúvidas, basta lançar a palavra no campo “pesquisar” do sítio da Academia Brasileira das Letras (www.academia.org.br).


Que o fim de semana comece bem para todos!
AP