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segunda-feira, 12 de março de 2012

Acordo: Datas históricas com maiúscula ou minúscula?

Uma pergunta que já me foi feita várias vezes é se devemos usar maiúscula nas datas históricas. Num livro de ficção que ando a ler que segue o AO, encontrei uma dessas datas com minúscula. O texto do Acordo não é taxativo sobre a questão. Cruzando dois artigos, inclino-me para o uso de maiúscula.

1. A base XIX, no ponto 1, parece remeter para a minúscula.
“A letra minúscula inicial é usada:
(…)
b) Nos nomes dos dias, meses, estações do ano: segunda-feira; outubro; primavera. (…)”

2. No entanto, a mesma base, no ponto 2, diz:
“A letra maiúscula inicial é usada:
(…)
e) Nos nomes de festas e festividades: Natal, Páscoa, Ramadão, Todos os Santos. (…)”

Considerando que datas históricas são comemorações, parece-me que poderemos incluí-las na categoria “festas e festividades”.
Assim sendo, diria que as datas históricas deverão escrever-se com maiúsculas: 25 de Abril, 1º de Maio, 1º de Dezembro, etc.

Nota: O mesmo princípio é aplicável aos dias da semana: Sexta-Feira Santa, Quinta-Feira da Ascensão, Domingo Gordo, etc.
Com votos de uma boa semana para todos,
ProfAP

P.s. Veja, na mensagem anterior, a forma com devemos abreviar os meses.

Acordo - Abreviaturas dos meses

De acordo com uma resposta dada pelo Ciberdúvidas a um consulente, em 7-10-11, deve ser seguida a norma que passo a transcrever nas abreviaturas dos meses do ano. Ao contrário do que acontece com a generalidade das abreviaturas, estas devem ser grafadas com minúsculas. Aqui fica a lista:

janeiro – jan.
fevereiro – fev.
março – mar.
abril – abr.
maio – mai.
junho – jun.
julho – jul.
agosto – ago.
setembro – set.
outubro – out.
novembro – nov.
dezembro – dez.
Fonte: http://www.ciberduvidas.com/pergunta.php?id=29998

ProfAP

sábado, 10 de março de 2012

Receita 7: Empadão de frango ao alhinho


A receita, sendo morosa, não é difícil. Para além do frango, os ingredientes principais são o azeite e os alhos. O resultado final compensa o trabalho que dá. Pode ser uma boa escolha para aproveitar sobras de frango assado, sobretudo as partes mais secas.

Empadão de frango ao alhinho

Ingredientes:
. 1 frango assado
. 1 molho de espinafres (ou nabiças ou grelos)
. 1 kg de batatas reduzidas a puré
. 12 cogumelos frescos (previamente lavados e laminados)
. 8 rodelas de chouriço de carne certificado (o de porco preto é uma delícia!)
16 dentes de alho grandes
. azeite (para cozinhar, não use azeite extravirgem)
. massa de pimentão, sal, sumo de limão, pimenta preta moída no momento
Preparação:
A - O frango com os cogumelos
1. Esfregue todo o frango com sumo de limão e barre-o com uma papa feita com 4 dentes de alho em puré, 1 colher de sopa de massa de pimentão, azeite e pimenta. Deixe-o marinar pelo menos durante 2 horas.
2. Leve-o a assar em lume médio até estar tostadinho.
3. Retire-o do forno e, quando estiver morno, tire-lhe a pele (vá lá, pode deliciar-se com 1 tirinha minúscula...) e os ossos e desfie-o .
4. Ponha numa frigideira grande (ou wok) 4 alhos feitos em puré e 4 colheres de sopa de azeite e os cogumelos. Junte uma pitada de pimenta e deixe apurar durante 3 a 4 minutos.
5. Junte o frango desfiado e, mexendo sempre, deixe apurar durante mais 5 minutos.
B - Os espinafres
1. Ponha os espinafres (cortados grosseiramente) em água a ferver com uma pitada de sal. Quando estiverem cozidos (cerca de 10 minutos depois de levantarem fervura), escorra-os e esprema-os para que fiquem sem água. 
2. Ponha numa frigideira 4 alhos feitos em puré e 4 colheres de sopa azeite e deixe aquecer durante 1 minuto em lume médio. Junte os espinafres, mexa bem e deixe apurar durante 5 minutos. 
C - O puré
1. Descasque as batatas e coza-as com sal (cerca de 20 minutos depois de a água levantar fervura).
2. Com o esmagador de batatas, obtenha uma massa tão homogénea quanto possível. Pode usar o passe-vite (interessante este estrangeirismo!).
3. Ponha numa frigideira 4 alhos feitos em puré e 4 colheres sopa de azeite e deixe aquecer durante 1 minuto em lume médio. Junte o puré e 4 colheres de sopa de leite. Polvilhe com pimenta e noz moscada e mexa bem para ficar aveludado. Se ficar seco, junte mais leite.
D - O grand finale
1. No fundo de um tabuleiro de barro (ou pirex), faça com ternura uma bela cama com os espinafres.
2. Junte o frango desfiado com os cogumelos. Com carinho, espalhe bem os pedaços de modo a cobrir toda a área dos espinafres.
3. Com delicadeza, cubra o frango com o puré.
4. Com arte, disponha as 8 rodelas de chouriço sobre o puré.
5. Com fé, leve ao forno até estar loirinho (sem queimar o chouriço). Cerca de 25 minutos.

Sugestões para servir este prato:
. Embora seja um prato de frango, considerando os ingredientes e o modo de preparação, um tinto pode ser uma opção interessante. Porque um dia não são dias, aqui fica a proposta da região do Douro: Castelo d'Alba (Grande Reserva). Um néctar para quem aprecia tintos personalizados. Não sei o preço, pois foi-me oferecido por um amigo. ;)
. Para a sobremesa algo muito simples de preparar, mas diferente: descasce uma banana bem madura e sirva com pedacinhos de geleia. Pode optar pela geleia que tiver disponível. A geleia de limão divulgada no blogue resulta em cheio: o ácido suave do limão faz o casamento perfeito com o doce da banana!
Que trabalheira que deu passar a receita para texto! Mas como não quero que vos falte nada...
Agora, tenho de ir preparar o almoço de hoje. Cozido de frango (alimentado com milho e trigo) com chispe e enchidos (e legumes variados, arroz e feijão). Muito saudável... para a alma! ;)
Bon appétit e bom fim de semana!
ProfAP
P.s. Uma saudação especial para os colegas da Escola Sec. da Sé, na Guarda. Agradeço a simpatia na receção no seminário sobre o Acordo e deixo uma palavra de ânimo para amenizar a tristeza que o falecimento de uma colega, nesse mesmo dia, deixou em todos. Mãe quando nos traz ao mundo, madrasta quando nos abandona, a vida tem de continuar...
Espero que nos possamos reencontrar em circunstâncias mais felizes.

domingo, 4 de março de 2012

Alandroal (Évora): III Mostra Gastronómica do Peixe do Rio

Decorre, até ao próximo dia 11 de março, a III Mostra do Peixe do Rio no Alandroal e localidades mais próximas. Esta é a oportunidade para uma experiência de viagem deliciosamente diferente. Vivi-a e aconselho-a vivamente.
Ontem, sábado, almocei no restaurante mais conhecido do Alandroal e com projeção nacional: "A Maria", conhecido por um original e excelente "pato em vinho tinto". Atendendo à ocasião, optei, depois de uma entrada de cogumelos ao alhinho e uma salada de coelho desfiado, por um apetitoso barbo frito às postas. Quanto à sobremesa, direi apenas que umas farófias ainda mornas e servidas generosamente fizeram a felicidade do meu palato exigente. O vinho branco da casa (engarrafado) é uma escolha obrigatória! O preço da refeição, dependendo das escolhas, anda nos 15€ por pessoa. Ainda assim, a relação qualidade-preço é muito boa.
Ao jantar, desloquei-me a Terena (a 10 km) a outro restaurante aderente à Mostra: "A Lanterna". Refeição para dois: a abrir, pão alentejano consistente, azeitonas bem temperadas, um queijinho seco de ovelha e o jarro mais pequeno do branco da casa, que não desiludiu. Logo a seguir, entrou, triunfante, recostado numa cama de molho de tomate e ladeado de batatinhas cozidas no ponto,  intervaladas por raminhos frescos de poejo, um achigã (ou perca-negra) de sabor delicado. Para a sobremesa comeu-se o que havia: toucinho do céu e bolo de cenoura com cobertura de chocolate. Para encerrar o repasto, um café. E agora, preparem-se para o preço... 12€65! Inesquecível! A simpatia da dona (que também é a cozinheira e serve à mesa) também merece nota máxima.
De sábado para domingo, fiquei alojado na Hospedaria Pêro Rodgrigues (Alandroal). Uma suite (!) para dois descrita no www.booking.com (onde fiz a reserva) como "suite espaçosa com 1 cama king-size, banheira de hidromassagem, lareira e uma varanda.Cada uma das suites climatizadas inclui uma televisão, um sofá e uma secretária.Todas as suites estão elegantemente decoradas com mobiliário tradicional e pisos em azulejo". O quarto era de facto espaçoso e às 19h00, como prometido, acenderam-nos a lareira. Este luxo ficou-nos por 59€! O pequeno-almoço (5€ para dois) também não dececionou. Os donos (sobretudo a dona) têm um conhecimento detalhado da região e podem ser uma fonte preciosa de informação.
Informação sobre o alojamento: http://hosperorodrigues.com.sapo.pt.
Informação sobre a região e a Mostra: Gabinete do Turismo, junto ao castelo, e sítio da Câmara Municipal do Alandroal em http://www.cm-alandroal.pt/pt/Munic%c3%adpio%20Alandroal.htm.
Passarei a divulgar este tipo de informações com a etiqueta "Prazeres e sabores".
Uma boa semana para todos!
ProfAP

sexta-feira, 2 de março de 2012

Acordo: Soluções para os exercícios de translineação

Bom dia!
Como prometido, dou-vos as respostas para o exercício de translineação que vos propus na mensagem anteriror:
1. égua, íman e liam não se separam, pois não se deve escrever no princípio ou no fim da linha uma só vogal ou ditongo. O "am" de "liam" é equivalente a um ditongo nasal.
2. col-meia. Pela razão indicada em 1., o "meia" é inseparável.
3. dis-ses-se. Separam-se sempre consoantes iguais.
4. quan-do, uma vez que gu ou qu nunca se separam da vogal ou ditongo que vem a seguir, seja o u pronunciado ou não.
5. Pa-ra-guai. Aplica-se a "guai" (tritongo) a regra referida em 4.

Notas:
1. Aproveito a oportunidade para enviar um cumprimento especial para Miranda do Corvo e agradecer a receção calorosa que me foi dispensada por professores e funcionários na Escola EB 2.3 C/ Sec. José Falcão  (Agrupamento de Escolas de Miranda do Corvo). A fatia torrada com manteiga daquela espécie de folar que me foi servida antes de iniciar a sessão sobre o Acordo estava divinal!
2. E como a parte final da nota 1. vos deve ter aberto o apetite, fica prometido: durante o fim de semana (sem hífenes, pois claro!) partilharei convosco uma nova receita que vou experimentar hoje ao jantar. Já tem nome: "Empadão de frango ao alhinho". Podem ir matando e depenando o frango... Que horror? Hum... Passo a citar a nossa Sophia de Mello Breyner: "As pessoas sensíveis não são capazes/De matar galinhas/Porém são capazes /De comer galinhas" (...).
ProfAP



domingo, 26 de fevereiro de 2012

.Acordo: como fazer a translineação?

Na sequência de perguntas de vários colegas, abordarei hoje a questão da translineação (forma de separar as palavras nas mudanças de linha).
O texto do Novo Acordo, diz pouco sobre o assunto, dedicando-lhe apenas o ponto 6. da Base XX:
Na translineação de uma palavra composta ou de uma combinação de palavras em que há um hífen ou mais, se a partição coincide com o final de um dos elementos ou membros, deve, por clareza gráfica, repetir-se o hífen no início da linha imediata: ex- -alferes, serená- -los-emos ou serená-los- -emos, vice- -almirante.
Nota: A repetição do hífen na linha seguinte, que era aconselhada, passou a ser obrigatória.
Algumas regras importantes:
1. Separam-se sempre:
a) Grupos formados por duas consoantes iguais: comum-mente /er-ro /os-so.
b) Os dígrafos sc, e xc: des-cer / cres-ça / ex-ceder.
2. O s que precede uma consoante forma sempre sílaba com o elemento que vem antes:  les-ma / cabis-baixo / pers-picaz / subs-tantivo.
3. Não se separam os grupos gu ou qu nunca se separam da vogal ou ditongo que vem a seguir, seja o u pronunciado ou não:  exa-guas / delinquen-te / quais-quer / lingua-gem.
4. Não se deve escrever no princípio ou no fim da linha uma só vogal (nem os ditongos, segundo o Ciberdúvidas). Assim, não se partem palavras como lua, água, , baú, rua e criam (a terminação “am” é lida como “ão”, ditongo nasal átono).
E para ver se a lição está sabida, aqui fica um exercício:
Em que sítios podem as palavras que se seguem ser partidas na translineação?
1. colmeia   2. égua   3. íman    4. dissesse   5. quando   6. Paraguai   7. liam
Exemplo de resposta a dar: autocarro pode partir-se   au-to-car-ro.
No final da semana, publicarei as soluções. Se preferir, envie as respostas para professor.ap@gmail.com e terá uma correção personalizada!
Ao dispor,
ProfAP.
PARA SABER MAIS:
Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Lindley Cintra e Celso Cunha.(pp. 67 a 69).

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Ainda a grafia de Eco-Escolas...

Olá a todos!
No passado dia 11/2, publiquei esta mensagem:
Só umas palavrinhas para confirmar que, de acordo com as novas regras, devemos mesmo escrever Ecoescolas, retirando o hífen.
Segundo a Base XVI do texto do Acordo:
"Não se emprega, pois, o hífen: (...)
b) Nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo termina em vogal e o, segundo elemento começa por vogal diferente, prática esta em geral já adotada também para os termos técnicos e científicos. Assim: antiaéreo, coeducaçao, extraescolar, aeroespacial, autoestrada, autoaprendizagem, agroindustrial, hidroelétrico, plurianual."
Só haveria justificação para se manter o hífen se se tratasse de uma marca inscrita em registo público, de acordo com a base XXI do NAO:
"Para ressalva de direitos, cada qual poderá manter a escrita que, por costume ou registo legal, adote na assinatura do seu nome. Com o mesmo fim, pode manter-se a grafia original de quaisquer firmas comerciais, nomes de sociedades, marcas e títulos que estejam inscritos em registo público."

Entretanto, chegou-me este esclarecimento do Eco-Escolas:
"Caros colegas,
Por termos sido confrontados com o assunto em epígrafe, vimos por este meio informar que, mesmo com a aplicação do Novo Acordo Ortográfico e, aliás, em consonância com o disposto neste, Eco-escolas deverá continuar a escrever-se com hífen, em virtude de se tratar de uma marca registada, consubstanciando uma excepção prevista na Base XXI do Novo Acordo Ortográfico, que passamos a citar:
«Base XXI - Das assinaturas e firmas
Para ressalva de direitos, cada qual poderá manter a escrita que, por costume ou registo legal, adote na assinatura do seu nome.
Com o mesmo fim, pode manter-se a grafia original de quaisquer firmas comerciais, nomes de sociedades, marcas e títulos que estejam inscritos em registo público.»
Neste sentido, encontram em anexo a este e-mail o registo de propriedade da marca Eco-escolas, atestando o acima exposto.
Margarida Gomes"

Confirma-se, assim, a única hipótese que referi em 11/2  que poderia justificar a manutenção do hífen: a designação estar inscrita em registo público. Assim sendo, a exemplo do que acontece com a "Jóia do Cávado", que manteve o seu acento, o Eco-Escolas salvaguarda o seu hífen!

ProfAP