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sábado, 2 de junho de 2012

Receita 12: compota de nêspera

Apesar de ter no meu quintalão várias espécies de nêsperas (sete das quais já a dar fruto), o ano não foi propício a este fruto. Ainda assim, com os poucos frutos colhidos, não prescindi de confecionar uma das minhas compotas preferidas (fi-la pela primeira vez na primavera 2011).
As receita que vos apresento (com duas versões) resulta de experiências sucessivas. É um trabalho minucioso e demorado na preparação dos frutos, mas o resultado final é divinal!
Versão A: Compota de nêspera com canela
Ingredientes:
.Nêsperas descascadas, descaroçadas e sem a película interior que separa o fruto do caroço
.Açúcar amarelo (metade do peso das nêsperas limpas)
.Paus de canelas (2 por cada 500 gramas de fruto limpo)
Preparação
1. Junte num tacho de alumínio todos os ingredientes, mexa (com uma colher de pau), deixe levantar fervura e baixe o lume.
2. Vá vigiando e mexendo de vez em quando.
3. Levará entre 60 a 80 minutos em função da quantidade de sumo. Quando começar a acumular espuma na superfície dos frutos e a querer agarrar ao fundo, deverá estar pronto. Se tudo tiver corrido bem, a compota exibirá, orgulhosa, uma magnífica cor de mogno.
4. Assim que desligar o lume, ponha a compota nos frascos e feche-os.
5. Quando estiverem à temperatura ambiente, guarde-os no frio, dado a redução no açúcar.
Ideias para servir:
Com bolachas de água e sal, torradas ou mesmo fatias finas de pão mole.
Também resulta com queijo fresco ou requeijão ou gelado de nata, baunilha ou caramelo.
Versão B: Compota de nêspera com fios de laranja
Em relação à versão A, é só substituir a canela por casca de laranja ralada (casca de meia laranja por quilo de nêspera limpa).
Bon appétit!
ProfAP

quinta-feira, 31 de maio de 2012

.desfrutar ou disfrutar?

Inequivocamente, DESFRUTAR!
A palavra é o resultado do casamento des+fruto+ar, significando colher/gozar os frutos de (ou viver à custa de ou escarnecer, pois que ele há gente pra tudo!).
Como consequência da pronúncia do E como se de um I se tratasse, nasceu o "barbarismo comum" (Ciberdúvidas)*1 DISFRUTAR. Não estando registado nos dicionários, ganha o estatuto de desfrute clandestino...
Este é um erro que os nossos amigos do Brasil*2 não cometem, pois pronunciam o E de forma bem marcada, como se lá estivesse um acento circunflexo: "dêsfrute".
Continuação de boa semana,  desfrutando das pequenas coisas que a vida-mãe vos for depositando no regaço!
ProfAP
 
Veja também:


*1 - Barbarismo = uso de formas que se afastam da norma estabelecida como correta. Os mais puristas consideram que os estrangeirismos são barbarismos.
*2 - Entretanto, recebi uma mensagem (ver nos comentários) do leitor Daniel Cardoso que mostra que, afinal, também há dúvidas no português do Brasil: "Na verdade, moro em São Paulo e a pronúncia por aqui é com "i".  

terça-feira, 29 de maio de 2012

Em bom português: senão ou se não?

O assunto é complexo como podem comprovar nas gramáticas e nas respostas do Ciberdúvidas.
Ainda assim, apresento-vos uma síntese. Uma espécie de kit de sobrevivência…
1. Senão usa-se para dizer:
a) De outro modo, caso contrário (Despacha-te, senão perdemos o comboio!);
b) Exceto, a não ser (Todos chegaram a horas senão tu!);
c) Defeito (Não há bela sem senão! / Esse é um grande senão!).
 2. Se não usa-se quando:
a) o se é uma conjunção e o não um advérbio de negação (Se não correres, perdes o comboio!);
b) o se é uma partícula apassivante (Apesar de se não verem os seguranças, sentia-se a sua presença.)
DICA:
Com a devida vénia, transcrevo esta dica do http://emportuguescorrecto.blogs.sapo.pt/2082.html:
Como distinguir? No caso das duas palavras separadas, há a expressão clara de uma condição na negativa (se não X, acontece-te Y).
MAS…
1. Então, sai daqui imediatamente, senão salto-te em cima e faço-te em três!»
2. «Então, sai daqui imediatamente; se não [sais], salto-te em cima e faço-te em três!»
Em 1, senão equivale a «caso contrário» e é um marcador discursivo; em 2, introduz uma oração subordinada adverbial condicional, podendo ter o verbo subentendido.
E concluo a mensagem, senão chego atrasado à aula!
ProfAP

domingo, 27 de maio de 2012

.despensa ou dispensa?

Ambas as palavras estão corretas, mas com sentidos bem distintos:
DESPENSA - Nome: "pequeno compartimento onde se guardam maioritariamente produtos alimentares".
DISPENSA - Nome:  "ato ou efeito de dispensar ou de ser dispensado / "licença para não se fazer algo a que se está obrigado; permissão para não cumprir o que está estabelecido; isenção; escusa; desobriga".
                      Verbo: forma do verbo dispensar.
Com votos de uma boa semana,
ProfAP.

sábado, 26 de maio de 2012

Plantas e animais da casa: romãs em perspetiva...

Sou doido por romãs. As romãzeiras que adquiri, há dois e três anos respetivamente, parecem querer retribuir o carinho com que têm sido tratadas. As flores afirmam-se, sedutoras, numa irresistível cor de fogo que me incendeia a imaginação. Aqui vos deixo, a foto tirada ao fundo do quintal, prova viva da esperança, ainda embrionária, de vir a saciar-me com uma, outra e mais outra punica granatum.


Informações complementares

"Romã
De tonalidade e sabores únicos, este fruto delicioso oferece uma acção antioxidante e anti-inflamatória
Como em muitas plantas e frutos, a acção sinérgica dos vários constituintes da romã é superior à de cada um deles isolado.
No geral, este fruto tem um efeito antioxidante, anticancerígeno e anti-inflamatório, algo que pode ser explicado, em parte, pela presença não só de ácido elágico, mas também de antocianidinas, galhatos, ácido ascórbico, esteróis, flavonóides, ácidos gordos e vários minerais.
A romã está indicada para a prevenção e tratamento coadjuvante do cancro da próstata e de doenças cardiovasculares (angina de peito, aterosclerose, colesterol elevado e hipertensão).
O seu efeito antioxidante e anti-inflamatório faz com que seja útil em várias patologias, nomeadamente diabetes, disfunção eréctil, infecções bacterianas, resistência a antibióticos, queimaduras solares, infertilidade, doença de Alzheimer, artrite e obesidade.
Existem também resultados promissores ao nível do cancro do cólon, mama, pele e na leucemia, mas ainda não foram realizados estudos em humanos nestas patologias."
  
Nota: O texto acima transcrito segue a Norma de 1945.
Desejando a um todos um bom fim de semana,
ProfAP





quinta-feira, 24 de maio de 2012

Mais uma história de melros: desta vez, feliz!

Depois da confirmação do previsível e infeliz destino do ninho encontrado na mata (AQUI), descobri hoje, enquanto tratava das galinhas, um outro ninho, também de melro, ao fundo do quintal. As duas crias, confundindo-me com os progenitores, escancararam os bicos ávidos assim que pressentiram a minha presença. Aqui fica, para todos vós, a magia do precioso momento.


Abraço.
ProfAP

terça-feira, 22 de maio de 2012

.rubrica ou rúbrica?

É comum vermos e/ou ouvirmos “rúbrica” para falar da “assinatura abreviada” e “rubrica” para designar um assunto ou um pequeno apontamento.
1. Só existe uma palavra (grave) escrita e pronunciada da mesma maneira: “rubrica”, independentemente de nos estarmos a referir à assinatura abreviada ou a um assunto.
2. Sobre a interessante história desta palavra, transcrevo, com a devida vénia, uma mensagem publicada em julho de 2007 no blogue http://linguamodadoisec.blogspot.pt:
Ainda a “rúbrica”!
“Rubrica, para um pequeno apontamento, e rúbrica, para uma assinatura breve” – assim pensa a maioria das pessoas.
RUBRICA é, hoje em dia, uma das palavras utilizadas incorrectamente, quer na oralidade, quer na escrita. Contudo, a sua história ajuda-nos a esclarecer eventuais dúvidas. Viajem comigo!
Tendo a sua origem no latim rubrica
, estava relacionada com “rubro” (vermelho) e designava “terra, argila vermelha” ou “giz de cor vermelha”. Os títulos dos livros antigos e dos manuscritos medievais eram sempre escritos a vermelho, daí a designação rubricas.
Actualmente, os dicionários registam rubrica como o título dos capítulos de livros de direito civil, significado este que se foi alargando para “pequeno apontamento ou indicação”. Posteriormente, a palavra rubrica
passou a designar também uma assinatura abreviada.
Em suma, trata-se de uma palavra com acento tónico na penúltima sílaba -bri- e sem qualquer acento gráfico na vogal u. rubrica, portanto, em todas as acepções.

Espero que esta rubrica tenha sido esclarecedora, para que na altura de assinarem um documento, possam perguntar com um ar decidido: "Desculpe, onde quer que eu faça a rubrica?"

Com votos de uma boa semana,
ProfAP