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terça-feira, 31 de julho de 2012

Em bom português: Pirinéus ou Pirenéus?

Embora a pronúncia pareça legitimar a grafia Pirinéus, a única forma correta para designar  esta cadeia de montanhas é... Pirenéus.
Se observarmos atentamente a sua origem grega (Pyrenaîa), torna-se óbvia a lógica desta forma de escrever a palavra.

CONCLUSÕES:
1. Na  norma luso-africana, devemos escrever Pirenéus.
2. Não cheguei a nenhuma conclusão segura sobre o que determina a norma brasileira.
Em blogues brasileiros encontrei, com muita frequência, "Pirinéus", "Pirineus" e "Pireneus". A Academia Brasileira das Letras não regista o topónimo, mas consagra o adjetivo "pirenaico" e não "pirinaico". Por outro lado, no texto do acordo, promulgado, com o DECRETO Nº 6.583, DE 29 DE SETEMBRO DE 2008, por Lula da Silva, encontramos, na Base XV, o exemplo "aquém-Pirenéus".
Assim sendo, inclino-me para que, também no Brasil, a grafia adequada seja Pirenéus.

Abraço.
AP

segunda-feira, 30 de julho de 2012

.diospiro ou dióspiro?

Sempre disse e escrevi diospiro. No entanto, consultando vários dicionários, verifiquei que todos registam dióspiro, mas nem sempre diospiro. A opção pela esdrúxula (proparoxítona) está em conformidade com o étimo grego (dióspyros, “alimento de Zeus”), mas…
CONCLUSÕES:
A. Considerando o que estipula o Portal da Língua Portuguesa, podemos dizer que, na norma luso-africana, é lícito usar ambos os termos: diospiro e dióspiro.
B. A norma brasileira consagra apenas a forma dióspiro. Nem os dicionários que consultei nem a Academia Brasileira das Letras registam diospiro. Por outro lado, no Brasil também se diz caqui para designar este fruto.

Seja qual for a sua  opção, consuma este fruto sem moderação. Para além da ação antioxidante, contém magnésio, ferro, zinco, cobre e manganésio e uma apreciável quantidade de vitamina C.
Se tiver ao dispor alguns espécimes bem madurinhos, corte-os ao meio, retire a polpa com uma colher sopa e sirva-a fresca e borrifada com um pouco de moscatel (de Setúbal, claro!). Uma delícia!

Boa semana!
AP

domingo, 29 de julho de 2012

Em bom português: alibi ou álibi?

1. Na única resposta sobre o assunto, em 1997, o Ciberdúvidas considera: “Álibi – é esta a grafia correcta.
2. O dicionário da Verbo e o Grande Dicionário da Porto Editora (tal como os dicionários online da Priberam e Infopédia) registam apenas a forma álibi.
Assunto encerrado? Isso é que era bom… mas não vai ser!
3. Tanto o Dicionário da Academia das Ciências como o Portal da Língua Portuguesa apresentam as duas formas alibi e álibi.
4. A Academia Brasileira das Letras e os dicionários brasileiros que consultei remetem para uma única grafia: álibi.

CONCLUSÕES:
A. Considerando o peso das fontes que indicam duas formas, podemos dizer que, na norma luso-africana, é correto usar alibi e álibi.
B. A norma brasileira parece aceitar apenas álibi.

Bom resto de domingo!
Já de seguida, vou preparar um dos meus petiscos de eleição: caracóis cozidos (com orégãos, claro!), a acompanhar com sangria de espumante.
Vosso,
AP

sábado, 28 de julho de 2012

Receita 15: macarronada de marisco

Esta é mais uma deliciosa receita testada nos cinco dias passados em Troia (Setúbal), com os mariscos que fui apanhando em função do ritmo das marés.
Pode ser confecionada com qualquer marisco. Neste caso, fiz com conquilhas, amêijoas, berbigões e canivetes (tudo fresquíssimo, colhido no próprio dia).
                                                                            Antes...
Macarronada de marisco
Ingredientes:
.1 kg marisco com casca
.300 gramas de macarrão
.2 tomates grandes bem maduros
.1 pimento verde grande
.3 dentes de alho
.azeite (5 colheres de sopa)
.salsa e pimenta preta
IMPORTANTE: Não use sal na receita!

Preparação
Nota prévia: se, como eu, tiver apanhado o marisco, deixe-o a limpar num alguidar com água do mar, durante um mínimo de 6 horas.
1. Leve os bivalves ao lume com meio copo de água. Tape o tacho e vá verificando até terem aberto (cerca de 5 minutos).
2. Tire-os da casca, coe o caldo e reserve.
3. Num tacho antiaderente, leve ao lume o azeite e os alhos esmagados durante 3 minutos, mexendo sempre.
4. Junte os tomates cortados aos cubos (sem pele nem sementes), os pimentos cortados às tiras e deixe apurar 10 minutos.
5. Junte os bivalves, 1 copo do caldo reservado no ponto 2. e 1,5 copos de água, a salsa picada e a pimenta.
6. Quando levar fervura, junte o macarrão e deixe cozer durante 10 a 12 minutos, consoante aprecie as massas bem cozidas ou mais al dente. Sendo necessário, acrescente mais água durante a cozedura.
7. Desligue, tape o tacho e deixe repousar 3 minutos.
8. Sirva e delicie-se! Ficará mais ou menos assim:
                                                                       ... e depois!
Ideias para servir:
Acompanhe com cerveja, vinho branco, rosé ou verde ou espumante.

Bon appétit!
AP


Em bom português: derivado a ou derivado de?

Este é um clássico! É comum ouvirmos “derivado à chuva”, “derivado ao trânsito”, etc.
Os exemplos acima apresentados são causas e significam “por causa de”. Devemos dizer, para exprimir a causa, DEVIDO A.
Derivado (adjetivo participial) pede sempre a preposição de. Refere-se à origem e é sinónimo de “(pro)vindo”. Exemplo: Produtos derivados do petróleo.
Conclusão: Em bom português, devemos dizer DEVIDO A e DERIVADO DE.

Bom resto de sábado para todos!
AP

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Em bom português: controle ou controlo?

Em 1997, um consulente apresentou esta pergunta ao Ciberdúvidas:
Qual a forma correcta, controlo ou controle? Ou serão as duas aceitáveis?
Transcrevo parte da resposta:
Controlo, s. m., conforme a feição portuguesa que lhe deu o uso. Galicismo - do fr. contrôle - há muito assim dicionarizado, na linha do que ensina Rodrigues Lapa na sua "Estilística da Língua Portuguesa" (ed. Seara Nova), a propósito dos neologismos.(…)”

Embora costume escrever controlo, tanto os dicionários online como os de papel registam as duas formas. Ou seja, podemos escrever controlo ou controle.
Quanto à pronúncia, o dicionário da Academia das Ciências indica que nos dois casos o o se pronuncia fechado (ô). Já o Grande Dicionário da Porto Editora considera que controlo é com o fechado e controle pode ser com o fechado ou aberto. Esta última perspetiva aproxima-se mais do uso.
Temos muitos outros de casos de palavras também provindas do francês com duas grafias: equipe/equipa, camionete/camioneta, avionete/avioneta, omelete/omeleta, trotinete/trotineta, etc.

NOTA: No Brasil, em geral, há uma tendência para optar pelas formas mais próximas do francês. A confirmá-lo, a Academia Brasileira das Letras e os dicionários brasileiros que consultei registam apenas controle. Creio que a pronúncia é com o fechado, mas não tenho a certeza absoluta. Se algum dos muitos amigos brasileiros que por aqui passam quiser dar uma ajuda, desde já, agradeço.

Até amanhã!
AP

quinta-feira, 26 de julho de 2012

.ovelha ranhosa ou ovelha ronhosa?

No Ciberdúvidas, Sandra Duarte Tavares, em “10 grandes equívocos da língua portuguesa”, diz: “Equívoco 10 A uma pessoa indesejável (numa família, por exemplo) designamos «ovelha "ranhosa"». Pode ler o artigo completo AQUI.
E é mesmo um equívoco, pois a única designação correta é “ovelha ronhosa. Ronhosa forma-se a partir de ronha e não de ranho.
Nada disto impede que uma qualquer infeliz ovelha se constipe e fique ranhosa, mas são contas de outro rosário!

Fiquem bem!
AP