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domingo, 24 de junho de 2012

.os media, os média ou os mídia?

A.   Sempre escrevi e ensinei os media, pronunciado com o “e” aberto, como se lá houvesse um acento agudo.
B.   Vários dicionários registam as formas média e media.
C. Os nossos irmãos brasileiros, com sentido prático, criaram os mídia. Nos dicionários de português do Brasil, também encontrei media, sempre sem acento, mas tenho a perceção de que o termo que costumam utilizar é mesmo mídia.
D.   CONCLUSÕES:
1. Não há fundamento para o uso, em Portugal, de mídia, uma vez que é uma palavra confinada à norma brasileira.
2. Considerando a diversidade de perspetivas das fontes, parece-me que tanto média como media são opções corretas. Mas continuo a preferir media, como o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciênciasde Lisboa, que não regista média, ou o Ciberdúvidas (sou um fã incondicional desta magnífica equipa). Transcrevo, com a devida vénia, um extrato de uma resposta dada a um consulente:
Mesmo quem diga media, acentuando o e e com valor de plural, não pode usar o acento gráfico, porque está a usar um plural neutro latino, media, cujo singular é medĭu-, «meio». A pronúncia “mídia” é a imitação da que lhe dão os ingleses. F. V. P. da Fonseca:: 15/06/2007
Bom resto de domingo!
ProfAP
P.s.: Para informações com mais detalhes sobre este assunto, clique AQUI.

sábado, 23 de junho de 2012

Em bom português: rescrever, reescrever ou re-escrever?

A. Aparentemente, re-escrever derivaria da aplicação das regras do Novo Acordo Ortográfico, Base XVI:
“Nas formações com prefixos (…) só se emprega o hífen nos seguintes casos: (…) b) Nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo termina na mesma vogal com que se inicia o segundo elemento: anti-ibérico, contra-almirante, infra-axilar, supra-auricular; arqui-irmandade, auto-observação (...) .”
MAS:
Na linha da tradição lexicográfica seguida em relação ao prefixo re-, que sempre aglutinou com o elemento seguinte (como  des-, in-, pro-, pre-, trans- ou para-), tanto a Academia Brasileira das Letras como o Portal da Língua Portuguesa não registam este prefixo seguido de hífen. Assim, re- continua a aglutinar em todas as situações: re(e)screver, reeditar, reeleger, reencaminhar, etc.
B. Quanto a rescrever e reescrever, são formas sinónimas. Podemos escolher uma ou outra. Só por curiosidade, acrescento que rescrever está mais próximo do étimo latino: rescribĕre.
CONCLUSÃO: Escreva rescrever ou reescrever, sempre sem hífen!

Bom fim de semana pra todos!
ProfAP

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Em bom português: filhó ou filhós?

Agora que os santos populares aí estão e as festas e feiras serão mais que muitas, ao passarmos pela rulote dos fritos, como devemos pedir: Dê-me uma filhós ou uma filhó? Pedido seguido de um imprescindível "se faz favor", bem entendido!
Saboreie a supertípica especialidade sem preocupações linguísticas, pois as duas palavras estão corretas e são sinónimas. Alguns autores, numa postura excessivamente conservadora, condenam o uso de filhós no singular. E é como gosto de dizer, no prazer antecipado de a receber, quentinha, ostentando, dengosa, uma alma bordada a açúcar e a canela. Na Feira de Setúbal, não dispenso, a acompanhar, um moscatel cá da terra (segundo os entendidos, a consumir à temperatura ambiente, sem gelo nem casquinha de limão).*1
Filhó tem como plural filhós, enquanto filhósfilhoses.
Esta nossa língua portuguesa é mesmo uma gracinha!
Portem-se bem!
ProfAP

E já agora, porque não quero que vos falte nada, deixo uma informação técnica sobre a coexistência destas duas doces e olorosas palavras:
"Ao processo de uma forma plural passar a ser empregue para designar também o singular, Evanildo Bechara dá o nome de "plural cumulativo" (ver Moderna Gramática Portuguesa, Rio de Janeiro: Editora Lucerna, 2002, pp. 128-129). O mesmo fenómeno acontece com os substantivos  ilhó e ilhós, eiró e eirós, lilá e lilás, por exemplo."  In http://www.flip.pt/Duvidas-Linguisticas/Duvida-Linguistica.aspx?DID=4933

*1- Se aprecia um bom moscatel, aconselho o "Thasos". Com uma excelente relação qualidade-preço, pode adquiri-lo a pouco mais de 4 euros no Continente/Modelo.

domingo, 17 de junho de 2012

Em bom português: bimensal ou bimestral?

Esta questão poderia parecer simples, sobretudo seguindo a perspetiva do Ciberdúvidas:
A. Bimensal - Que acontece ou se publica duas vezes por mês. O mesmo que quinzenal.
B. Bimestral - Que se realiza ou se publica de dois em dois meses.
Tudo seria simples se... não me tivesse embrenhado em dicionários de referência (da Academia das Ciências, Aurélio e Grande Dicionário da Porto Editora).
Conclusões dessa minha viagem digital (neste caso, referente aos dedos):
1. Bimensal - Aqui há unanimidade em relação ao sentido apresentado pelo Ciberdúvidas. Encontrei ainda bimensário como sinónimo.
2. Bimestral - Confirma-se o sentido apresentado no Ciberdúvidas, mas... também é apresentado como sinónimo de bimensal.
CONCLUSÕES A RETER:
1. Para dizer duas vezes por mês (ou de quinze em quinze dias), deve escrever BIMENSAL.
2. Querendo referir-se a algo que acontece  de dois em dois meses, pode dizer BIMESTRAL ou BIMENSAL. Por uma questão de clareza, vou continuar a optar por bimestral.
Por-tu-gal! E venha agora a República Checa!
Abraço.
ProfAP

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Plural das siglas: CD, CDs ou CD’s?

Indo direto ao assunto, de acordo com as regras, o plural de CD é... CD.
Sendo a sigla constituída pelas letras iniciais de duas ou mais palavras, soletradas na sua realização oral ("cêdê"), válidas tanto para o singular (um Compact Disc) como para o plural (dois Compact Discs), não se justifica a junção do s para formar o plural.
MAS...
1. É frequente vermos o s no plural em siglas e acrónimos. Não sendo lógico pelo exposto no parágrafo inicial, este procedimento não é condenado pelas regras da nossa ortografia e o texto do Novo Acordo não aborda a questão.
2. Nenhuma das fontes que consultei aceita a introdução de apóstrofo (CD's ou PME's), considerando o seu uso desprovido de qualquer lógica.

Informações complementares:
1. O acrónimo é formado pelas letras iniciais de várias palavras. Lê-se de forma contínua como se de um nome se tratasse: PALOP, VIP, OVNI, INEM. Em relação ao plural, aplica-se-lhe o que foi dito para as siglas.
2. A abreviatura é um conjunto de letras que fazem parte de uma palavra e a representam na escrita: sr. (senhor), adj. (adjetivo), abrev. (abreviatura), etc. (et caetera/et cetera). Em muitas abreviaturas, as flexões em género e em número são incontornáveis: Exmos. Srs., Dr.ª, Prof.ª.
3. No símbolo, resultado de uma convenção, uma ou várias letras representam um conceito: km (quilómetro), ºC (grau Celsius), Au (ouro), V (volt).
Importante: os símbolos não levam ponto (.) nem admitem plural.

CONCLUSÕES sobre as flexões (género/número):
a) nos símbolos não têm sentido;
b) nalgumas abreviaturas, é um procedimento inevitável;
c) sendo admissível nas siglas e acrónimos, a opção mais segura é não o fazer: as PME, os CDROM, os CD...

E AINDA:
Para alguns linguistas, acrescentar o s implica seguir as regras gerais na flexão: CDês, PALOPes, ONGues, etc.

Que o fim de semana seja bom para todos!
ProfAP

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Em bom português: Trienal, trianual ou trisanual?

Li ontem num blogue, relativamente ao termo trianual, este comentário: “Trianual não existe... ,deveria ser trienal.”

Estava dado o “tiro de partida” para mais uma pesquisa caseira.
Nos primeiros dicionários que consultei (incluindo os disponíveis online), trienal é definido como algo “1. que dura três anos 2. que é conferido ou exercido durante três anos”, enquanto  de trianual se diz: “1. que ocorre três vezes por ano 2. que ocorre de três em três anos”. Quanto a trisanual, é apresentado com sinónimo de trienal.
No entanto, após uma consulta mais abrangente de dicionários (incluindo o da Academia das Ciências de Lisboa e o Houaiss), concluo, que, apesar de as definições serem pouco precisas e de não haver sintonia entre as fontes, podemos optar pela interpretação mais abrangente: trianual, trienal e trisanual podem ser considerados equivalentes, independentemente de estarmos a referir-nos a algo que “dura três anos”, que "acontece três vezes por ano" ou “ocorre de três em três anos”.

Notas complementares:
1. O comentário que transcrevi no início desta mensagem tem algum fundamento. Se recuarmos quatro ou cinco anos, verificaremos que nenhum dicionário registava a palavra “trianual”, embora já fosse de uso corrente. Apenas encontrávamos trienal e trisanual (termos apresentados como sinónimos).
2. Em botânica, recorre-se a trienal para designar as “plantas que só dão fruto três anos após a sua plantação ou de três em três anos”.
3. Quando nos referimos a uma exposição ou evento que se realiza de três em três anos, devemos dizer trienal.
4. Para designar um acontecimento que ocorre de três vezes por ano, podemos recorrer à palavra quatrimestal, como bem observou o leitor Henrique nos comentários.

E vivam os queijinhos de Azeitão*1 (que, afinal, são da Quinta do Anjo...)!
ProfAP

*1 - Vivo em Brejos de Azeitão.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

.bienal ou bianual?

Ontem, um colega que estava a verificar uma ata de um conselho de turma chamou-me para me perguntar se a designação “disciplina bienal” estava adequada. Respondi sem hesitar que não, uma vez que “bienal” significava de dois em dois anos. Logo, tinha de se escrever “disciplina bianual”. Argumentou o secretário que, nos documentos oficiais, era assim que estava escrito. Pedi algum tempo para investigar a “fraturante” questão.
Depois de vários dicionários de papel para aqui, Ciberdúvidas para ali, dicionários online para acolá, FLIP para quem o apanhar, partilho as conclusões. Devo dizer-vos, como ponto prévio, que o secretário não teve de refazer a ata, o que significa que, afinal, as minhas certezas estavam a precisar de obras…
 A. Bienal
No seu sentido original, a palavra equivalia a “que ocorre de dois em anos”. No entanto, no seu uso generalizado, significa também “que dura dois anos consecutivos; bianual”.
MAS: Quando nos referimos a uma exposição ou evento, o sentido é que se realiza "de dois em dois anos". Exemplo: A “16ª Bienal de Cerveira”.
 B. Bianual
Segundo os dicionários, os seus sentidos são: “1. que ocorre duas vezes por ano / 2. que dura dois anos; bienal”
MAS: Bianual em botânica quer dizer “planta que dura dois anos, completando o seu ciclo evolutivo neste período”.

CONCLUSÃO PRINCIPAL: Os dois termos são equivalentes, pelo que podemos escolher um ou outro. Os contratos e as disciplinas são livres de serem bienais ou bianuais. Ainda bem para eles!

Abraço do ProfAP.