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domingo, 8 de janeiro de 2012

NOVO ACORDO - As duplas grafias mais uma vez...

Boa noite a todos!
Verifiquei que havia lapsos na lista das duplas grafias para Portugal, África lusófona e Timor-Leste. Entre outras pequenas anomaliaas, uma palavra a mais e duas a menos. Depois de uma revisão à lupa, está tudo em ordem! Fazendo fé nas extensas listas do Vocabulário da Mudança (Portal da Língua Portuguesa), são 233 casos de dupla grafia. A maior parte das palavras são pouco conhecidas e de uso improvável. Ainda assim, poderá será útil ter a lista sempre à mão.
Boa escrita e bom resto de domingo deste fim de semana em cheio para os benfiquistas (grupo de que faço parte)... ;)
Para ter acesso à lista, clique AQUI!

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Novo Acordo: o caso de pêra/peras e pêro/peros

Recorrendo a uma questão apresentada no seminário realizado em Mafra em 22.12.11, aqui fica a partilha de um esclarecimento:
1) As palavras pero e pera perdem o acento com o Novo Acordo, uma vez que desaparece a maior parte dos dos acentos distintivos. Exceções:
Para todo o espaço da lusofonia - pôr/por e pôde/pode;
Para Portugal e África lusófona/Timor-Leste - dêmos/demos e andámos/andamos (aplicável a todos os verbos da 1ª conjução).
2) Quanto aos plurais peros e peras, já não levavam acento.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Últimas sobre o Acordo Ortográfico

Antes de mais, quero desejar que todos possam encontar formas de fintar a crise e de, à sua maneira, serem felizes. Nem que seja de vez em quando...
Quanto ao Acordo, transcrevo, com a devida vénia, este post publicado em 22/12 no blogue da Priberam.
 Últimas sobre o Acordo Ortográfico
“Nem grande entusiasmo, nem grande rejeição” – é este o balanço que o jornal Público faz dos primeiros três meses de aplicação do novo Acordo Ortográfico (AO) no ensino oficial em Portugal.
Segundo o artigo publicado no passado dia 17 de Dezembro, apesar de, no geral, o clima de aceitação do AO nas escolas portuguesas ser morno, havendo aceitação e discordância q.b., persistem confusões. Uma delas é esta:
«Algumas bases são extremamente subjectivas”, diz [Edviges Ferreira, presidente da Associação de Professores de Português]. “Sobretudo no que diz respeito ao uso do ‘p’ e do ‘c’, em que, em muitos casos, a pessoa pode escrever conforme lhe apetecer. Se disser Egito escreve sem ‘p’, mas se disser Egipto escreve com ‘p’.
Mas depois o acordo contradiz-se.” E como faz para resolver essas contradições quando está a dar formação? “Explico isso, e aconselho os colegas a ensinar os meninos a escrever como dizem. Nesse caso, o professor não os pode penalizar”.»
Curiosamente, e como já aqui se explicou, a palavra Egito surge no texto legal do AO como um exemplo claro em que a consoante “p” não se pronuncia, pelo que não se trata de um caso de dupla grafia.
Outra confusão é a que diz respeito ao hífen de cor-de-rosa:
«Também Ana Soares diz que as dificuldades que têm surgido resultam de regras cuja lógica nem sempre é perceptível – por exemplo, o hífen, que deixa de existir em cor-de-rosa, mas não em cor-de-laranja [sic]. Curiosamente, é o mesmo exemplo que Fátima Gomes utiliza para lamentar que a questão da hifenização “tenha muitas excepções, e depois excepções dentro das excepções.”»
Contrariamente ao que é dito acima, à luz do novo AO, cor-de-rosa mantém o hífen mas cor-de-laranja perde-o (ver ponto 6.º da Base XV). Esta não é, porém, uma inovação do AO, pois tal incongruência – a escrita de cor-de-rosa com hífen mas de cor de laranja sem hífen – já acontecia na norma anterior (ver alínea b da Base XXVIII do Acordo Ortográfico de 1945 e Tratado de Ortografia da Língua Portuguesa, Coimbra, Atlântida, 1947, p. 202, n.º 2 e p. 243, n.º 4).
Aguarda-se que a publicação do Vocabulário Ortográfico Comum (previsto no art. 2.º do AO), recentemente anunciado para 2014, esclareça de vez estas e outras confusões.
Entretanto, com ou sem confusões, a adopção efectiva do AO na Assembleia da República e em todos os serviços, organismos e entidades dependentes do Governo, bem como no Diário da República, entra em vigor já a partir de 1 de Janeiro de 2012.
In http://blogue.priberam.pt (acedido em 31/12/2011)
Nota: As palavras e expressões destacadas a cor-de-rosa funcionam como links.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Acordo: maiúscula inicial em pontos cardeais

Boa noite!
Um cumprimento especial ( e um agradecimento pelo carinho com que me trataram) aos colegas que estiveram na sessão sobre o Acordo realizada no dia 22/12 na Esc. Sec. José Saramago, em Mafra. Relativamente à questão do uso de maiúscula/minúscula, deixo-vos uma resposta dada pelo "flip" a uma pergunta sobre o assunto.
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"Quando devo usar iniciais maiúsculas e quando devo usar iniciais minúsculas nas palavras "norte", "sul" e similares?
Mitch (Brasil)
Segundo o Acordo Ortográfico de 1945, os pontos cardeais deverão ser maiusculados quando designam regiões, independentemente de serem usadas de modo absoluto ou de restringirem explicitamente a área de um topónimo (ex.: Norte de Portugal, Sul de Espanha, foram ao Norte e voltaram na terça-feira).
O Acordo Ortográfico de 1990 introduz uma ligeira diferença no que respeita à maiusculação dos pontos cardeais, que passam apenas a escrever-se com maiúscula inicial quando se usam de modo absoluto (isto é, quando não estão junto a um topónimo) para designar uma região. Assim, por exemplo, passará a escrever-se no Norte quando se quer dizer no norte de Portugal e no Oeste quando se quer dizer no oeste africano. A minúscula mantém-se sempre que o ponto cardeal esteja adjunto ao nome de uma região (ex.: norte de Portugal, sul de Espanha, nordeste brasileiro, norte da Europa).
"
Que o Natal, para além de doce, possa ser feliz para cada um de vós!
AP



quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Receita 3: pato confitado com migas de chuchu e espargos

Em tempo de crise, sabe bem um menu de festa requintado e económico. O tempo de preparação não é excessivo e o grau de dificuldade não vai além do médio. Como nem só de Acordo Ortográfico se vive, aqui fica a receita (como sempre, testada), esperando dar-vos satisfação ao palato e ânimo à alma...
Pato confitado à minha moda com migas de chuchu e espargos
Ingredientes:
.1 pato partido aos bocados
. sal, pimenta preta moída no momento e azeite
. 4 chuchus
. 2 a 3 papo-secos
. 1 cebola grande, 3 tomates, espargos (postos 2 minutos em água a ferver)
Preparação:
A - O pato
1. Tempere o pato com sal (pouco) e pimenta e deixe-o repousar durante 15 minutos.
2. Disponha os pedaços do pato num tabuleiro, regue-os com azeite e leve ao forno: nos primeiros 25 minutos em potência média e no tempo restante entre o médio e o mínimo para ir assando lentamente.
3. Vá virando a carne até estar no ponto (muito ligeiramente tostada).
4. Ponha a carne com todo o molho que se formou durante a assadura num tacho (de preferência com um diâmetro não muito largo, para que carne fique coberta pelo molho) e deixe-a estar num bico pequeno do fogão, em lume muito brando, durante cerca de 20 minutos. Desligue o fogão e deixe ficar a carne no molho.
B - As migas
1. Coza os chuchus (previamente descascados e descaroçados) em água e sal durante 25 minutos (tempo contado após ter começado a ferver). Escorra-os e esmague-os em puré. Reserve um copo de água da cozedura.
2. Num tacho, leve a cebola picada a aloirar em azeite. Junte o tomate picado e deixe apurar.
3. Junte o puré de chuchu, os papo-secos (depois de demolhados e espremidos) e os espargos (cortados aos pedaços). Junte a pimenta e retifique o sal.
4. Envolva tudo e vá mexendo em lume médio durante cerca de 5 minutos (sendo necessário, junte um pouco da água de cozer os chuchus).
RETIRE A CARNE DO TACHO, DEIXE ESCORRER BEM E SIRVA COM AS MIGAS!
Sugestões para servir este prato:
.Com uma salada de rúcula e umas rodelas de laranja.
.Regado com um verde fresco com uma excelente relação qualidade-preço: Casa da Penela, da sub-região do Cávado.
.Seguido de umas farófias envoltas em olor de canela.
.E tudo o que a sua imaginação ditar...
Bom apetite!
AP

Nota: Para fazer render, pode juntar coxas de frangos partidas em dois ou três pedaços.

domingo, 18 de dezembro de 2011

.alcoolémia ou alcoolemia? leucémia ou leucemia? Etc.

Olá!
Aqui fica uma sistematização de respostas a dúvidas apresentadas em sessões sobre o Novo Acordo Ortográfico. A maior parte resulta de intervenções de professores que estiveram no seminário de 30/11, realizado na Mouzinho da Silveira (Baixa da Banheira).
A. Duplas grafias… ou não!
1. Pronunciam-se de duas maneiras com sílaba tónica na letra a negrito as seguintes palavras: alcoolemia/alcoolémia; tulipa/túlipa; zângão/zangão.
2. Em leucemia carrega-se o i e não no e. A leucémia poderá ser uma contaminação da pronúncia em inglês (“leukímia”).
3. Quanto a pólipo, aconselharia o uso do termo acentuado, uma vez que, tendo consultado vários dicionários, encontrei apenas num deles a versão “polipo”, mas explicado de forma pouco clara.
B. Plurais
Como referi numa das sessões: a) o plural de acordo é acordos (pronunciado ô como no singular); quanto a  molho, a pronúncia do singular mantém-se no plural: "môlho"- "môlhos" e "mólho"-"mólhos". Transcrevo a resposta dada pelo Ciberdúvidas em 1997:
“O plural de acordo (côr) é acordos (côr).
Em molho, temos duas palavras:
a) Molho (/môlhu/) a significar aquele líquido que se põe nas iguarias para lhes dar determinado sabor. O plural é /môlhos/.
b) Molho (mó) significando braçado, paveia: um molho de palha. O plural é /mólhos/.”
C. Pronúncia
Embora as regras que regem a pronúncia sejam mais ou menos tolerantes e o conceito de correto e incorreto tenha alguma flexibilidade, aqui ficam as respostas (validadas pelo Ciberdúvidas):
1. Em cadáveres, o e deve ser pronunciado aberto (como no singular), seguindo o paradigma de repórter (/repórtéres/), éter (/étéres/), cárter (/cártéres/) ou líder (/lídéres).
2. Quanto a intoxicar (aplicável a outros casos como tóxico e toxina), embora a pronúncia “x” esteja num dicionário recente, a opção por “ks” deve ser preferida. Extrato da resposta dada em 2007 pelo Ciberdúvidas a um consulente: o Vocabulário da Língua Portuguesa (1966), de Rebelo Gonçalves, indica claramente que a letra <x> deverá ser pronunciada como [ks]. Do ponto de vista normativo, é, pois, preferível esta última pronúncia, muito embora o uso que indigna a consulente esteja em expansão e, como se vê, já tenha chegado a obras com finalidades normativas.
D. Derivados de topónimos
1. Relativamente à questão já aqui abordada sobre os habitantes de S. João da Madeira, podemos usar, segundo o Portal da Língua Portuguesa, quatro palavras: sanjoaninos, sanjoanenses, são-joaninos e são-joanenses.
2. Por estranho que possa parecer, podemos chamar aos habitantes do Canadá: canadianos, canadenses e canadienses.
Uma saudação para todos (com especial carinho para os meus colegas “profes”, sobretudo para que os que andam mais desanimados).
Boa escrita!
AP